Conheça a Let’s Groove banda que leva Earth, Wind & Fire aos palcos

Let's Groove celebra clássicos do Earth, Wind & Fire com banda de dez integrantes e vocalistas que transformaram a própria trajetória pela música

Crédito: Suzana Rezende / ABCdoABC

A banda Let’s Groove nasceu na estrada. A ideia surgiu durante uma viagem para Campinas, quando músicos que já dividiam outros projetos começaram a desenhar um novo desafio: montar um tributo ao Earth, Wind & Fire. O convite partiu do diretor e idealizador Cassiano, mas foi durante o trajeto que o projeto ganhou forma definitiva.

“Eu tinha vindo de uma sequência de shows. A gente foi fazer um show em Campinas, de um projeto que a gente tem de James Brown. E a gente indo pra Campinas, que é duas horas de viagem. O Cassiano falou, pô, a gente podia fazer uma banda de Earth, Wind & Fire. Eu tava meio dormindo”, relembra o vocalista Fernando Ramos.

A conversa evoluiu rapidamente. “Ele colocou, já fez um grupo, do nada. E falou, todo mundo abraçou. E ele falou assim, precisa de mais cantores. E foi na hora que eu falei, eu tava dormindo, ouvindo tudo. Eu falei assim, eu tenho os cantores. São meus amigos. Eu vou falar com eles na hora, na viagem. Ó, a gente foi duas horas. A gente tava saindo de São Paulo. Quando a gente chegou lá a banda tava formada”, conta.

Os nomes indicados por Fernando eram Elias e Fa Lima, que já trabalhavam juntos em outros projetos. O convite foi direto: integrar um tributo a uma das maiores bandas da história do funk e do soul. “Perguntou se tinha interesse em fazer parte de um projeto. Que era um tributo ao Earth, Wind & Fire. A gente não questionou duas vezes”, afirma Elias.

Fa Lima reforça a rapidez com que tudo aconteceu: “A gente falou, mano, nem vou pensar duas vezes, é agora. E a gente se debruçou em cima desse repertório.”

Desde o início, o projeto já tinha data marcada para estreia. “Eles chegaram na gente e falaram. A gente já tem uma data. É tal dia. A gente só precisa fechar a banda”, lembra Elias. O lançamento ocorreu no Blue Note, em São Paulo, seguido por apresentações no Rio de Janeiro e em unidades do Sesc.

Histórias de vida que se cruzam na música

Os três vocalistas têm trajetórias distintas, mas convergem na música como transformação pessoal e social

Lets groove elias
Elias / vocalista Foto: Suzana Rezende / ABCdoABC

Elias, da Zona Sul de São Paulo, iniciou a carreira de forma independente após abandonar a área do Direito. “Eu trabalhava já em município de Vitória. Na época, na verdade, que eu comecei a trabalhar com música, eu estava trabalhando na Justiça mesmo. E eu me lembro que eu me sentia muito insatisfeito com a prática, o dia-a-dia, a rotina”, relata.

A virada veio nas estações de metrô. “Falei, eu vou ir tocar no metrô. E aí eu saía da faculdade, da aula, ia tocar no metrô à tarde. Na Linha Verde, no metrô lá em São Paulo.” A experiência consolidou sua escolha: “Quando eu fui ver, já era o que eu mais fazia. E já tinha mais sentido com a minha vida.

Lets groove Fa lima
Fa Lima / vocalista Foto:Suzana Rezende / ABCdoABC

Fa Lima, da Zona Leste da capital, iniciou na dança antes de se reconhecer como cantor. “Eu tinha por volta de uns 10, 11 anos, quando eu comecei a dançar muito. Eu começava a imitar tudo que tinha na televisão.” A descoberta da própria voz veio em estúdio: “O produtor mostrou a minha voz e falou assim, essa pessoa que tá cantando é você. Na hora eu falei, não, não sou eu não, gente, não é possível.”

A trajetória inclui concursos de karaokê, participações internacionais e momentos de pausa motivados por preconceito. “Da onde eu venho, da quebrada de onde eu venho, pessoas como eu, né, da bandeira de LGBTQIAPN+, afeminada, enfim. É difícil imaginar que a gente chegue tão longe, né, que a gente consiga viver só de arte.” O retorno veio com novos projetos e, posteriormente, com o convite para a Let’s Groove.

