Léo Araújo leva arte urbana do ABC a festival na Colômbia

Léo Araújo participa de festival internacional e promove intercâmbio cultural por meio do graffiti

Crédito: Edu Guimarães

A linguagem falada pode mudar de um país para outro, mas a arte urbana segue como um código universal. É com essa perspectiva que Léo Araújo, conhecido como Neguim, desembarca na Colômbia entre os dias 12 e 15 de fevereiro para participar do projeto “Arte En Fusión”, realizado no distrito de Ciudad Bolívar, na periferia de Bogotá.

Artista visual e produtor cultural, Léo Araújo vive e atua a partir do Jardim Alvorada, em Santo André, e foi convidado pelo coletivo Montaña Cromática, responsável pela organização do festival. O evento reúne artistas locais e internacionais em ações que utilizam a cultura de rua como ferramenta de comunicação, pertencimento e transformação social.

Segundo o artista, a conexão entre os territórios é imediata. “Assim como o Jardim Alvorada, a Ciudad Bolívar é um bairro periférico onde pessoas historicamente invisibilizadas usam a cultura para se expressar”, afirma Léo Araújo, que define sua produção como fruto de uma vivência direta com a rua e suas dinâmicas.

Graffiti como elo entre periferias latino-americanas

Léo Araújo
Edu Guimarães

A participação de Léo Araújo no “Arte En Fusión” inclui uma pintura coletiva com artistas colombianos e convidados de outros países, utilizando o graffiti — um dos pilares do hip hop — como linguagem central. Além da intervenção artística, o andreense também ministra uma palestra sobre o conceito de fusão cultural, traçando paralelos entre o trabalho desenvolvido pela Montaña Cromática e a Macacolândia, coletivo e projeto criado por ele em 2015.

Para o artista, a expectativa é que a experiência gere identificação e troca. “Quero que as pessoas sintam essa energia de construção coletiva, assim como aconteceu no Jardim Alvorada. A arte sempre foi transformação, especialmente para quem é esquecido, porque dialoga com temas como acesso, memória e espaço urbano”, explica Léo Araújo.

O artista também destaca a dimensão simbólica do intercâmbio. “Mesmo que a língua não seja a mesma, pintar para as pessoas é comunicação. Somos povos da América Latina, falamos muito de ancestralidade e presença. Acredito na força de unir pessoas sem apagar identidades, construindo algo em comum”, conclui.

A participação de Léo Araújo no festival internacional reforça o papel da arte de rua como ponte entre realidades semelhantes e consolida a produção cultural periférica do ABC Paulista no cenário latino-americano.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 05/02/2026
  • Fonte: Secult PMSCS