Letramento Racial reúne comunidade da E. M. Lucinda Petigrossi, no Jardim Zaíra
Iniciativa integra ações antirracistas da Prefeitura de Mauá
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Para romper hábitos que reforçam comportamentos discriminatórios, a Secretaria de Educação da Prefeitura de Mauá promove ações antirracistas, que inclusive fazem parte do currículo da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Nesse sentido, a equipe da Escola Municipal Lucinda Petigrossi, no Jardim Zaíra, realizou a aula pública “14 de Maio: o Dia Seguinte! – Desvendando a História para Construir um Futuro Antirracista”. A proposta é promover o letramento — ou seja, a aquisição e o domínio da capacidade de ler, escrever e interpretar o mundo de forma antirracista — para a equipe técnica da secretaria e da própria escola, responsáveis pela formação das novas gerações e também dos alunos da Educação de Jovens e Adultos.
Essa ação integra uma série de atividades alinhadas ao 18º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma das metas globais propostas pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Esse ODS foi proposto pelo Brasil e busca incluir a igualdade racial na Agenda 2030, com o objetivo de enfrentar desigualdades sociais e conflitos étnico-raciais. Para o secretário de Educação, Gilmar Silvério, “a única forma de garantir os direitos humanos é promovendo a justiça social. O antirracismo é fundamental para construirmos uma sociedade livre e democrática. A educação é uma das responsáveis pela mudança na sociedade, e Mauá está cumprindo seu papel”.
A professora da Educação Infantil Simone Chinelato e o professor de Língua Portuguesa Luís Felipe, ambos pós-graduados em relações étnico-raciais e educação antirracista e integrantes da Secretaria de Educação, conduziram a aula, dialogando sobre o Letramento Racial. Eles abordaram questões relacionadas à legislação brasileira — inclusive as que antecederam a Lei Áurea —, o contexto histórico e as situações posteriores que moldaram a sociedade brasileira. “Foi um momento importante para explicarmos como a legislação, por vezes, perpetua desigualdades. E também como isso se torna fundamental para analisar essa jornada e desconstruir o racismo estrutural”, explicou Luís Felipe. “Nesta aula, explicamos sobre a falsa libertação. Fizemos provocações para que todos entendam por que estão aqui e agora”, acrescentou a professora. Ela explicou que, mesmo com a Lei do Ventre Livre, as crianças que deveriam ser livres precisavam permanecer com as mães ainda escravizadas. Essas crianças tornavam-se mão de obra barata, assim como os negros libertos, que não tinham direito a empregos decentes, à compra de terras ou ao acesso à educação. “No ano passado, terminei o meu mestrado em Educação Antirracista. Por meio do Movimento Livro e Leitura conseguimos falar sobre o antirracismo e sobre os indígenas na rede, o que não deveria ser obrigatório, mas natural, em virtude da nossa própria história”, afirmou o professor.
Antes dessa aula pública — a primeira de uma série —, a equipe da EM Lucinda Petigrossi, segundo a diretora Sandra Rangel Gomes Viragine, já havia promovido um encontro com duas indígenas para discutir a questão dos povos originários. Em 2024, Mauá recebeu o “Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização”, do governo federal, na categoria “Prata” — um reconhecimento às secretarias de educação que demonstram comprometimento com a alfabetização das crianças, valorizando políticas públicas, programas e estratégias como parte do “Compromisso Nacional Criança Alfabetizada” (CNCA).