Leo Lins: entenda a condenação, sentença e seus desdobramentos
Humorista foi punido por falas discriminatórias em show com milhões de visualizações; defesa promete recorrer
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 04/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O humorista Leo Lins, de 42 anos, foi sentenciado a uma pena de oito anos e três meses de prisão devido à propagação de discursos considerados discriminatórios durante um show de stand-up intitulado “Perturbador”, cujas imagens foram amplamente divulgadas na internet.
A decisão foi proferida pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo e inclui, além da prisão, a imposição de uma multa e o pagamento de indenização por danos morais coletivos. A defesa de Leo Lins já anunciou que irá recorrer da sentença.
Falas ofensivas e retirada do vídeo do ar
O conteúdo do show, que alcançou cerca de 3 milhões de visualizações, foi classificado pela Justiça como ofensivo a diversos grupos sociais, incluindo negros, homossexuais, pessoas com deficiência e outros segmentos vulneráveis. O vídeo foi retirado do YouTube em agosto de 2023 após uma ação do Ministério Público Federal (MPF), que argumentou que as falas do humorista feriam direitos fundamentais.

A juíza Barbara de Lima Iseppi destacou em sua decisão o impacto negativo das declarações de Leo Lins, afirmando que elas incentivam a violência verbal e alimentam a intolerância. Segundo a magistrada, a “liberdade de expressão não pode ser utilizada como justificativa para discursos odiosos e discriminatórios”.
Além da condenação, o humorista deverá pagar uma quantia aproximada de R$ 303,6 mil por danos morais coletivos. A defesa expressou preocupação com o precedente criado pela condenação, comparando-a à censura e argumentando que impõe restrições severas à liberdade artística no Brasil.
Repercussão entre artistas e debate sobre liberdade de expressão
Leo Lins usou suas redes sociais para comentar sobre a situação, compartilhando imagens da estátua da deusa Themis e questionando se “sua arte havia sido criminalizada”. Em sua carreira, o humorista sempre se destacou por seu estilo provocativo e polêmico, tendo sido finalista em competições televisivas e participado de programas humorísticos renomados.

A sentença revela um aspecto mais amplo da discussão sobre os limites da liberdade de expressão na comédia contemporânea. Enquanto críticos apontam os riscos da normalização de discursos discriminatórios, defensores argumentam que o humor deve ter espaço para “provocar reflexões e transgredir limites”.
A controvérsia em torno do caso gerou reações entre colegas do meio humorístico. Alguns, como Marcelo Tas, consideraram a decisão judicial “alarmante”, destacando que “o humor deve ser livre dentro do espaço apropriado”. Por outro lado, figuras como Antonio Tabet manifestaram apoio ao humorista, considerando a condenação “desproporcional e um ataque à liberdade criativa”.
Este episódio não apenas marca um ponto crucial na carreira de Leo Lins, mas também levanta questões significativas sobre os direitos artísticos em face da responsabilidade social e ética na comédia.