LGBTfobia e o futebol, lamentavelmente, ainda caminham juntos

Após agressão do árbitro Pascal Kaiser no último sábado, a relação entre LGBTfobia no futebol voltou a ser discutida.

Crédito: Via ChatGPT

Quando penso que a lgbtfobia no futebol pode ter um fim é ai que me deparo com mais um caso. A grande verdade é ao longo da história, sempre vi o futebol como uma modalidade esportiva acostumada serem disputados por meio da violência, de encarar toda partida como se fosse uma batalha campal e toda final de campeonato igual a uma guerra, também passou a ser excludentes com alguns grupos da sociedade.

O caso de lgbtfobia mais recente que presenciei no futebol foi o do último sábado (07/02) na Alemanha, onde o árbitro Pascal Kaiser sofreu um ataque violento dias após Moritz em casamento, durante o intervalo da partida entre Colônia e Wonfsburg, pelo Campeonato Alemão (Bundesliga), diante de 50 mil torcedores. O pedido aconteceu em 30 de janeiro e após a forte repercussão nas redes sociais, Kaiser foi atacado por três homens no jardim de sua residência.

A agressão ao árbitro Pascal Kaiser, dias depois de pedir Moritz no intervalo de uma partida do Campeonato Alemão, coloca em discussão a série de casos de LGBTFobia no futebol - Reprodução/Instagram
A agressão ao árbitro Pascal Kaiser, dias depois de pedir Moritz no intervalo de uma partida do Campeonato Alemão, coloca em discussão a série de casos de LGBTFobia no futebol – Reprodução/Instagram

Não há sentimento de pertencimento para o público LGBT+ no futebol

Como presencio o futebol muito próximo há pelo menos doze anos, sempre me questionei o fato de o público LGBTQIA+ não se interessar pelo futebol ou até mesmo nunca ter ido a um estádio. Em conversas com pessoas da comunidade sempre foi dito que eles nunca eram aceitos, sendo impostos pelas regras heteronormativas apresentadas à sociedade.

Cria-se a ideia que para ser hétero é preciso ter carrão, gostar de futebol, fazer piadas de mau gosto com as pessoas, e neste sentido quando alguém fora deste público tenta furar a bolha é onde o preconceito e sobretudo a violência se apresentam como centroavante da exclusão de grupos da sociedade.

O público LGBT tem buscado permanentemente pertencer a lugares que antes eram negados à estes grupos, mas que aos poucos eles podem e devem ser acolhidos. O futebol, como qualquer outro esporte e como qualquer outra atividade humana, precisam entender que a inclusão são para todos.

A homofobia ou lgbtfobia percorre estádios, clubes e jogadores no exterior e aqui no Brasil também. No ano passado o jogador Vítor Roque, do Palmeiras, fez um post de um tigre atacando um veado, após uma partida em que o Palmeiras venceu o São Paulo. O post faz relação ao fato de Vitor Roque ser chamado de “tigrinho” e do Tricolor ser proferido e chamado por torcedores rivais com palavras homofóbicas.

LGBTFobia na Copa do Mundo de 2022

Como se não bastasse os casos de LGBTfobia no futebol no dia a dia, não preciso ir muito longe para lembrar que na Copa do Mundo de 2022, vimos o tratamento cruel que o Catar concedeu ao público LGBTQIAP+. Para quem acredita que tudo é apenas uma coincidência, o Código Penal do país prevê pena máxima e até apedrejamento para homens e mulheres que se envolverem com pessoas do mesmo sexo, mas será mesmo que a FIFA quando realizou o sorteio das sedes não sabia da existência desta lei? Você e eu sabemos que sim.

Isso sem contar que vários dirigentes de seleções durante o Mundial se posicionaram dizendo que era pecado e dentre outras coisas mais.

Portanto, o ponto que vejo aqui é o seguinte: o público LGBT não se sente pertencido ao futebol em sua totalidade. Não se sente seguro em um ambiente onde ele já sabe previamente que não irá poder circular livremente, de acordo com sua orientação, sua forma de ser, base cultural e entre outros pré-requisitos padronizados pela sociedade.

Mais do que campanha contra LGBTfobia, é preciso ação

Mais do que as campanhas em Dia Internacional contra a LGBTfobia, é necessário com que todas as entidades ligadas ao futebol denunciem clubes, torcedores, jogadores, e qualquer outro que cometer atos homofóbicos durante partidas de futebol. Minha preocupação aqui não é com clube ou campeonato específico, mas sim com uma comunidade que tenta se fazer presente no meio do futebol e a todo tempo é afastado.

Em tempo, o caso de homofobia que aconteceu na Alemanha, é apenas mais um que entra para a lista e que coloca em perspectiva a necessidade de haver mais ações concretas, uma vez que as de conscientização não são mais suficientes. Não é justo e não correto que qualquer ser humano seja ameçado e violentado por conta da sua orientação sexual, especialmente quando está em um estádio de futebol.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 09/02/2026
  • Fonte: FERVER