Lula publica artigo no NY Times condenando ação dos EUA na Venezuela

Artigo do presidente classifica prisão de Maduro como erro histórico e cobra respeito à autodeterminação na América Latina.

Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula externou profunda preocupação com a recente manobra militar dos Estados Unidos em território venezuelano, classificando o ato como um desrespeito às normas internacionais. Em artigo publicado no jornal The New York Times, o mandatário brasileiro argumentou que a seletividade no cumprimento de regras globais não apenas enfraquece a soberania dos Estados, mas compromete a ordem mundial vigente desde a Segunda Guerra Mundial.

Para o chefe do Executivo, a detenção de Nicolás Maduro, realizada em 3 de janeiro, representa um “capítulo lamentável” na história diplomática. O uso da força por grandes potências, segundo a análise, subverte diretamente a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU). Lula foi enfático ao declarar que a paz global corre sérios riscos quando ações unilaterais substituem o consenso multilateral.

“Quando o recurso à força se torna uma prática comum, a paz e a segurança globais estão em risco.”

Essa postura crítica ocorre em um cenário de divisão interna. Dados da pesquisa Quaest indicam que 51% dos brasileiros desaprovam o posicionamento do governo frente ao episódio. Mesmo diante da polarização, o presidente sustenta que sem normas comuns é impossível construir sociedades democráticas.

Alerta de Lula sobre a instabilidade regional

A crítica central reside no impacto econômico e social que intervenções militares provocam. O presidente alertou que a instabilidade afeta fluxos de comércio e investimentos, além de agravar crises humanitárias.

Segundo a visão defendida por Lula, os efeitos colaterais incluem:

  • Fluxo de Refugiados: Aumento da pressão migratória sobre países vizinhos.
  • Crime Organizado: Fortalecimento de redes ilícitas em vácuos de poder.
  • Desconfiança Econômica: Retração de investidores na América Latina.

O artigo destaca um fato histórico: é a primeira vez em dois séculos que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos EUA. O líder brasileiro reforçou que a região não será submissa a projetos hegemônicos e que as nações latino-americanas possuem aspirações próprias em um mundo multipolar.

Ações práticas e o novo cenário venezuelano

Enquanto o debate diplomático ocorre, a realidade em Caracas muda rapidamente. Nicolás Maduro enfrenta acusações de narcotráfico nos EUA após sua destituição, enquanto Delcy Rodríguez assumiu o comando interino da Venezuela, iniciando negociações sobre o mercado petrolífero.

O governo brasileiro, sob comando de Lula, adotou medidas imediatas para proteger o interesse nacional:

  1. Aumento da fiscalização militar nas fronteiras.
  2. Envio de ajuda humanitária estratégica.
  3. Diálogo com líderes da Colômbia, México e Canadá.

O objetivo central permanece a defesa de uma saída pacífica, decidida pelo próprio povo venezuelano. Apenas um processo político inclusivo garantirá o retorno seguro dos refugiados que hoje vivem no Brasil.

Ao encerrar sua argumentação no Times, o presidente reafirmou a disposição para um diálogo construtivo com Washington. Reconhecendo Brasil e EUA como as maiores democracias do continente, Lula concluiu que somente a colaboração mútua, sem imposições, permitirá enfrentar os desafios complexos do hemisfério.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 18/01/2026
  • Fonte: Fever