Focado no Brasil, Lula evita polêmica sobre prisão de Bolsonaro

Lula celebra novas nomeações e defende foco no futuro do Brasil durante reunião do Conselhão.

Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Nesta terça-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por não comentar a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que teve sua prisão domiciliar decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (4). Lula preferiu concentrar-se em questões relacionadas ao país durante a apresentação dos trabalhos do Conselhão, o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.

“Hoje é um dia para compartilhar boas notícias. Estou aqui com a intenção de evitar falar muito sobre taxação, mas sinto que preciso abordar o tema, pois caso contrário, surgirão especulações sobre minha postura em relação ao Trump. Além disso, não pretendo discutir o ocorrido com aquele que tentou dar um golpe… Meu foco é no Brasil”, afirmou Lula.

A decisão de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro foi proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, devido ao descumprimento das medidas restritivas anteriormente impostas. O ex-presidente estava sujeito a restrições que incluíam a utilização de tornozeleira eletrônica e a proibição de acessar redes sociais.

A nova ordem de Moraes impõe restrições adicionais, incluindo a proibição de visitas a Bolsonaro, exceto por advogados e pessoas autorizadas. O uso de celulares também foi vetado, e o descumprimento das condições poderá resultar em prisão preventiva, conforme alertou o ministro.

A decisão judicial foi influenciada por ações recentes de familiares e apoiadores de Bolsonaro. Uma postagem feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e uma ligação com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), bem como sua participação em manifestações favoráveis, foram citadas como fatores que justificaram as novas restrições.

A defesa do ex-presidente refutou as alegações de descumprimento e anunciou sua intenção de recorrer da decisão judicial.

Em meio a esse cenário, membros do governo expressaram preocupações sobre como a situação poderia afetar as relações com os Estados Unidos, especialmente em relação às sanções econômicas anunciadas pelo presidente americano Donald Trump contra o Brasil.

No evento do Conselhão, novos conselheiros tomaram posse para mandatos de dois anos. Entre os novos integrantes estão a atriz Dira Paes, o ex-jogador Raí, a ativista Txai Suruí, a historiadora Heloísa Starling e a empresária Monique Evelle.

Durante a tarde, autoridades participarão de painéis voltados ao desenvolvimento econômico e social do Brasil. A primeira-dama Janja também liderará uma mesa sobre a COP30 junto com ministros das áreas ambiental e indígena.

O Conselhão, vinculado à Secretaria de Relações Institucionais (SRI), foi ativo entre 2003 e 2018 antes de ser extinto durante o governo Bolsonaro. Durante sua atuação anterior, o grupo contribuiu para iniciativas como Acredita Exportação, Mercado de Carbono e Política Nacional da Primeira Infância.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 05/08/2025
  • Fonte: Fever