Leão 14: Bastidores e revelações do conclave que mudou os rumos da igreja

Cardeais começam a revelar detalhes da eleição que escolheu o novo papa

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A eleição de Leão 14 como novo pontífice da Igreja Católica, ocorrida na Capela Sistina, começa a ganhar contornos mais nítidos a partir das declarações de alguns dos 133 cardeais que participaram do conclave.

Em uma das informações mais surpreendentes, o cardeal Désiré Tsarahazana, de Madagascar, comentou que o americano Robert Prevost recebeu “bem mais de cem votos” — número bem superior aos 89 necessários para atingir os dois terços do colégio eleitoral.

A declaração expõe um dos dados mais confidenciais do conclave, cuja divulgação pode levar até à excomunhão, segundo a constituição apostólica.

Clima de emoção e serenidade marcou a eleição

Apesar do sigilo, relatos oferecidos à imprensa italiana e a outros veículos ajudam a pintar o cenário da eleição papal. Segundo o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, Prevost demonstrava ansiedade durante a votação final.

Tagle contou que o novo papa aceitou uma bala para aliviar a tensão, gesto que ele classificou como seu “primeiro ato de caridade” para com Leão 14.

O italiano Pietro Parolin, um dos favoritos ao papado, descreveu um “longo e caloroso aplauso” após o “aceito” de Prevost, destacando a serenidade do momento.

O francês Dominique Mamberti, responsável por anunciar o “Habemus Papam”, revelou ter se surpreendido com a escolha do nome Leão 14. De sua posição na Capela Sistina, afirmou ter visto Prevost visivelmente emocionado, mas calmo ao aceitar o chamado. A percepção de serenidade também foi compartilhada por Parolin.

Conclave mais tranquilo e discurso histórico

Para o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, o clima do conclave de 2025 foi marcadamente mais calmo do que o de 2013, quando o papa Francisco foi eleito em meio a uma renúncia inédita.

“A Igreja estava em um momento de maior estabilidade agora, o que favoreceu um ambiente sereno”, observou.

A única votação do primeiro dia se estendeu por mais de três horas, em parte devido a uma palestra do cardeal Raniero Cantalamessa sobre os 1.700 anos do Concílio de Niceia.

O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, explicou que o processo não tem horário fixo e que o tempo “parece não passar” dentro do conclave.

Enquanto mais cardeais compartilham suas impressões, o mosaico da eleição de Leão 14 se completa aos poucos, revelando não apenas os bastidores de uma escolha histórica, mas também o espírito coletivo de uma Igreja em transição.

  • Publicado: 26/01/2026
  • Alterado: 26/01/2026
  • Autor: 10/05/2025
  • Fonte: Léo Santana