Lula intensifica negociações para reforma ministerial com aliados estratégicos

Presidente sinaliza mudanças na Esplanada dos Ministérios com discussões envolvendo Hugo Motta, Davi Alcolumbre e outros políticos-chave.

Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), está intensificando as discussões sobre a reforma ministerial, envolvendo figuras-chave como os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Essa iniciativa foi sinalizada a seus aliados, indicando um movimento estratégico no governo.

Fontes próximas ao Palácio do Planalto revelam que Motta e Alcolumbre já foram informados sobre sua convocação para reuniões com o presidente. As tratativas estão previstas para se estenderem até a próxima semana. Além disso, o presidente do Senado acompanhará Lula em uma viagem ao Amapá nesta quinta-feira (13), a convite do petista.

Segundo colaboradores de Lula, as mudanças na Esplanada dos Ministérios deverão começar por pastas que atualmente são ocupadas por membros do PT ou por ministros considerados de sua confiança. Um dos nomes que pode ser afetado é o da ministra da Saúde, Nísia Trindade. Para substituí-la, dois ex-ministros da Saúde estão entre os candidatos: Alexandre Padilha, atual ministro das Relações Institucionais, e Arthur Chioro, presidente da Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

Chioro foi previamente cogitado para um cargo ministerial durante a formação do governo em 2022 e possui experiência como ex-ministro da Saúde durante o governo Dilma Rousseff, entre 2014 e 2015.

O contexto dessa reforma ocorre em um período delicado para o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. Sua posição à frente da pasta responsável pelo Bolsa Família já era considerada vulnerável. Recentemente, ele provocou controvérsias ao sugerir a possibilidade de um reajuste no valor do Bolsa Família, declaração que levou a Casa Civil a desmentir quaisquer estudos sobre essa possibilidade. Dias afirmou à Folha que continua dedicado ao seu trabalho no ministério.

A avaliação entre os aliados sugere que esse deslize de Wellington poderia facilitar seu retorno ao Senado, uma vez que há uma demanda crescente por uma articulação governista mais robusta naquela Casa.

Entre as mudanças esperadas na equipe ministerial, destaca-se a possibilidade da deputada Gleisi Hoffmann (PR), atual presidente do PT, assumir a Secretaria-Geral da Presidência, cargo hoje ocupado por Márcio Macêdo. Além disso, a ministra Cida Gonçalves (Mulheres) pode ser substituída pela ministra Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), do PC do B. Isso abriria espaço para que um partido do centro, como o PSD, liderasse sua atual pasta.

Embora haja apoio para a inclusão da deputada federal Tabata Amaral (PSB) nesse ministério, essa proposta enfrenta resistência tanto dentro do PT quanto no PSB. Ademais, alguns membros do governo acreditam na permanência de Geraldo Alckmin na pasta do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o que poderia inviabilizar a entrada de Tabata no governo devido à conexão partidária.

Lula também planeja discutir com os ex-presidentes da Câmara e do SenadoArthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco — sobre possíveis novas alianças ministeriais. O Centrão demonstra interesse pela pasta da Agricultura, atualmente sob responsabilidade de Carlos Fávaro (PSD), mas essa movimentação enfrenta forte oposição do próprio PSD.

A escolha de Padilha para a Saúde levantaria questões sobre o futuro da Secretaria de Relações Institucionais. Uma corrente defende que essa secretaria permaneça sob controle do PT, beneficiando nomes como Jaques Wagner (BA), enquanto outra sugere a nomeação de um aliado político. Neste cenário, Silvio Costa Filho (Republicanos), atual ministro de Portos e Aeroportos, surge como um possível candidato para o cargo.

Um colaborador próximo ao presidente da Câmara informa que Motta aguarda ansiosamente a conversa com Lula para resolver questões internas relacionadas à distribuição de cargos estratégicos e comissões dentro da Casa Legislativa.

Outro político próximo enfatiza que é crucial que o governo e seus aliados estejam cientes de que 2025 será um ano preparatório para as eleições presidenciais de 2026. Assim sendo, é necessária uma “mudança de postura” no Executivo visando à reeleição.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 12/02/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show