Ligue 180 celebra 20 anos de combate à violência de gênero
Serviço registra alta nos atendimentos e reforça canais digitais para acolher e orientar mulheres
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 25/11/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Nesta terça-feira, 25 de novembro, data que marca o Dia Internacional pelo Fim da Violência contra as Mulheres, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – completa duas décadas de existência. Originalmente concebido como um serviço de orientação, o canal evoluiu em 2014 para funcionar como uma ferramenta direta de denúncia, garantindo o encaminhamento às autoridades e o monitoramento pelo governo federal.
Entre janeiro e outubro de 2025, a central contabilizou 877.197 atendimentos, mantendo uma média diária de 2.895 contatos. Esse volume reflete a importância estratégica do serviço na proteção dos direitos femininos e no combate à violência de gênero no Brasil.
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Investimento na escuta qualificada
O aumento na procura pelo serviço demonstra uma maior confiança da população, fruto de melhorias contínuas implementadas pelo Ministério das Mulheres. A ministra da pasta, Márcia Lopes, ressalta a importância da preparação técnica das equipes:
“Ampliamos os investimentos na capacitação das equipes, fortalecendo a escuta qualificada para que as mulheres possam realizar as denúncias em um ambiente seguro e acolhedor. Este é um instrumento fundamental para romper o ciclo de violência. O Ligue 180 também é um canal importante para tirar dúvidas e encaminhar meninas e mulheres para serviços especializados”
Dados de atendimento e canais digitais
A diversificação dos canais de comunicação facilitou o acesso ao serviço. Do total de chamadas em 2025, 719.968 foram telefônicas e 26.378 via WhatsApp, além de contatos por e-mail e videochamadas em Libras.
O Ligue 180 registrou, neste período, 126.455 denúncias de violência. O perfil dos denunciantes revela que:
- 66% das denúncias foram feitas pela própria vítima;
- 21% ocorreram de forma anônima;
- 13% foram realizadas por terceiros.
A inclusão do WhatsApp (61 9610-0180) como ferramenta de contato gerou um salto expressivo no uso da plataforma. O número de atendimentos pelo aplicativo cresceu 63,4% entre 2023 e 2024, passando de uma média mensal de 743 para 1.214 acionamentos.
Inteligência de dados para políticas públicas
Além do acolhimento imediato, o serviço gera informações cruciais para a formulação de estratégias governamentais. A secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, explica como a ferramenta atua contra o isolamento da vítima:
“É o maior serviço de que o Brasil dispõe para retirar as mulheres do isolamento quando estão em situação de violência. Pelo 180 conseguimos identificar o perfil do agressor e da mulher agredida e onde há rede de apoio, porque essa mulher liga de um local e, por meio da georreferência, nós acionamos a rede local. Portanto, trata-se da maior série de informações baseada em dados concretos para que possamos tomar decisões sobre políticas públicas”
Reestruturação e transparência
A partir de 2023, o Ministério das Mulheres iniciou um processo de reestruturação para reverter retrocessos anteriores. Uma das principais medidas foi a separação do Ligue 180 da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (Disque 100), devolvendo a especificidade ao atendimento às mulheres.
Novas ferramentas de transparência foram lançadas, como o Painel Rede de Atendimento às Mulheres, que mapeia mais de 2.600 locais especializados, e o Painel de Dados, que detalha perfis de denúncias, vítimas e agressores.
Equipe técnica e funcionamento
A operação conta com 346 profissionais, incluindo atendentes bilíngues e suporte psicológico para a própria equipe, que lida diariamente com relatos sensíveis. O serviço é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, atendendo em português, inglês, espanhol e Libras.
Ellen dos Santos Costa, coordenadora-geral do serviço, reforça o compromisso da gestão:
“Estamos estruturando o Ligue 180 por meio de uma equipe técnica que é constantemente valorizada e do compromisso político com a vida das mulheres. Celebrar esses 20 anos é reconhecer, também, a força dessas mulheres que fazem essa política acontecer e reafirmar que o Estado brasileiro está ao lado das mulheres que buscam ajuda e proteção para romper com o ciclo de violência”
As denúncias recebidas são encaminhadas para órgãos competentes, como Polícia Civil e Ministério Público. Para agilizar esse fluxo, 14 estados e o Distrito Federal já aderiram ao Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério.