LIDE Litoral Paulista debate obras de mobilidade entre Planalto e Baixada Santista
Seminário em Santos abordou modernização do sistema ferroviário e construção da terceira pista da Rodovia Imigrantes
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 06/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Na noite da última segunda (05/05) autoridades políticas, da sociedade civil e autoridades ligadas ao Porto de Santos reuniram-se no Parque Tecnológico de Santos para debaterem melhorias em todo o sistema de descida do Planalto à Baixada Santista. O evento promovido pelo LIDE Litoral Paulista dividiu o seminário “Acessos à Baixada Santista” em dois painéis.
O primeiro tratou das oportunidades, entraves e desafios de ampliação e modernização do sistema ferroviário, apresentando estratégias mais eficientes de escoamento de cargas aos armazéns do Porto de Santos. E o segundo painel abordou foi dedicado à “3ª pista da Rodovia Imigrantes e Rodovia Parelheiros-Itanhaém”, obras que irão impactar diretamente a conexão entre Planalto e Baixada.
O gerente da Autoridade Portuária de Santos, Johnni Hunter, apresentou os benefícios que o Porto de Santos terá a partir destas novas obras de mobilidade e infraestrutura.
Painel sobre “Modal Ferroviário” debate melhorias na região de Outeiros no Porto de Santos
A Malha Ferroviária do porto de Santos é uma malha extensa e compreende uma grande porcentagem de toda a malha ferroviária do país. No total, cerca de 67% da malha ferroviária brasileira abastece o porto de Santos. Nesse sistema, existem 3 ferrovias que possuem ponto de desembarque no porto santista, são eles: MRS Logística, Ferrovia Centro-Atlântica S.A (FCA) e Rumo Logística.
O vice-presidente da FIPS Ferrovia Interna Porto de Santos, João Almeida, enfatizou apontou alguns entraves na manobras de trens na região de Outeiros, próximo ao terminal marítimo, em Santos. João elencou as obras entregues no Guarujá, como a do Pátio Conceiçãozinha, e também obras de 5 pátios de manobras na área continental. Além desta, a entrega das linhas do Pátio do Macuco, que atenderão ao cluster de celulose na Margem Direita.
Outra obra que é prevista será a pera ferroviária na região de Outeiros, que consiste em um pátio circular que possibilitará o transbordo da carga sem a necessidade de desmembramento do trem. “Nós dividimos a obra em sete frases, estamos entregando a quarta e no ínicio de junho iremos entrar na quinta fase”, completa João Almeida.
A previsão da conclusão das obras é para agosto de 2026.
“Hoje quando os trens chegam na região de Outeiros, próximo ao terminal de cruzeiros, para atender os terminais que ficam na área interna, nós precisamos realizar 30 manobras para separar os trens que vão atender os pátios da Copersucar e CRI, dos trens que vão atender o cluster de celulose e o corredor de exportação”. A partir desta explanação referente às manobras e consequentemente a demora na continuação da operação, o vice-presidente da FIPS explica que a partir da entrega destas obras de maneira geral deve melhorar toda a logística do setor portuário.
O secretário de Portos de Santos, Bruno Orlandi, enfatizou o importante trabalho realizado pela FIPS e que a modernização do sistema ferroviário permite o aumento da movimentação portuária. “Em 1950 tínhamos aproximadamente 3 toneladas de cargas passando por rodovias, hoje já ultrapassamos os 50 milhões”, destacou.
Patrick Silva, vice-presidente da Bracell, aborda expectativas da empresa de celulose com a entrega das obras
A empresa que hoje é uma das produtoras de celulose solúvel e celulose especial tem uma das sedes em Lençóis Paulista (SP), porém conforme explica Patrick, há complexidade em fazer o escoamento do produto até a chegada no porto. Ele explica que há uma distância percorrida até o sistema ferroviário de Pederneiras, onde os trens são carregados.
Em Santos, a empresa possui o próprio terminal onde foi investido mais de R$ 500 milhões, automatizado para poder escoar cerca de 3 milhões de toneladas de celulose. A empresa divulgou recentemente que fará um investimento de R$ 20 e R$ 25 bilhões em uma nova fábrica no Mato Grosso do Sul, diante disso existe um estudo de impacto sobre o melhor modelo logístico.
“Queremos muito que esse escoamento seja pelo Porto de Santos”, disse Patrick, frisando que pelo investimento a ser feito pela empresa, torna-se ainda mais importante que as obras de infraestrutura e mobilidade nas ferrovias sejam concluídas no tempo estimado.
