Lula e Pepe Mujica ovacionados no Seminário sobre participação cidadã
Evento realizado nos dias 28 e 29, no Centro de Formação dos Profissionais da Educação (Cenforpe), analisou as perspectivas da participação pública na gestão das cidades.
- Publicado: 06/11/2025
- Alterado: 30/08/2015
- Autor: Redação
- Fonte: Live Nation
O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, deu início nesta sexta-feira (28) ao Seminário Internacional Participação Cidadã, Gestão Democrática e as Cidades no Século XXI. Durante a abertura, o prefeito Luiz Marinho disse que é uma alegria a realização de um evento que trata de temas relevantes para a população da cidade.
“A história de consolidação de nosso município é um exemplo de sucessivos esforços para o futuro. Fazer um plano agregador é sempre um grande desafio e nisso desenvolvemos o projeto São Bernardo do Campo 2021, com propostas e caminhos de convergência que surgiram desde 2009. A cidade das pessoas é o resultado do desenvolvimento do mundo das ideias, e a cidade das pessoas deverá firmar suas ideias e trabalhar seus instrumentos e desenvolver as condições para acontecer. E este é nosso desafio”, afirmou.
A primeira mesa, com o tema Participação Cidadã, Cidades e Insurgências Urbanas, foi mediada pelo secretário de Serviços Urbanos, Tarcísio Secoli, e contou com os convidados Gilberto Carvalho (presidente do Conselho Nacional do Sesi), o governador de Santa Fé (Argentina), Antonio Bonfatti, Joroen Klink (Universidade Federal do ABC); Sergio Lirio (Revista Carta Capital); e do convidado da sociedade Jerônimo de Almeida Neto (Agência de Desenvolvimento Econômico do ABC).
Tarcísio Secoli ressaltou que nos dias de hoje os movimentos sociais desempenham um papel importante de participação e que os governantes precisam achar mecanismos para que a população manifeste e contribua com as propostas que tragam melhorias para o bem-estar de todos. “Esse nosso seminário tem como inovação trazer pessoas da sociedade civil para tratar dos temas apresentados. A inovação está em abrir as portas a esse tipo de contribuição, o que é uma marca importante de nosso governo”.
Jerônimo de Almeida Neto apresentou um artigo sobre o desafio de melhoria da cidade. “Isso significa passar de uma condição para outra melhor. Entretanto, isso representa uma série de possibilidades, pois cada pessoa tem suas necessidades. O grande desafio são as administrações abrirem espaço para a população contribuir e apresentar suas revindicações e a promoção da participação popular é a forma de se construir uma cidade acolhedora”, comentou.
Gilberto Carvalho relembrou que no mesmo dia, em 1983, foi fundada a Central Única dos Trabalhadores (CUT). “Esse seminário em um momento de crise tão aguda em nosso País é sinal de coragem de parar e de abrir espaço para reflexão e tentar produzir novas alternativas.”
Na sequência das atividades, na mesa 2, foi abordado o tema Desafios e Perspectivas da Participação do Século XXI. Na mesma linha de raciocínios, os participantes apontaram para uma reflexão sobre a importância de se aprimorar a forma de participação representativa da sociedade no âmbito dos governos municipal, estadual e federal. “Não é possível ter uma democracia representativa se não houver um espaço, cada vez maior, para que a população seja ouvida em seus anseios”, apontou Yves Cabannes, da University College London.
Também participaram da mesa, que teve como moderador Jeoen Klink, Ângela Alves da Silva Rocha, representando a sociedade civil, Jairo Jorge da Silva, prefeito de Canoas e membro da Rede Brasileira de Orçamento Participativo, Giovanni Allegretti, da Universidade de Coimbra, e Evelina Dagnino, da Universidade de Campinas.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, fechou a programação com a palestra Sociedades Dissidentes, Futuro e Construções Coletivas. Ao fazer um breve raciocínio do momento vivido pelo País, Haddad lembrou o período em que foi ministro da Educação para apontar as dificuldades de se conseguir o consenso em um país “tão complexo” como o Brasil. “Quando começamos a discutir o Plano Nacional de Educação, houve muitas dificuldades e resistências, mas construímos o diálogo e depois o plano foi aprovado sem grandes problemas. Nos municípios não é diferente, daí a importância do diálogo, de ouvir os anseios da população”, comentou.
LUIZ MARINHO, LULA E MUJICA FECHAM SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE PARTICIPAÇÃO CIDADÃ
O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e José Alberto Mujica Cordano encerraram, no dia 29, no Centro de Formação dos Profissionais da Educação (Cenforpe), o Seminário Internacional Participação Cidadã, Gestão Democrática e as Cidades no Século XXI. O evento contou também com as presenças do ministro da Saúde, Arthur Chioro, mediador de uma das mesas, secretários municipais, como Nilza de Oliveira (Orçamento e Planejamento Participativo) e Tarcisio Secoli (Serviços Urbanos), entre outros, prefeitos e deputados estaduais e federais.
A mesa redonda com os dois ex-presidentes, mediada por Luiz Marinho, teve como tema “A importância da participação cidadã na América Latina”. O prefeito de São Bernardo, que também abriu o primeiro dia do evento, salientou que os debates ajudam na reflexão da construção da cidade. “Esse processo deve ser partilhado entre governo e sociedade, sempre na busca de um consenso ao ouvir as vozes dissonantes”, disse.
Em sua apresentação, Mujica, hoje senador do Uruguai, ressaltou que em uma sociedade democrática os indivíduos devem estar inseridos em partidos políticos. “As pessoas se unem em um partido por conta de um sonho, uma utopia e ninguém deve ser maior que isso. Não há homens imprescindíveis, mas sim causas imprescindíveis”, comentou.
Na sequência, quem falou foi o ex-presidente Lula, que lembrou que o modelo de gestão implementado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com o Orçamento Participativo (OP), revolucionou a forma de administração pública no País. “Antes, o morador não sabia quais eram as propostas para seu bairro. Com o OP, nos convidamos essas pessoas a dizer quais são as suas necessidades e nos ajudar a elencar as mais importantes”, destacou.
Sempre muito aplaudido pelo público, Lula também afirmou que um dos aspectos mais importantes da participação cidadã nas políticas públicas é o governante saber ouvir a população. “Não há uma participação completa sem isso. Agreguei muito conhecimento ouvindo movimentos sociais e sindicais ao longo dos meus mandatos.”
PROTAGONISTAS – A primeira mesa redonda do dia, mediada pelo ministro Arthur Chioro, teve como tema “Projeto Protagonistas da Participação. Emergência de saberes, ações anticíclicas e novas propostas”. Participaram das discussões a secretária Nilza de Oliveira, o coordenador do Projeto Protagonistas da Participação de São Bernardo, Victor Huerta Arroyo, e pessoas que deram depoimentos para o livro Protagonismo e Participação em São Bernardo do Campo.
A publicação, lançada e entregue gratuitamente aos visitantes no fim do seminário, é resultado de políticas de participação cidadã desenvolvidas pela Prefeitura e de depoimentos de “protagonistas” desse processo conjunto.
Chioro destacou que, atualmente, muitos outros governos têm se tornado sensíveis a ouvir a população e, por isso, estão criando mecanismos de participação. “Não basta apenas criar esses espaços, mas também ouvir as necessidades e anseios dessa população. Conforme essas necessidades forem sendo atendidas, novas irão surgir e os governantes devem ser capazes de promover o diálogo”, disse.
Segundo Nilza de Oliveira, é necessário que os munícipes, em conjunto com governantes, ajudem a pensar a cidade em longo prazo e não somente no período de mandato. “Com os espaços de participação mostramos que é possível o diálogo em busca de uma cidade melhor”, destacou.
Além de apresentações culturais com artistas do município, o seminário contou no primeiro dia com as palestras do presidente do Conselho Nacional do Sesi, Gilberto Carvalho; do governador de Santa Fé (Argentina), Antonio Bonfatti; além dos professores Yves Cabannnes (Univesity College London); Giovanni Alegretti (Universidade de Coimbra); Jeroen Klink (Universidade Federal do ABC); Evelina Dagnino (Unicamp) e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.