Lava Jato altera disputas nos Estados
Levantamento do ‘Estado’ mostra que a operação influi e modifica cenário eleitoral em pelo menos 14 das 27 unidades federativas do País
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 15/10/2017
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Iniciada em março de 2014, a Lava Jato já impacta no cenário eleitoral de 2018 em pelo menos 14 das 27 unidades da Federação, aponta levantamento do Estadão/Broadcast. O efeito mais comum tem sido a revisão dos planos eleitorais de líderes políticos. Citados em delações, alvo de inquéritos ou ações, nomes antes cotados para cargos majoritários no Executivo agora traçam planos mais modestos nas disputas do ano que vem. O mandato garante a prerrogativa de foro no Supremo Tribunal Federal.
Os políticos envolvidos na Lava Jato negam qualquer irregularidade. A mudança de planos acontece principalmente entre os atuais senadores que desejam renovar seus mandatos em outubro do próximo ano. Um deles é o próprio presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).
O peemedebista se movimenta para ser candidato à reeleição em 2018 e não ao governo do Estado, como queria até então. Em 2014, quando ainda tinha mais quatro anos de mandato, ele se candidatou a governador. Acabou em segundo lugar, derrotado pelo petista Camilo Santana. Agora, Eunício não só quer disputar o Senado novamente, como negocia com Santana, seu antigo adversário e atual governador, para estar na mesma chapa que o grupo dele no pleito do próximo ano.
No Amazonas, os dois senadores, Eduardo Braga (PMDB) e Vanessa Graziottin (PC do B), também estão revendo os planos para 2018. “O natural é o Senado”, disse o peemedebista, que inicialmente queria se candidatar a governador. Vanessa, por sua vez, disse a aliados que deve tentar uma vaga na Câmara dos Deputados – o mesmo plano dos senadores Gleisi Hoffmann (PR) e Humberto Costa (PE), ambos do PT. Ré na Lava Jato, a presidente nacional da legenda petista desejava inicialmente se eleger governadora do Paraná.
A operação também dificultou o projeto presidencial de alguns políticos. O caso mais emblemático é o de Aécio Neves (MG), presidente licenciado do PSDB. O tucano queria disputar o Palácio do Planalto em 2018, como em 2014. Após ser alvo da delação da J&F, que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a afastá-lo do mandato e determinar recolhimento domiciliar noturno, Aécio deve disputar a reeleição. Seus aliados não descartam nem mesmo que ele tente uma cadeira de deputado.
As mudanças de planos e cenários nos Estados contribuem agora para a união de antigos adversários. Além do Ceará, essa aproximação vem acontecendo em Estados como Tocantins e Mato Grosso do Sul. No Tocantins, o atual governador, Marcelo Miranda (PMDB), negocia com o senador Ataídes Oliveira (PSDB), seu adversário político histórico no Estado. O acordo desenhado entre os dois prevê que Miranda dispute o Senado e o tucano, o governo do Estado.
PRESOS
A Lava Jato também colocou em dúvida ou até inviabilizou candidaturas, como a dos ex-ministros Henrique Eduardo Alves (RN) e Geddel Vieira Lima (BA), ambos do PMDB e presos preventivamente – por tempo indeterminado.
Em Roraima, a Lava Jato tornou incerta a candidatura da prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), ao governo do Estado. Ela é ex-mulher do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que é investigado na operação.
Alvo de 12 inquéritos no Supremo, sendo oito na Lava Jato, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), por exemplo, mudou de lado e foi para oposição ao governo Michel Temer. Em Alagoas, pesquisas internas mostram que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida presidencial em 2018, quando Renan tentará renovar o mandato. Todos os citados já negaram envolvimento em crimes.
