LIDE Grande ABC e IBM debatem os rumos e uso da IA
Uso da IA tem sido realizado em parceria com humanos, mas o especialista da IBM informou que já existem agentes virtuais chefes de outros agentes
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 22/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O LIDE Grande ABC promoveu, no Baby Beef Jardim, em Santo André, na noite desta quarta-feira (20), um encontro com representantes da centenária IBM, uma das maiores empresas mundiais de tecnologia, com sede nos Estados Unidos, e que teve seu primeiro escritório implantando no Brasil em 1917, com a presença de Guto Lopes, vice-presidente da IBM Consulting América Latina, e Marcelo Flores, gerente geral da IBM Brasil, sob o tema ‘A Evolução da Relação entre Pessoas e Tecnologia: Os Impactos da Inteligência Artificial’.

Os anfitriões, o presidente do LIDE Grande ABC, Jarbas Marques, e o CEO LIDE Grande ABC, Walter Dias, na ocasião, além de convidados e dos filiados à entidade, receberam a deputada estadual Ana Carolina Serra (Cidadania) e Evandro Banzato, secretário de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego na Prefeitura Municipal de Santo André.
Desafio com foco em eficiência e soluções
Em sua fala, a deputada Ana Carolina reconhece que a IA (Inteligência Artificial) ainda é um desafio, mas que deve ser enxergada como uma ferramenta que traga soluções e eficiência em seu uso.

“É a nossa próxima fronteira. E eu, como deputada, como mãe, a presença da IA se faz presente também no meu dia-a-dia e, inquestionavelmente, no meu futuro. Ela tem o potencial de revolucionar nossa sociedade, desde as formas de como as empresas operam no dia-a-dia, até a maneira como a gestão pública, sem sombra de dúvidas, pode e deve ser mais eficiente, oferecendo serviços mais inteligentes e, acima de tudo, personalizados para o cidadão”, propõe a política.
O gerente da IBM, Marcelo Flores, iniciou sua trajetória na década de 1980 como programador clipper e afirma que este momento da tecnologia já altera o ritmo da vida das pessoas e das indústrias.

“Eu vi muita mudança, não só como usuário, mas como participante. E realmente, eu posso dizer com propriedade que o que a gente está vendo agora é algo muito disruptivo e já está mudando a maneira como a gente leva o nosso dia a dia, tanto pessoal, quanto profissional, e isso vai realmente exponenciar e é realmente uma revolução muito disruptiva”, percebe o especialista.
Qual a função?
Já o vice-presidente Guto Lopes desmistificou o que para muitos ainda é um ponto de interrogação, qual a função e participação da IA no cotidiano?

