Lula oficializa cultura gospel e reforça base no centrão
Em último ato público de 2025, o presidente Lula busca reduzir resistência do eleitorado evangélico
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 24/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O presidente Lula encerrou sua agenda pública de 2025 com um movimento estratégico voltado para dois pilares decisivos de sua governabilidade e dos planos de reeleição: o segmento religioso e o chamado “centrão”. Em solenidade realizada no Palácio do Planalto nesta terça-feira (23), o petista assinou o decreto que reconhece oficialmente a cultura gospel como manifestação nacional, um aceno direto aos evangélicos, estrato social onde o governo ainda enfrenta desafios de aprovação.
Horas antes do evento religioso, o presidente Lula empossou o novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. A mudança no primeiro escalão visa pacificar uma ala do União Brasil e fortalecer os laços com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O gesto sinaliza que, para o governo, a estabilidade política e o diálogo com o Legislativo são prioridades absolutas para o ano eleitoral que se aproxima.
O reconhecimento de Lula sobre a fé como cultura nacional
Durante a cerimônia de assinatura do decreto, que contou com apresentações musicais e a presença de lideranças cristãs, Lula enfatizou que o Estado brasileiro, embora laico, não deve ser indiferente à religiosidade de seu povo. “A Constituição garante que o Estado é laico. Mas isso não significa um Estado indiferente à fé. Significa um Estado que respeita todas as crenças e entende a espiritualidade como parte da formação cultural do nosso Brasil”, afirmou o presidente.
O reconhecimento da cultura gospel foi uma sugestão da senadora Eliziane Gama (PSD-MA). Em tom descontraído, o presidente Lula admitiu que precisava desse “lembrete” político. “Se dependesse de mim, possivelmente não saísse esse decreto, se não tivesse alguém que falasse: ‘presidente, se manca aí, vamos fazer’. Já fiz tanto, por que não podia fazer esse?”, relatou o mandatário, reforçando sua trajetória pessoal de ascensão e gratidão.
Estratégia de reaproximação e o papel do centrão
A estratégia montada pelo Palácio do Planalto visa dois objetivos claros:
- Reduzir a rejeição: Pesquisas indicam que o eleitorado evangélico possui uma resistência ao governo superior à média nacional.
- Neutralidade política: Com o centrão, Lula busca apoio imediato para projetos legislativos e tenta garantir que partidos de centro-direita permaneçam neutros em 2026, caso não integrem formalmente sua base aliada.
A presença de figuras como Marina Silva, Jorge Messias e a senadora Eliziane Gama — todos evangélicos — reforça a tentativa de criar pontes orgânicas com a comunidade. Para os analistas políticos, o gesto de Lula é uma tentativa de desmistificar barreiras ideológicas e focar na identidade cultural e social do movimento gospel, que cresce aceleradamente no país.
Mudanças no Ministério do Turismo e articulação com a Câmara
A posse de Gustavo Feliciano no Ministério do Turismo é o ponto culminante de uma reorganização da base aliada. Feliciano substitui Celso Sabino em uma manobra para contemplar o União Brasil e prestigiar a bancada da Paraíba. O novo ministro é aliado próximo de Hugo Motta, reforçando o clima de “paz armada” ou reaproximação entre os chefes do Executivo e do Legislativo.
Hugo Motta elogiou a postura do presidente, afirmando que a nomeação demonstra “capacidade política e de agregação”. Com este redesenho, o presidente Lula espera entrar em 2026 com uma coalizão mais robusta, garantindo que o governo tenha fôlego para aprovar pautas prioritárias e enfrentar uma disputa eleitoral que promete ser polarizada. Ao fechar o ano com esses atos, o governo envia um recado de pragmatismo e abertura ao diálogo com setores antes distantes.