Lula cobra vontade política por acordo Mercosul–UE

Presidente afirma que entraves políticos na Europa adiaram a assinatura do tratado e diz esperar avanço em janeiro

Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula afirmou neste sábado, 20 de dezembro, que a falta de vontade política ainda impede a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, negociação que se arrasta há mais de 25 anos. O discurso foi feito durante a abertura da 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Segundo Lula, havia expectativa de formalização do tratado durante a cúpula, mas líderes europeus solicitaram mais tempo para debater pontos ligados à proteção agrícola. O presidente brasileiro revelou ter recebido correspondência da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, indicando a possibilidade de aprovação do acordo em janeiro.

“É fundamental que haja vontade política e coragem para concluir essa negociação tão longa”, declarou Lula, ressaltando que o Mercosul seguirá ampliando parcerias comerciais enquanto o acordo não for fechado.

Lula aponta entraves políticos na Europa

Ricardo Stuckert / PR

Durante o pronunciamento, Lula detalhou os principais obstáculos enfrentados nas tratativas com a União Europeia. Ele citou a resistência histórica da França ao acordo e mencionou preocupações recentes levantadas pela primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, relacionadas à distribuição de recursos agrícolas no bloco europeu.

De acordo com Lula, Meloni sinalizou disposição para assinar o acordo no início de janeiro. “Se a Itália estiver pronta e apenas a França se mantiver como entrave, é improvável que consiga bloquear sozinha a aprovação”, afirmou o presidente, demonstrando otimismo quanto a um desfecho positivo nas próximas semanas.

Lula encerra presidência brasileira do Mercosul

Acordo Mercosul-União Europeia
Ricardo Stuckert / PR

A cúpula também marcou o encerramento da Presidência Pro Tempore brasileira do Mercosul, exercida ao longo do segundo semestre de 2025, e o início da gestão do Paraguai à frente do bloco. Em balanço do período, Lula destacou avanços institucionais e políticos obtidos durante a liderança do Brasil.

Entre os principais resultados está a aprovação da Estratégia do Mercosul de Combate ao Crime Organizado Transnacional (EMCCOT) e a criação da Comissão Mercosul contra o Crime Organizado Transnacional (CMCOT).

Lula defende combate regional ao crime organizado

Ao abordar o tema da segurança pública, Lula alertou para os riscos do enfraquecimento institucional na região. “Enfraquecer as instituições abre espaço para o crime organizado. A segurança pública é um direito dos cidadãos e um dever do Estado”, afirmou.

A EMCCOT estabelece um plano integrado para enfrentamento de crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, crimes ambientais e tráfico de pessoas. Já a CMCOT será responsável por coordenar a implementação da estratégia, reunindo autoridades dos Estados Partes e um comitê técnico intergovernamental.

Lula propõe pacto regional contra feminicídio

Violência contra mulher - Femimicídio
Arquivo/Agência Brasil

Lula também chamou atenção para os altos índices de violência contra mulheres na América Latina. O presidente propôs que o Paraguai, ao assumir a presidência do Mercosul, lidere a construção de um pacto regional para combater o feminicídio e a violência de gênero.

“Precisamos trabalhar juntos para acabar com essa tragédia que atinge milhares de mulheres na nossa região”, declarou Lula.

Lula alerta para tensões entre EUA e Venezuela

No campo geopolítico, Lula manifestou preocupação com o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Venezuela. Para o presidente, um eventual conflito armado teria consequências devastadoras para toda a América do Sul.

“Construir uma América do Sul próspera e pacífica é a única doutrina válida”, afirmou Lula, defendendo o diálogo como caminho para a estabilidade regional.

Lula destaca integração regional em Foz do Iguaçu

Ricardo Stuckert / PR

Encerrando o discurso, Lula mencionou a inauguração da nova ponte entre Brasil e Paraguai como símbolo da integração regional. Segundo ele, Foz do Iguaçu representa um espaço emblemático para iniciativas de cooperação entre os países sul-americanos.

Fundado em 1991, o Mercosul reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além da Bolívia, incorporada oficialmente em 2024. O bloco conta ainda com sete Estados Associados e mantém a Venezuela suspensa desde 2016 por descumprimento de normas democráticas.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 22/12/2025
  • Fonte: FERVER