Leão XIV inicia oficialmente seu pontificado com missa para multidão em Roma

Cerimônia reúne líderes globais e sinaliza os desafios que aguardam o novo papa Leão XIV

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Neste domingo (18), o Vaticano foi palco de um dos eventos religiosos mais significativos do ano: a missa que oficializa o início do papado de Leão 14. A celebração, realizada na Praça São Pedro, deve reunir cerca de 250 mil fiéis, além de delegações diplomáticas de 144 países e representantes de organizações internacionais.

A participação dos países de origem do novo papa, Estados Unidos e Peru, terá destaque. A presidente peruana Dina Boluarte e o vice-presidente norte-americano J. D. Vance, acompanhado do secretário de Estado Marco Rubio, estão entre os presentes.

A chegada da comitiva dos EUA provocou bloqueios no trânsito de Roma, sob intenso esquema de segurança. A presença do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e do vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, também chama atenção.

Desafios à frente: de fiéis em queda à crise financeira

O novo líder da Igreja Católica assume o pontificado em um cenário de desafios complexos. Apesar de o número de católicos no mundo ultrapassar 1,4 bilhão, o crescimento da fé é desigual. Enquanto a África registra aumento expressivo, a Europa mostra sinais de estagnação — na Alemanha, mais de 320 mil fiéis deixaram a Igreja em 2024.

Além disso, há um declínio global no número de padres, seminaristas e religiosas. Em 2023, o número de padres caiu 0,2%, e o de seminaristas, 1,8%. Já o número de religiosas teve retração de 1,6%. A situação financeira do Vaticano também preocupa: o último relatório aponta um déficit de 83 milhões de euros na Cúria e um rombo previdenciário que ultrapassa os 600 milhões de euros.

Unidade, diplomacia e herança progressista

A missão de Leão 14 inclui ainda a reconstrução da unidade interna da Igreja, marcada por tensões durante o papado de Francisco, principalmente em temas como a bênção a casais homossexuais. Como americano, o novo papa também precisa lidar com um cenário polarizado nos EUA, especialmente diante das críticas que fez ao governo Trump e às políticas anti-imigração.

Na diplomacia, Leão 14 herda uma agenda delicada. Terá que encontrar o tom certo em conflitos como o da Ucrânia e o do Oriente Médio — temas nos quais Francisco enfrentou críticas por posturas consideradas ambíguas. Além disso, as relações com a China seguem sendo um ponto sensível, com um acordo de nomeação de bispos ainda controverso entre membros do clero.

Por fim, questões como a maior inclusão de mulheres na governança e o combate a abusos sexuais dentro da Igreja devem continuar no radar do pontífice. A comunidade católica, especialmente nos Estados Unidos, exige respostas firmes e concretas diante de escândalos que abalaram a confiança nas últimas décadas.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 18/05/2025
  • Fonte: Fever