Lula defende Belém para COP30 e promete evento histórico

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva explica a jornalistas estrangeiros os ganhos estratégicos de levar a COP30 para a capital paraense

Crédito: Ricardo Stuckert/Secom-PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, em conversa com jornalistas estrangeiros nesta terça-feira (4), sua convicção na escolha de Belém, capital do Pará, como sede da COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Segundo o presidente, a decisão de realizar o evento na Amazônia, em 2025, foi um ato consciente de aceitar um “desafio” em nome de um ganho estratégico maior: mostrar a realidade da floresta para o mundo.

“Quando decidimos trazer a COP30 para o estado do Pará, para a cidade de Belém e para a Amazônia, a primeira coisa que nós fizemos foi assumir um desafio contra pessoas que acreditavam que a gente não poderia fazer uma COP na Amazônia. A gente já sabia das condições do estado, sabia das condições da cidade”, explicou Lula, enfatizando que a meta não era buscar a comodidade, mas sim expor os desafios locais e convidar o mundo a conhecer a Amazônia de perto.

Otimismo baseado em entregas e protagonismo brasileiro na COP30

A confiança do presidente no êxito da COP30 em Belém é resultado de uma intensa agenda de compromissos e visitas na região. Nos últimos dias, Lula inspecionou obras e se encontrou com a população local, buscando entender e aprimorar a estrutura para o evento global. Entre as agendas, destacam-se a entrega das obras de requalificação do Porto de Outeiro, a ampliação e modernização do Aeroporto Internacional de Belém, e visitas a comunidades tradicionais.

O contato direto com os moradores da Aldeia Vista Alegre do Capixauã (Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns), da Comunidade Jamaraquá (Floresta Nacional do Tapajós) e da Comunidade Quilombola Itacoã-Miri (Acará-PA) reforçou a visão de que o evento deve ser uma vitrine da realidade amazônica.

Após essa imersão, o presidente não hesitou em projetar: “Tenho certeza de que nós vamos fazer a melhor COP de todas as COPS já realizadas até hoje. Nós já fizemos o melhor G20, já fizemos o melhor BRICS, e vamos fazer a melhor COP de todas”.

Os quatro pilares do sucesso da COP30 em Belém

O otimismo do líder brasileiro se apoia em quatro pontos principais, que prometem transformar Belém no palco ideal para a discussão climática global:

  1. Localização e Estrutura: “Primeiro, porque o local está maravilhoso, está preparado para receber quem quiser vir aqui.” A infraestrutura, embora desafiadora, está sendo trabalhada para garantir um sistema de segurança eficiente e instalações adequadas.
  2. O Povo de Belém: O fator humano foi destacado como um grande trunfo. O presidente descreveu o povo local como “extraordinariamente alegre”, assegurando que os convidados estrangeiros “vão se sentir em casa aqui”.
  3. Culinária Invejável: A gastronomia amazônica é vista como um diferencial. “Nós temos uma culinária invejável,” disse Lula, apostando que a diversidade da culinária será um motivo de orgulho para os visitantes.
  4. Ator Decisivo e Credibilidade: O Brasil chega à COP30 como um anfitrião respeitado e com conquistas concretas para mostrar. “O Brasil é uma espécie de país campeão do diálogo das COPs,” afirmou.

🌳 Queda no desmatamento e liderança em transição energética

O Brasil, como sede da COP30, tem apresentado dados significativos sobre o combate à crise climática. O presidente destacou que o desmatamento já caiu 50% na Amazônia em relação a 2022, com uma queda de 45% em “outro bioma”. Essa tradição de participação social e os resultados recentes no controle do desmatamento reforçam a posição do país como um ator sério nas negociações.

Além da Amazônia, Lula lembrou que a conferência permitirá ao país apresentar a riqueza de seus outros cinco biomas essenciais: o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pantanal e o Pampa, todos igualmente cruciais para a preservação ambiental global.

O país também se consolida como líder na transição energética. Lula ressaltou a matriz elétrica brasileira, que possui 87% de energia elétrica renovável, um sucesso que poucos países alcançaram. Essa liderança é complementada pelo potencial em outras fontes limpas:

  • Produção de biocombustíveis e etanol.
  • Avanço no hidrogênio verde.
  • Grande produção de energias eólica e solar.

🛢️ Exploração de petróleo e o discurso da responsabilidade

Questionado sobre as críticas relacionadas à possível exploração de petróleo na Margem Equatorial (região amazônica), o presidente defendeu a abordagem de seu governo, baseada na responsabilidade. Ele destacou que a exploração, se autorizada, será conduzida “da forma mais cuidadosa que alguém pode fazer”, sublinhando que a Petrobras possui apenas a autorização para fazer o teste inicial.

Lula reforçou que o Brasil, assim como o restante do mundo, não pode abrir mão do petróleo neste momento, sob pena de irresponsabilidade e colapso: “Eu seria incoerente se, num ato de irresponsabilidade, dissesse: ‘nós não vamos utilizar mais petróleo’… Não sobreviveríamos sem isso. E nenhum outro no mundo consegue sobreviver sem isso”.

Com a combinação de uma agenda ambiental ambiciosa, resultados na redução do desmatamento e uma matriz energética limpa, o Brasil se prepara para hospedar um evento que, nas palavras de seu presidente, será a melhor COP já realizada. O palco da COP30 está montado: a Amazônia está pronta para mostrar seus desafios e suas soluções ao mundo.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 04/11/2025
  • Fonte: Michel Teló