Lula propõe fundo de transição com lucro do petróleo

Lula cria Fundo de Transição Energética com lucros da exploração de petróleo; recursos irão para o clima e a justiça social

Crédito: Ricardo Stuckert / PR

Na sexta-feira (7), o cenário climático global ganhou um novo e significativo protagonista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a intenção do Brasil de estabelecer um fundo estratégico cujo objetivo principal é financiar a transição energética. A proposta é notável, pois prevê a utilização de recursos provenientes da própria exploração de combustíveis fósseis, como o petróleo, para esta finalidade. O anúncio foi feito durante a Cúpula do Clima realizada em Belém, evento que precede oficialmente a COP30.

Em um discurso voltado para uma ampla audiência, composta por autoridades de mais de cem países, o presidente Lula destacou a relevância de uma ação coordenada. Ele defendeu que os países em desenvolvimento redirecionem parte dos lucros oriundos da exploração petrolífera para apoiar o processo global de transição energética.

“O Brasil se comprometerá a criar um fundo dessa natureza para enfrentar as mudanças climáticas e promover justiça climática“, afirmou o chefe do Executivo.

Embora Lula não tenha abordado diretamente o interesse da Petrobras em realizar extrações na Foz do Amazonas em seu pronunciamento, a proposta sinaliza uma perspectiva clara: a necessidade de mecanismos de financiamento que liguem o uso de recursos fósseis à urgência climática.

Críticas a US$ 869 bilhões e o ritmo da transição energética

Ricardo Stuckert / PR

O chefe do Executivo brasileiro reiterou sua defesa por um processo de redução do uso de combustíveis fósseis que seja justo e ordenado. Ele defendeu a perspectiva de que a descarbonização em países em desenvolvimento deve seguir um ritmo diferente daquele adotado por nações desenvolvidas.

Durante o pronunciamento, o presidente direcionou críticas ao financiamento maciço que grandes instituições oferecem à indústria de combustíveis fósseis. Ele ressaltou que os 65 maiores bancos globais se comprometeram no ano passado a disponibilizar a expressiva quantia de US$ 869 bilhões ao setor de petróleo e gás. Tais números contrastam com a lentidão na mudança da matriz energética mundial.

Lula declarou que, “Desde a adoção do Acordo de Paris, a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial reduziu-se apenas de 83% para 80%. Ele enfatizou, categoricamente, que o modelo de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis, que prevaleceu por mais de dois séculos, já não é mais viável para o planeta.

Outra crítica central foi direcionada aos altos investimentos realizados por países desenvolvidos na área militar. O presidente considerou um “caminho perigoso rumo ao colapso ambiental” o fato de essas nações gastarem duas vezes mais com armamentos do que com ações climáticas.

A força dos biocombustíveis na transição energética

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O presidente Lula fez um apelo veemente para que os países aderissem ao Compromisso de Belém. Esta iniciativa visa ambiciosamente quadruplicar a utilização de combustíveis sustentáveis até 2035. Conforme destacado pela Folha, este compromisso tem o apoio do governo brasileiro, da indústria automotiva e do agronegócio nacional, buscando incrementar a demanda global por biocombustíveis produzidos no Brasil.

Neste contexto de busca por uma transição energética eficiente, Lula defendeu a ampliação do uso do etanol nos setores industrial e de transporte. O Brasil se destaca neste cenário:

  • É pioneiro no desenvolvimento de motores flexíveis.
  • Ocupa a posição de segundo maior produtor mundial de biocombustíveis.
  • Nossa gasolina já contém 30% de etanol.
  • Nosso diesel apresenta 15% de biodiesel.

Ele descreveu o etanol como uma “solução imediata e eficaz para os setores mais desafiadores da economia”, reforçando seu papel crucial na transição energética nacional.

Obstáculos geopolíticos e minerais críticos

O discurso do presidente também abordou as pressões internacionais que dificultam a descarbonização. Indiretamente, Lula criticou a ação do governo dos Estados Unidos para postergar em um ano a implementação da precificação da descarbonização, tema debatido pela Organização Marítima Internacional (OMI). “É lamentável que pressões tenham levado a organização a adiar essa decisão”, manifestou.

A postergação dessa medida, decidida pelos membros da organização em outubro passado, sob a influência da administração Trump, foi percebida pelo governo brasileiro como uma oportunidade perdida para aumentar a demanda por biocombustíveis nas negociações sobre o abastecimento de navios cargueiros com etanol.

Para garantir que a transição energética seja inclusiva e gere desenvolvimento, Lula enfatizou a importância da participação dos países em desenvolvimento em toda a cadeia produtiva dos minerais críticos. Esses minerais são necessários para as tecnologias essenciais, como turbinas eólicas e painéis solares. A participação dessas nações, que possuem as matérias-primas, é fundamental para gerar empregos e renda localmente.

Para concluir sua fala, o presidente defendeu a execução do acordo firmado em Dubai, cujo objetivo é triplicar a produção de energia renovável e dobrar a eficiência energética até 2030. A erradicação da pobreza energética, ressaltou, deve ser um tema central e inegociável nas discussões sobre o clima, coroando os esforços pela transição energética.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 07/11/2025
  • Fonte: FERVER