Lula Inicia Negociações para Reforma Ministerial e Reestruturação do Governo
Lula inicia discussões sobre reforma ministerial para fortalecer governo e preparar alianças para 2026; mudanças esperadas nas próximas semanas.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o início das discussões com os partidos da base aliada com o intuito de implementar uma reforma ministerial. A previsão é que essas conversas aconteçam nas próximas duas semanas, visando um novo arranjo no primeiro escalão do governo após as eleições para a presidência da Câmara e do Senado.
Na última quinta-feira (16), Lula se reuniu com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), onde orientou o auxiliar a dialogar com as legendas que já compõem a Esplanada dos Ministérios sobre possíveis mudanças nas pastas ocupadas, além de outras demandas que possam surgir.
A determinação do presidente evidencia as intenções de alterações que ele planeja para a segunda metade de seu mandato. Até então, havia especulações sobre mudanças pontuais ou até mesmo ajustes mais abrangentes, incluindo a possibilidade de substituições restritas ao PT.
A avaliação no Palácio do Planalto sugere que o processo pode ser mais demorado do que havia sido previsto anteriormente pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Na semana passada, ele indicou que a reforma ministerial poderia ser realizada até 21 de janeiro, data que coincide com uma reunião ministerial marcada para o dia 20.
Rui afirmou: “O presidente está focando em aperfeiçoar a gestão. Portanto, há indicativo de que as mudanças poderão ocorrer ainda neste mês, permitindo que aqueles que forem nomeados tenham mais tempo para implementar as alterações desejadas pelo presidente”.
Recentemente, uma mudança significativa foi oficializada com a posse do marqueteiro Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação Social (Secom), sucedendo Paulo Pimenta (PT).
Desde o ano passado, há expectativas em torno de novas trocas na Esplanada, visando incluir mais partidos da base aliada e, assim, fortalecer o apoio ao governo no Congresso. Essa estratégia também é vista como um passo para consolidar uma aliança para a candidatura governista nas eleições presidenciais de 2026.
A análise dos resultados das eleições municipais impulsionou aliados de Lula a apostar na ampliação da participação do PSD na Câmara dos Deputados. O presidente deve se reunir com Gilberto Kassab, líder do partido, na próxima semana.
Além disso, há expectativa em torno da acomodação dos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respectivamente. Ambos deixarão seus cargos em 1º de fevereiro e poderão ser atendidos com indicações para posições relevantes no governo. Pacheco já expressou interesse na mudança na presidência do Banco do Brasil.
Essas negociações terão impacto direto sobre o futuro do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). O senador Pacheco alertou Lula que a permanência de Silveira não atende mais às necessidades do partido. Caso seja substituído por Pacheco, será necessário realocar Silveira em outra pasta se Lula desejar mantê-lo em seu governo. Silveira cultivou uma relação próxima tanto com Lula quanto com a primeira-dama Rosângela da Silva.
Ainda segundo aliados do presidente, Gleisi Hoffmann (PR), atual presidente do PT, pode ser indicada para um ministério durante a reforma. A Secretaria-Geral da Presidência é uma das opções cogitadas para substituir Márcio Macedo (PT), assim como os ministérios do Desenvolvimento Social e das Mulheres.
Alexandre Padilha também figura entre os nomes cotados para mudanças na administração. Ele poderia retornar ao Ministério da Saúde ou assumir a Defesa, cargo atualmente ocupado por José Múcio Monteiro, que já manifestou intenção de deixar o posto até o fim do governo e sugeriu alguns nomes ao presidente para sua sucessão.
Embora aliados assegurem que a reforma não será ampla, ela pode envolver o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Nesse caso, as discussões aconteceriam diretamente entre ele e Lula.
Na quinta-feira passada, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), se encontrou com Padilha para discutir a participação do partido no governo. Antes disso, ele já havia conversado com Lula sobre o assunto.
Embora haja expectativa de concluir as negociações antes das eleições para as direções da Câmara e do Senado, esse cronograma pode ser comprometido, como ocorreu nas articulações anteriores envolvendo o centrão.
Desde o início de seu mandato, Lula já demitiu seis ministros — incluindo a recente mudança na Secom — sendo três deles no primeiro ano em função de acordos com o centrão: Esportes, Turismo e Portos e Aeroportos.