CENÁRIO PÓS-LAVA JATO – Citados em delações ou alvos de investigações, políticos são obrigados a rever planos eleitorais para 2018
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Região |
Situação |
Cenário |
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Rio de Janeiro |
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Eduardo Paes (Ex-prefeito (PMDB)) |
Citado em delações |
Paes era um dos nomes mais fortes para o governo do Estado. Sua candidatura agora é dúvida |
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Minas Gerais |
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Aécio Neves (senador (PSDB)) |
Afastado do mandato após a delação da JBS |
Tucano abandonou a ideia de tentar o Planalto e agora avalia se vai para o Senado ou para a Câmara |
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Paraná |
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Gleisi Hoffmann Senadora (PT) |
Gleisi é ré na Lava Jato, acusada de receber R$ 1 milhão de caixa dois para sua campanha em 2010 |
Senadora cogitava disputar o governo do Estado mas agora trabalha com a hipótese de ser candidata a deputada federal |
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Beto Richa Governador (PSDB) |
Beto Richa é citado nas delações da JBS e da Odebrecht |
O governador planejava ser o candidato do PSDB ao Senado, mas agora avalia permanecer no cargo até o fim do mandato |
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Alagoas |
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Renan Calheiros Senador (PMDB) |
Alvo de 12 inquéritos no STF, sendo oito na Lava Jato |
Mudou de lado e foi para a oposição ao governo Temer em busca de sobrevivência política |
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Bahia |
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Geddel V. Lima Ex-Ministro (PMDB) |
Citados em delações e implicados na descoberta do “bunker” de R$ 51 milhões de Geddel, que hoje está preso |
Lúcio, deputado federal, se articulava para ser o candidato do PMDB ao Senado na chapa de ACM Neto. Mas a descoberta do “bunker” de R$ 51 milhões de Geddel respingou no irmão e o grupo do prefeito de Salvador descartou o nome de Lúcio |
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Lúcio Vieira Lima Deputado Federal (PMDB) |
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Ceará |
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Eunício Oliveira Presidente do Senado (PMDB) |
Citado nas delações da JBS e da Odebrecht por suposto recebimento de propina |
O peemedebista queria disputar o governo do Ceará, mas articula reeleição ao Senado |
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Rio Grande do Norte |
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Henrique Eduardo Alves Ex-Presidente Da Câmara (PMDB) |
Henrique Alves está preso pela Lava Jato |
Lava Jato inviabilizou candidatura ao governo do Estado do ex-ministro, que está preso desde 6 de junho |
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Garibaldi Alves Senador (PMDB) |
Garibaldi foi denunciado pela PGR |
Para garantir reeleição, Garibaldi Alves cogita aliança com a senadora Fátima Bezerra (PT) |
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Pernambuco |
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Humberto Costa Senador (PT) |
Humberto Costa foi citado na delação da Odebrecht |
Humberto Costa cogita disputar uma vaga na Câmara dos Deputados |
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Fernando Bezerra Senador (PMDB) |
Fernando Bezerra citado em delações como Andrade Gutierrez |
Bezerra deixou o PSB e se aproximou do Planalto para ser o candidato do partido ao governo do Estado |
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Alagoas |
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Eduardo Braga Senador (PMDB) |
Citado nas delações da Odebrecht |
O peemedebista desistiu de disputar governo do Estado e tentará reeleição para o Senado |
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Vanessa Grazziottin Senadora (PCDOB) |
Citada nas delações da Odebrecht |
Vanessa não deve disputar reeleição e cogita disputar uma vaga de deputada federal |
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Tocantins |
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Marcelo Miranda Governador (PMDB) |
Citado na delação da Odebrecht por suposto recebimento de propina |
Atingido por denúncias, o governador Marcelo Miranda negocia com o senador Ataídes Oliveira (PSDB), antigo inimigo político |
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Roraima |
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Teresa Surita Prefeita De Boa Vista (PMDB) |
Ex-marido da prefeita, senador Romero Jucá (PMDB) foi citado em várias delações, como Odebrecht, JBS, Sérgio Machado |
A Lava Jato respingou em Teresa Surita, ex-mulher e aliada de Jucá. Ela estava cotada para disputar o governo na chapa com o ex-marido |
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Distrito Federal |
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Tadeu Filippelli Ex-Vice-Governador (PMDB) |
Citado na delação da Andrade Gutierrez |
Era o principal nome do PMDB para disputar o governo do Distrito Federal. Agora perdeu força na disputa regional |
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Mato Grosso |
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Blairo Maggi Ministro Da Agricultura (PP) |
Citado em delações como a da Odebrecht e a do ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB |
Era tido como candidato natural do PP à Presidência da República. O mandato de Blairo Maggi como senador se encerra nesta legislatura |
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Mato Grosso do Sul |
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PT, PMDB E PSDB |
A Lava Jato atingiu todos os três principais partidos brasileiros, PT, PMDB e PSDB, no Mato Grosso do Sul |
Partidos agora avaliam se unir para que as legendas não se dividam nas eleições |
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