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Fernando / vocalista Foto: Suzana Rezende / ABCdoABC

Fernando, por sua vez, cresceu em ambiente musical. “Meu pai é instrumentista, compositor de samba. Minha mãe é cantora. A primeira cantora que eu ouvi cantando muito bem na minha vida foi minha mãe.” A vivência nos bailes com a banda do pai consolidou sua escolha profissional. “Depois disso, tem um negócio no palco que vicia.”

Performance, figurino e conexão com o público

Let's groove
Suzana Rezende / ABCdoABC

A proposta da Let’s Groove vai além da execução musical. O grupo aposta em performance, figurino e interação para recriar a atmosfera dos shows originais. “Ela exige da gente um tipo de performances, não só como cantor. Ela exige que a gente seja performer, né. Eles já são um estiló, já tem as coisas, a gente tem que ter um figurino, se movimentar no palco, comunicação, dançar pra caramba”, relatam os vocalistas.

O repertório inclui sucessos como “Reasons”, “Fantasy”, “Devotion” e “September”, que atravessam gerações. Fernando destaca o alcance do projeto: “É uma banda com nicho que pega de criança até adultos, né? Mais velhos que todo mundo.

A recepção do público é apontada como um dos diferenciais. “Você vai encontrar dez pessoas totalmente envolvidas em deixar você um momento mais feliz quando estiver assistindo aquele som, curtindo, sabe? Nossa ideia é fazer uma pessoa que naquele momento seja um desligado do mundo só pra ser feliz”, resume um dos integrantes.

A identificação é imediata em diferentes contextos. “Você percebe assim que tem gente com camisa de rock cantando September, se emocionando pra caramba”, afirma Fernando.

Shows marcantes e relação com fãs

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Suzana Rezende / ABCdoABC

Entre as apresentações mais lembradas está a do Sesc Campo Limpo. “Quando eu fui cantar com o Let’s Groove, foi o primeiro show que eu fiz no Sesc Campo Limpo na minha vida. Eu desabei de lágrimas”, recorda um dos vocalistas.

Outro momento marcante envolveu a interpretação de “Reasons”. “Quando a gente começou a cantar Reasons, ele pôs a mão na cara e começou a chorar. Porque a mulher dele veio e abraçou ele. Aquilo foi difícil.”

A relação com o público também se estende para além do palco. “Tem uma galera que segue a gente em várias cidades mesmo”, relatam, citando fãs que acompanham a banda em diferentes estados.

Para o grupo, a essência está na coletividade. Ao definir a banda em uma palavra, a resposta é direta: “Família.” E complementam: “A gente dorme junto, acorda junto. É um respeito mesmo. Um respeito um com o outro, sim.”

O legado do Earth, Wind & Fire

Earth, wind & fire
Divulgação

Formado nos Estados Unidos no final dos anos 1960, o Earth, Wind & Fire consolidou-se como um dos maiores nomes do funk, soul e R&B mundial. Com arranjos sofisticados, presença de metais marcantes e harmonias vocais elaboradas, o grupo construiu uma discografia que inclui clássicos como “September”, “Fantasy” e “Reasons”.

A influência ultrapassa gerações e estilos. Como destaca Fernando, “É uma banda que tem muito sucesso em desenhos. Trilhas sonoras. Muitos músicos estudam os temas.” O repertório segue presente em filmes, comerciais e playlists contemporâneas, mantendo viva a estética que mistura groove, espiritualidade e celebração.

Para a Let’s Groove, homenagear o Earth, Wind & Fire é mais do que revisitar sucessos: é atualizar a experiência ao vivo de uma era marcada por grandes performances e musicalidade refinada. “É feito para as pessoas, por pessoas. Então, não é ia, é tudo ao vivo”, destacam.

Ao levar aos palcos brasileiros o som que marcou décadas, a banda reafirma a permanência do legado do Earth, Wind & Fire e amplia o alcance de um repertório que continua a reunir públicos diversos em torno da música e da celebração coletiva.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 20/02/2026
  • Fonte: Sorria!,