2º Painel: terceira pista Rodovia Imigrantes atenderá uma fluidez melhor entre veículos de passeio e caminhões
Anunciado pelo Governo do Estado de São Paulo em janeiro, uma das principais rotas que ligam o Planalto à Baixada Santista, utilizada especialmente por caminhões, ganhará uma nova pista. O projeto prevê uma nova pista no trecho de serra com 21,5 quilômetros de extensão, compostos prioritariamente por túneis, que somam 17 quilômetros (80% de todo trajeto), além de 4 quilômetros de viadutos. Um dos túneis terá cerca de 6 quilômetros de extensão, tornando-se a maior estrutura desse tipo no Brasil. A nova pista terá duas faixas de rolamento e um acostamento com possibilidade de ser revertido em faixa de tráfego.
O Head do Projeto da Nova Ligação Planalto-Baixada Ecorodovias, Naelson Cândido, disse em sua fala inicial o entendimento que todos têm da necessidade de ampliação do Sistema Anchieta-Imigrantes. “É um projeto que não é só necessário, é imediato”, apontou Naelson, ao enfatizar a prioridade em garantir um escoamento mais rápido das cargas até o Porto de Santos.

Secretário de Infraestrutura, Porto, Emprego de Cubatão, Fabrício Lopes, solicita que a partir da nova Imigrantes propicie aos transeuntes mais segurança

Fabrício relembrou dois fatos trágicos envolvendo acidentes no SAI recentemente. O primeiro deles na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, onde caminhão contêiner tombou em cima de um carro, onde três pessoas morreram; e em março quando uma passarela caiu na Rodovia Anchieta e praticamente paralisou o fluxo desde à capital até a Baixada Santista.
“Se uma passarela cai na cidade de Cubatão na Anchieta ou na Imigrantes, não passa para lugar nenhum e é esperar no mínimo 12 horas para normalizar”, endossou o secretário. Ele completa que especialmente no segundo caso, se provavelmente tivesse vazado um ólego, poderia ter colocado diversas vidas em risco. “Tudo precisa ser muito estudado e entender a complexidade e a territorialidade”, completa Fabrício.
Deputada estadual Solange Freitas, estava em viagem à Argentina e não conseguiu comparecer ao evento, mas enviou vídeo sobre seu posicionamento
Expectativa de mais segurança na nova pista da Rodovia Imigrantes
Naelson Cândido, responsável pelo Projeto da terceira pista da Imigrantes, explicou que a inclinação média será menor, sendo de 4%, possibilitando o tráfego seguro de veículos pesados. Os túneis paralelos de emergência será mais um diferencial de segurança. Além disso, considerando em caso de necessidade, a pista também poderá ser revertida para operar no sentido da Capital.
Para reduzir os impactos ambientais, a construção prevê a utilização de estradas de serviço já existentes e poucos pontos de entrada de frentes de obras.
A escolha dos pontos de conexão – no trecho de Planalto e na Baixada Santista – e do traçado levou em consideração parâmetros adotados nos maiores projetos de infraestrutura do país. Uma equipe multidisciplinar de especialistas da concessionária, consultores e construtoras, inclusive internacionais, foi responsável por avaliar as alternativas e escolher a que melhor se adequava a rigorosos critérios de engenharia, segurança viária e socioambiental.
Presidente do LIDE Litoral Paulista, Jarbas Vieira
Presidente do LIDE Litoral Paulista, Jarbas Vieira Marques, foi quem abriu os trabalhos e aproveitou para destacar os impactos que tanto as obras de “Modal Ferroviário” e da “Terceira pista da Rodovia Imigrantes e Rodovia-Parelheiros-Itanhaém”, pode melhorar o fluxo de veículos e da mobilidade na região de maneira geral.
Jarbas pontou que as obras de mobilidade e infraestrutura: novo sistema ferroviário, terceira pista da Imigrantes; túnel submerso ligando Santos à Guarujá mais rápido e o aeroporto de Guarujá, em conjunto vão disponibilizar melhorias não só apenas na fluidez da mobilidade, mas também o impacto e econômico nas oito cidades que compõe à Baixada Santista.
Entrevistas exclusivas para o portal ABCdoABC
Bruno Orlandi, secretário de Portos da cidade de Santos
Fabrício Lopes, secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão