Lula defende paz e critica extremismo na Cúpula CELAC-UE

Em discurso, presidente cobra avanço no Acordo MERCOSUL-UE e alerta para riscos à democracia.

Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou neste domingo (9), durante a IV Cúpula CELAC-UE (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e União Europeia) na Colômbia, posicionando os dois blocos como essenciais para uma ordem mundial focada na paz e no multilateralismo.

No evento, o presidente defendeu a urgência na retomada da integração regional, que, segundo ele, enfrenta uma crise significativa. “Voltamos a ser uma região balcanizada e dividida, mais voltada para fora do que para si própria”, avaliou Lula, exigindo progressos claros na agenda econômica, com foco especial no Acordo MERCOSUL-União Europeia.

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Ameaças à Democracia e Integração

Lula apresentou um diagnóstico preocupante sobre o cenário atual na América Latina e Caribe, mencionando o retorno de velhas ameaças. Ele alertou que a guerra na Europa está consumindo recursos vitais que deveriam ser direcionados ao desenvolvimento.

O presidente foi enfático ao afirmar que projetos de poder pessoais e disputas ideológicas estão minando a cooperação e a própria democracia, resultando em cúpulas vazias e iniciativas paralisadas.

“A intolerância ganha força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa. Voltamos a conviver com as ameaças do extremismo político, da manipulação da informação e do crime organizado”, enfatizou.

Lula reiterou a vocação pacífica da região, mas alertou para os métodos de combate ao crime:

“Somos uma região de paz e queremos permanecer assim. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional. A democracia também sucumbe quando o crime corrompe as instituições, esvazia os espaços públicos, destrói famílias e desestrutura negócios”, sentenciou.

Segurança e Cooperação Transnacional

Na Cúpula CELAC-UE, Lula destacou que a segurança é um dever do Estado e um direito humano, mas que o combate ao crime não pode atropelar o direito internacional.

Ele defendeu que nenhum país consegue enfrentar isoladamente o crime transnacional. “Não existe solução mágica para acabar com a criminalidade. É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando seu financiamento e rastreando e eliminando o tráfico de armas”, disse.

Como exemplos de sucesso, citou o Comando Tripartite da Tríplice Fronteira (com Argentina e Paraguai) e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.

Ações coordenadas, intercâmbio de informações e operações conjuntas são essenciais. Essas são plataformas permanentes de cooperação para combater crimes financeiros e o tráfico de drogas, de armas e de pessoas”, registrou.

Agenda Econômica e Climática

O presidente apontou o Acordo MERCOSUL-União Europeia como a principal prova de que o multilateralismo comercial pode ser fortalecido. Ele expressou esperança de que, na próxima cúpula do MERCOSUL, os blocos possam “finalmente dizer sim” ao acordo, que impactará um mercado de 718 milhões de pessoas.

Lula vê o instrumento como essencial para que a América Latina e o Caribe superem seu papel histórico de meros fornecedores de matéria-prima.

A agenda climática também foi pilar na Cúpula CELAC-UE. Lula citou a COP30, na Amazônia, como uma oportunidade de liderar a transição energética. “O Fundo de Florestas Tropicais para Sempre [TFFF] é uma solução inovadora para que nossas florestas valham mais em pé do que derrubadas”, mencionou, destacando a região como “fonte segura e confiável de energia limpa”.

Proposta Histórica para a ONU

Ao final de sua participação na Cúpula CELAC-UE, Lula fez uma proposta histórica, focada na igualdade de gênero.

“É chegada a hora de ter uma latino-americana no cargo de Secretária-Geral da ONU”.

Ele lembrou que as mulheres, mais da metade da população mundial, nunca ocuparam o posto máximo das Nações Unidas. O objetivo da Cúpula CELAC-UE, segundo ele, é enviar um sinal de compromisso com uma agenda de paz, cooperação e crescimento sustentável.

O encontro na Colômbia, que reúne 33 países da região, busca consolidar a “Declaração de Santa Marta” e um “Mapa do Caminho 2025-2027” para ações concretas. O Brasil retornou plenamente à CELAC em 2023, reforçando a integração regional como prioridade.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 09/11/2025
  • Fonte: Fever