“Os assistentes são aqueles que conversam com você, então, por exemplo, o ChatGPT ou qualquer outra ferramenta que você interaja, pergunta e responde, mas, tipicamente, o que a gente fala, o que um assistente faz? Ele aumenta a inteligência humana, ou seja, você, mesmo sem ser especialista no assunto, pode estar executando uma atividade, você tem ali um assistente que vai te trazer um complemento de uma informação, para confirmar alguma coisa. Você pode usar a inteligência artificial para criar modelos, análises com muito mais velocidade. Por exemplo, você sobe uma planilha para uma inteligência artificial e começa a perguntar para ela, como é que eu faço o Excel, qual seria o melhor fornecedor, aí ela vai te responder, ela vai interagir”, explicou o vice-presidente.
Mas Lopes foi um pouco mais longe ao falar do foco voltado à IA.
“E temos o agente, que hoje o mercado está falando muito de agente, que está usando isso em escala, ele começa a executar as atividades, então no final do dia, ele tem capacidade de conversar sim, mas ele tem capacidade de ir lá e de executar a atividade”, explanou ele.
Políticas voltadas à IA
Voltando ao Poder Público e como o tema deve ou tem sido tratado, a deputada afirma que é fundamental a parceria entre o público e o privado, e que, em virtude desse aspecto, é necessário criar políticas que acompanhem a evolução tecnológica e que impulsionem e estimulem essa ascensão, e chamou a responsabilidade para os entes políticos.
“E é nosso dever, como Poder Público, garantir que a inteligência artificial seja uma ferramenta, também, de inclusão e, acima de tudo, de progresso, e não mais um fator que gere desigualdade, algo que a gente precisa muito enfrentar”, pede Ana.
Contudo, empresas e profissionais deverão se adaptar a esta nova realidade, e segundo Guto, nos dias atuais, o uso da IA traz um aspecto que deve mudar ao longo de seu desenvolvimento, já que neste momento as pessoas precisam buscar informações, criar arquivos e realizar seus trabalhos, ora no Word, ora no PowerPoint, além de outros softwares e plataformas, porém, em um futuro muito próximo, essa atividade será feita por um agente, a IA.
“Esse é o tipo de trabalho hoje em dia que, cada vez menos, a gente vai ter que ir no sistema ‘FIM’, cada vez mais a gente vai pedir as coisas para alguém, para um assistente, para um agente, e ele vai lá e vai executar”, garantiu o vice-presidente.
Para ele, essa nova tendência vai mudar a forma de trabalhar e já explica como funcionam alguns desses processos que envolvem IA e seres humanos.
“Tem um trabalho que é feito de um humano com assistente, na qual o humano executa a atividade e busca o assistente quando precisa de alguma informação que não tem. Mas, já tem outro trabalho que são agentes fazendo o trabalho que executam a atividade até o fim, tem caso em que o chefe dos agentes é uma pessoa, tem caso que tem agentes chefes de agentes, e tem conceitos no mercado de super agentes, ou super robôs, que no final do dia é quem faz a gestão desse agentes que ficam espalhados por aí. E tem um novo modelo que simula o trabalho de um humano na execução dos serviços, e o reaproveitamento dos agentes, então vai ter sempre um agente para fazer uma atividade e que pode trabalhar em diferentes setores da empresa”, apontou o vice-presidente o caminho das atividades das empresas.
Marcelo Flores afirmou que o desenvolvimento da IA da IBM, chamada de IBM Watson, é projetada para atuar com ética e de forma profissional.
Quando o tema é a capacitação, em sua percepção, Guto sugere que o problema no Brasil é o treinamento mal realizado e que tem espaço para a IA contribuir com o desenvolvimento do país, mas, o humano precisa alimentar e instruir a IA.

“A gente vive num país que, quando comparado aos desenvolvidos, tem gaps de produtividade de 30% a 40%. Então, tem um espaço aí de riqueza que a gente não está conseguindo gerar por falta de produtividade e não por um problema no Brasil. Algo que falta são as pessoas serem treinadas. E quando vai aos países desenvolvidos, você tem um país mais envelhecido, onde falta mão de obra. E também deixa de gerar riqueza pela falta de mão de obra. Ou seja, tem espaço para você trazer a IA e gerar de verdade riqueza e não problemas sociais. E para isso, é preparar as pessoas, treinamento é a base”, orienta o especialista.
Legislação e normativas
E como a pauta ganha mais força e atividade, o ABCdoABC perguntou sobre leis e normativas que permeiam a IA à deputada Ana Carolina, que pontuou que é necessário analisar o tema para que a legislação atenda os novos rumos da tecnologia, mas sugere cuidado sobre o assunto.
“Verificar o que de fato impacta a vida das pessoas e traz oportunidade, traz melhoria, crescimento. Então, a regulamentação, acredito que se faz muito necessária, mas acima de tudo com muita cautela. Não dá para sair proibindo todo tipo de conteúdo, nem liberando qualquer tipo, porque a gente já viu, a realidade posta nos mostra que a liberação de qualquer tipo de conteúdo não é algo bom”, afirma a deputada.
A deputada estadual também falou sobre liberdade de expressão e cerceamento à informação e ressaltou a importância de se verificar esses processos.

“A liberdade de informação é extremamente necessária, o acesso à informação, mas com cautela, com seriedade, com conteúdo. Hoje, a gente verifica inúmeras veiculações de notícias falsas, que precisa sim passar pelo crivo da veracidade. Então, a regulamentação precisa vir nesse sentido. Uma informação adequada, determinada faixa etária, determinado público e uma informação que de fato seja verdadeira”, direciona a deputada o tipo de trabalho que deve ser feito sobre a regulamentação.
Por fim, Ana Carolina finalizou comentando como a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) trata a pauta.
“O Estado de São Paulo sempre esteve à frente dos demais da federação. E é claro, não deixa de debater esse tipo de questão na assembleia e, acima de tudo, através das comissões da casa. E esse é um tipo de assunto que passa por diversas comissões temáticas”, explicou ela.