Lô Borges morre aos 73 anos; veja legado do Clube da Esquina

Fundador do Clube da Esquina, artista estava internado e faleceu devido a falência múltipla de órgãos.

Crédito: Barbara Dutra/Divulgacao

A música brasileira está de luto. Morreu neste domingo (2) o icônico compositor e músico Lô Borges, aos 73 anos. Referência da MPB e um dos pilares do movimento Clube da Esquina, o artista faleceu em Belo Horizonte, no hospital Unimed de Contorno. A causa da morte foi confirmada como falência múltipla dos órgãos.

Apesar da idade, Lô Borges mantinha uma produtividade impressionante. Em agosto, lançou “Céu de Giz”, uma parceria com Zeca Baleiro, marcando seu sétimo álbum de inéditas nos últimos sete anos.

Sua internação, contudo, surpreendeu os fãs. O cantor deu entrada no hospital em 17 de outubro após uma intoxicação medicamentosa ocorrida em casa. O quadro se agravou, levando a uma traqueostomia em 25 de outubro e à necessidade de suporte respiratório.

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O início em BH e o Clube da Esquina

Nascido Salomão Borges Filho (10 de janeiro de 1952), em Belo Horizonte, Lô Borges cresceu em um ambiente musical, sendo um de dez filhos. A paixão pela música surgiu cedo, nas rodas de violão no bairro Santa Tereza, onde tocava sucessos dos Beatles.

Foi desse caldeirão cultural que nasceu o Clube da Esquina, movimento que fundiu a música mineira com psicodelia, rock e samba. Ao lado de seu irmão Márcio Borges, Fernando Brant e Ronaldo Bastos, e com a liderança de Milton Nascimento, eles mudaram a história da MPB.

Em 1972, participaram do álbum histórico “Clube da Esquina”. Na época, com apenas 20 anos, Lô Borges também havia assinado um contrato solo. Ele confidenciou a Milton Nascimento seu desespero por não ter mais canções:

“Eles adoraram suas músicas. Você deveria estar contente”, disse Milton. “Mas eu não tenho nenhuma música! Usei todas no nosso disco!”

Dessa pressão criativa nasceu o “disco do tênis”, o icônico álbum “Lô Borges” (1972), que eternizou clássicos como “Paisagem da Janela” e “O Trem Azul”.

Legado: de “A Via Láctea” à nova geração

A carreira de Lô Borges seguiu com marcos importantes, como o álbum “A Via Láctea” (1979), que demonstrou sua maturidade artística. Mesmo com uma produção mais espaçada entre os anos 1980 e 2000 (apenas cinco álbuns), sua influência só cresceu.

Artistas de novas gerações passaram a regravar suas composições e a tê-lo como inspiração direta, como na canção “Dois Rios”, coescrita por Lô ao lado de Samuel Rosa e Nando Reis.

O século XXI viu Lô Borges retornar com criatividade renovada, misturando MPB, rock e jazz. Sua produção na última década foi vasta, incluindo “Rio da Lua” (2019), “Dínamo” (2020), “Muito Além do Fim” (2021), “Chama Viva” (2022) e o recente “Céu de Giz” (2023). A trajetória do músico também foi celebrada no documentário “Lô Borges: Toda Essa Água” (2023).

O legado de Lô Borges é fundamental para entender a música mineira e a capacidade da MPB de se reinventar, unindo tradição e vanguarda em canções atemporais.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 03/11/2025
  • Fonte: FERVER