Lula defende exploração responsável da Amazônia
Governo lança Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais, em Manaus
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 09/09/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Na última terça-feira, 9 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou a questão da Amazônia de forma incisiva, afirmando que seu governo não considera a floresta como um “santuário intocável da humanidade”. Durante a cerimônia de lançamento do Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais, realizada em Manaus, capital do Amazonas, Lula destacou a necessidade de explorar a floresta de maneira “correta e responsável”.
O presidente enfatizou que a Amazônia deve ser utilizada com responsabilidade, dizendo: “Nós não somos daqueles que acham que a floresta amazônica é um santuário da humanidade, que não pode mexer em uma folha. Não. Nós achamos que ela tem que ser explorada de forma correta, responsável, tirando aquilo que a gente pode tirar, repondo aquilo que a gente tem que repor, mas garantindo que a floresta continue sendo essa coisa importante na sobrevivência do nosso querido planeta Terra”.
Essa não é uma posição inédita para Lula; ele já se manifestou favoravelmente à busca por combustíveis fósseis na Foz do Amazonas, situada no extremo norte do Brasil. Recentemente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) liberou um parecer que aprova o plano técnico de resgate da fauna apresentado pela Petrobras em caso de derramamento de óleo na região, sinalizando um passo adiante para a exploração petrolífera local.
Em contrapartida, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, conhecida por sua postura firme contra os combustíveis fósseis, tem trabalhado isoladamente para garantir que o Ibama possa tomar decisões técnicas sobre a exploração na Foz do Amazonas sem sofrer pressões políticas. Marina acompanhou Lula durante o evento em Manaus, refletindo as tensões internas sobre as diretrizes ambientais do governo.
Iniciativas Contra o Desmatamento e Queimadas
No evento, foram firmados acordos entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) para implementar medidas voltadas à redução do desmatamento e das queimadas. Além disso, um acordo foi assinado entre o BNDES e o Memorial Chico Mendes para o projeto Sanear Amazônia, cujo objetivo é garantir acesso à água potável e promover a produção de alimentos nas comunidades rurais da região.
Números sobre Desmatamento
Desde sua posse no Palácio do Planalto, Lula se comprometeu a ampliar as iniciativas voltadas ao meio ambiente, focando no combate ao desmatamento e incêndios florestais que afetam várias regiões durante os períodos secos. Segundo dados recentes do 6º Relatório Anual de Desmatamento (RAD), publicado pelo MapBiomas em maio deste ano, houve uma redução de 32,4% na área desmatada em 2024 em comparação ao ano anterior. Este é o segundo ano consecutivo com diminuição nos índices de desmatamento.
No total, entre janeiro e dezembro de 2024, foram desmatados 1.242.079 hectares no Brasil, com 83% dessa área concentrada no Cerrado e na Amazônia. Em relação às queimadas, dados obtidos entre janeiro e setembro deste ano indicam uma queda significativa de 65% nos focos de calor registrados, conforme informações do Monitoramento dos Focos Ativos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).