O "Lambeijo" do cachorro: Afeto ou risco à saúde?
Veterinária do CEUB alerta que, apesar de ser um gesto de carinho, permitir o "Lambeijo" no rosto, boca ou nariz pode expor tutores a microrganismos perigosos
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 14/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O famoso “lambeijo”, interpretado por muitos como a maior prova de amor canino, é um comportamento instintivo e social. A professora Fabiana Volkweis, do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), confirma que os cães usam a lambedura para expressar afeto, reduzir o estresse e fortalecer os laços sociais, um hábito herdado de seus ancestrais.
“É uma forma de interação que remete ao convívio em matilha, onde o gesto representa respeito e vínculo”, explica Fabiana Volkweis.
Lambeijo – Por que o hábito deve ser evitado
Apesar do carinho do lambeijo, a especialista alerta que permitir que o cão lamba o rosto, a boca ou o nariz deve ser evitado, mesmo que o animal esteja aparentemente saudável e com a vacinação em dia.
O risco reside na higiene do pet:
- A boca do cão funciona como “porta de entrada” para diversos agentes patogênicos: vírus, bactérias, fungos e protozoários.
- Cães realizam a própria higienização através da lambedura, que inclui lamber áreas íntimas, feridas e até mesmo superfícies contaminadas (como poças de água e locais sujos).
- A transmissão de parasitas é um risco real. A veterinária exemplifica: “O cão pode, por exemplo, lamber o próprio ânus após defecar e, em seguida, lamber o tutor. Assim, ele acaba transmitindo parasitas e outros agentes patogênicos”.
Infecções possíveis

As vacinas protegem o pet contra doenças virais específicas, mas não impedem a transmissão de outros agentes. Entre as infecções que podem ser transmitidas pela saliva do cão estão:
- Bactérias e Fungos.
- Verminoses e Protozoários.
- Giardíase: Um dos casos mais comuns, causada por um protozoário que pode levar a sintomas como diarreia intensa, dor abdominal e vômitos no tutor.
Cuidados essenciais para pet e tutor
A prevenção e a redução dos riscos passam diretamente pela rotina de cuidados com o animal, segundo a professora Fabiana:
- Higiene Bucal: A escovação dental diária é ideal para reduzir o acúmulo de bactérias. O tártaro (placas bacterianas) deve ser monitorado, pois pode liberar bactérias na corrente sanguínea, afetando órgãos vitais como coração e rins.
- Saúde Dental: Cães com mau hálito, gengivas inflamadas ou perda dentária devem passar por avaliação de um veterinário especialista em odontologia.
- Hidratação: Garantir que o cão tenha acesso apenas a água potável e limpa, evitando o consumo em poças ou recipientes contaminados.
- Vermifugação: Embora não impeça novas infecções, a vermifugação é crucial para eliminar parasitas já presentes no organismo. O acompanhamento veterinário individualizado é indispensável.
Redirecionando o afeto
Para cães muito carinhosos e insistentes com os lambeijos, a recomendação é redirecionar o comportamento de forma positiva.
O tutor deve ignorar as lambidas e, em vez disso, oferecer outras formas seguras de interação e afeto:
- Afagos.
- Brincadeiras.
- Comandos de reforço (positivos).
Com a prática, o cão entenderá que o carinho do tutor não está condicionado à lambedura, passando a expressar amor de maneiras igualmente carinhosas e, principalmente, mais seguras.