Leucemia mieloide aguda: reconhecer sinais cedo ajuda no diagnóstico

Em “Vale Tudo”, o personagem Afonso Roitman é diagnosticado após sinais repentinos

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Nos últimos episódios da novela Vale Tudo, o personagem Afonso Roitman recebeu o diagnóstico de leucemia mieloide após apresentar sintomas repentinos, como cansaço e fadiga. O caso na ficção abre espaço para discutir a incidência desse tipo de câncer do sangue e a importância de reconhecer sinais precoces. Um levantamento baseado em dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) mostra que, entre 2018 e 2022, foram notificados 10.190 casos de leucemia mieloide nas capitais brasileiras.

Segundo a onco-hematologista do Hospital Sírio-Libanês, Sabrina Brant, a leucemia mieloide é um tipo de câncer do sangue que tem origem na medula óssea. “A doença acontece quando os glóbulos brancos sofrem alguma mutação no seu material genético e passam a ser produzidos de forma anômala e excessiva pela medula óssea”, explica.

Existem dois tipos de leucemia mieloide, a Leucemia Mieloide Crônica (LMC), que normalmente apresenta uma evolução lenta no crescimento das células doentes, e a Leucemia Mieloide Aguda (LMA), que costuma se desenvolver de forma mais rápida e agressiva.

Brant explica que na LMA, as mutações que atingem os glóbulos brancos resultam em blastos, células imaturas com características irregulares. “Muitas vezes, a doença acontece por causas desconhecidas e de forma aleatória, mas alguns fatores aumentam o risco, como histórico de radioterapia ou quimioterapia, exposição à radiação ou substâncias químicas (como benzeno), síndromes genéticas, doenças hematológicas prévias e idade avançada”, explica.

Como identificar sinais da doença?

Segundo a especialista, não há exames de rastreio específicos para garantir um diagnóstico precoce da LMA. O diagnóstico precoce depende da busca por atendimento médico diante de sintomas sugestivos, que podem surgir em poucos dias ou semanas antes da confirmação.

Os principais sintomas são:

  • cansaço extremo (decorrente a anemia);
  • sangramentos e manchas roxas (plaquetas baixas);
  • febre;
  • infecções recorrentes;
  • dores ósseas;
  • perda de peso.

Tratamento e prognóstico

De acordo com Sabrina, o tratamento da Leucemia Mieloide Aguda vem apresentando diversos avanços nos últimos anos e atualmente existem diversas estratégias terapêuticas para vários perfis de pacientes (jovens, idosos, com comorbidades mais graves).

Dentre as principais opções de tratamento há a quimioterapia padrão, terapias-alvo para tipos específicos de mutações, transplante de medula óssea em alguns casos, e estudos preliminares com células CAR-T e CAR-NK.

“O prognóstico depende de fatores como idade, subtipo da LMA, mutações genéticas e condições clínicas do paciente. Em geral, pacientes jovens, sem comorbidades e com mutações menos complexas têm maiores chances de cura”, conclui a onco-hematologista.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 01/09/2025
  • Fonte: Fever