Lula defende diálogo com o Congresso em meio à tensão provocada por aumento do IOF
Presidente afirma que decisões precisam ser construídas em conjunto com o Legislativo para evitar desgastes
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 01/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Em meio à repercussão negativa do recente aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu neste domingo (1º) a necessidade de maior articulação com o Congresso Nacional para facilitar a aprovação de pautas de interesse do governo.
A declaração foi feita durante um evento nacional do PSB, realizado em Brasília, com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Críticas à forma de condução de medidas
Durante o discurso, Lula destacou que o Executivo precisa repensar sua forma de atuação quando o objetivo for construir consensos partidários. Para ele, decisões importantes não devem ser tomadas de forma unilateral.
“O certo é chamar as lideranças políticas para construir a decisão em conjunto. Isso ajuda a evitar ruídos quando a proposta chega ao Congresso”, afirmou o presidente, mencionando sua relação com Motta e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como exemplo de articulação institucional.
Pressão por revisão do IOF sobre risco sacado
A medida que elevou o IOF sobre operações conhecidas como “risco sacado” gerou reação imediata no Legislativo. Essas operações são utilizadas por empresas para antecipar valores a receber, com os bancos assumindo o pagamento ao fornecedor enquanto a empresa compradora fica responsável por quitar a dívida no prazo acordado.
Parlamentares, liderados por Hugo Motta, pretendem solicitar a suspensão da nova cobrança até que o governo proponha uma alternativa ao decreto.
O Legislativo sinalizou que dará um prazo de dez dias para essa negociação, evitando, por ora, colocar em votação um projeto que visa revogar o aumento do imposto.
Governo busca convencimento, não imposição
Lula reforçou que cabe ao governo justificar a relevância de suas propostas e que não há obrigação por parte do Congresso em aprovar medidas com as quais não concorde.
“Nosso papel é dialogar e convencer. A base parlamentar deve entender por que determinadas iniciativas são importantes para o país”, declarou o presidente.
O episódio evidencia os desafios de articulação do Planalto com o Parlamento e aponta para uma necessidade crescente de diálogo institucional para evitar desgastes e preservar a governabilidade.