Liesa avalia anulação do rebaixamento da Unidos de Padre Miguel

A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) está programando uma plenária para discutir a anulação do rebaixamento da Unidos de Padre Miguel, que ficou na última posição no Carnaval de 2025. A escola de samba, que terminou em 12º lugar, entrou com um recurso logo após a apuração das notas, ocorrida na Quarta-Feira de […]

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A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) está programando uma plenária para discutir a anulação do rebaixamento da Unidos de Padre Miguel, que ficou na última posição no Carnaval de 2025.

A escola de samba, que terminou em 12º lugar, entrou com um recurso logo após a apuração das notas, ocorrida na Quarta-Feira de Cinzas (5). O julgamento será feito pelos representantes das escolas do Grupo Especial e a decisão dependerá da maioria dos votos.

Recurso alega falha técnica e intolerância religiosa

A Unidos de Padre Miguel baseia sua defesa em dois pontos principais. O primeiro se refere a uma suposta falha no carro de som, que teria durado 17 minutos durante o desfile e comprometido o desempenho do conjunto.

O segundo ponto questiona a decisão de uma jurada, que descontou um décimo da nota no quesito samba-enredo por considerar excessivo o uso de termos em iorubá na letra da canção. A escola considera essa justificativa um ato de intolerância religiosa.

Com a penalização, a Unidos de Padre Miguel perdeu 1,2 ponto nos quesitos harmonia, bateria e samba-enredo. A diferença final entre a escola e a Mocidade Independente, que ficou em penúltimo lugar, foi de apenas 1,1 ponto. A escola argumenta que a falha técnica impactou negativamente o desempenho dos componentes e pode ter sido determinante para a perda de pontos.

Controvérsia e apoio de figuras políticas

A polêmica cresceu após a divulgação da justificativa dada pela jurada Ana Paula Fernandes, que retirou um décimo da nota do samba-enredo alegando dificuldade na compreensão dos termos em iorubá. A decisão foi amplamente criticada por sambistas e lideranças políticas.

O presidente da Liesa, Gabriel David, classificou a decisão como um caso de “racismo religioso”. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também se posicionaram. Menezes afirmou em suas redes sociais que a situação vai além de um erro de julgamento e representa um desrespeito à ancestralidade afro-brasileira.

Impactos da decisão no Grupo Especial

A possível permanência da Unidos de Padre Miguel no Grupo Especial tem gerado discussões entre dirigentes de outras escolas de samba. Um dos principais pontos de debate é a divisão dos recursos financeiros, já que um aumento do grupo para 13 agremiações poderia impactar o repasse de patrocínios e investimentos da prefeitura.

Além disso, a decisão pode esbarrar em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a Liesa e o Ministério Público do Rio de Janeiro em 2018, que impede alterações nas regras do julgamento após a apuração.

O vereador Felipe Pires (PT), presidente de uma frente parlamentar dedicada ao Carnaval carioca, sugeriu que a prefeitura participe da definição dos critérios de avaliação. Ele também defendeu a profissionalização dos jurados e questionou a remuneração atual de R$ 5.500 para três dias de avaliação.

A plenária da Liesa está prevista para o dia 20 deste mês, mas a data ainda não foi confirmada oficialmente. O resultado da votação pode ter impactos significativos não apenas para a Unidos de Padre Miguel, mas para todo o futuro da competição.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 16/03/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA