LDO será discutido por Haddad e Alcolumbre nesta quarta
O adiamento revela o crescente impasse fiscal no país, onde a aprovação da LDO 2026 se tornou uma corrida contra o tempo.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 14/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional adiou a votação do relatório final referente à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2026. A deliberação, originalmente marcada para esta terça-feira (14), foi postergada após um pedido de última hora do Governo Federal, que busca promover ajustes críticos no texto. O objetivo é evitar um colapso nas contas públicas, intensificado pela recente frustração de receitas.
O adiamento revela o crescente impasse fiscal no país, onde a aprovação da LDO 2026 se tornou uma corrida contra o tempo. O texto é a espinha dorsal para a elaboração do Orçamento da União, definindo as metas fiscais e as prioridades de gastos.
Diálogo de alto nível para aprovação da LDO 2026

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, agendou uma reunião crucial com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para esta quarta-feira (15). O encontro visa encontrar um caminho para solucionar o déficit orçamentário previsto, que atualmente representa um buraco financeiro de R$ 35 bilhões a ser coberto para o próximo ano.
A confirmação da reunião foi dada pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que destacou a urgência do diálogo. “Sugeri ao ministro Haddad que entrasse em contato com o presidente Davi Alcolumbre. Eles devem conversar amanhã para discutir alternativas”, afirmou Randolfe. O senador ressaltou ainda sua interlocução com o presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), senador Efraim Filho (União Brasil-PB), reforçando a busca por uma solução conciliatória que permita a aprovação da LDO 2026.
Desafio de fechar as contas da LDO 2026
O cenário de urgência foi provocado, principalmente, pela rejeição de uma medida provisória que apresentava alternativas para o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Sem os recursos que seriam gerados por essa MP, o desafio de fechar as contas da LDO 2026 se tornou dramaticamente mais complexo.
Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o próprio ministro Haddad reconheceu a gravidade da situação. Ele observou que a dificuldade em aprovar o texto sem os recursos previstos pela referida MP é um “entendimento crescente entre deputados e senadores sobre as dificuldades que enfrentaremos para aprovar a LDO sem esses recursos”. A equipe econômica precisa agora encontrar alternativas viáveis para a arrecadação ou propor cortes no orçamento que sejam politicamente palatáveis.
Cortes e Emendas em Risco: as consequências do impasse
Haddad alertou que o impacto dessa situação se estende a diversos aspectos orçamentários, desde a possibilidade de cortes em áreas prioritárias até restrições mais severas nas emendas parlamentares. O dilema é claro: ou o Congresso concorda com novas fontes de receita ou terá que aceitar uma redução drástica nas despesas.
A pressão política é intensa, uma vez que as emendas são cruciais para a articulação do Executivo com o Legislativo. Qualquer corte nessa rubrica gera atrito imediato com a base aliada. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) precisa ser aprovada com responsabilidade fiscal, mas também com o apoio do Congresso.
O ministro, no entanto, manifestou otimismo em relação à colaboração das lideranças do Congresso, especialmente após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sua viagem à Itália. “Vamos nos reunir com os líderes para buscar uma solução viável para o orçamento do próximo ano”, concluiu Haddad, reforçando que o destino da LDO 2026 e a estabilidade fiscal do país dependem da capacidade de diálogo entre Executivo e Legislativo. O tempo, no entanto, é o inimigo mais implacável.