Kizomba e Samba-Rock celebram identidade negra em Diadema
Mais de 400 pessoas prestigiam o evento no Campanário, provando que a Kizomba fortalece a luta e a cultura do movimento negro.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 12/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Em uma noite memorável de celebração e resistência, a 24ª edição da Kizomba – Festa da Raça movimentou o bairro Campanário, em Diadema (SP), na última terça-feira (11) em uma programação dedicada a valorizar a Importância da Identidade Negra. O evento, organizado pela Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Creppir) em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, reuniu artistas, líderes comunitários e, segundo estimativas da organização, mais de 400 moradores no Centro Cultural Vladimir Herzog.
O tema central da edição, que se desdobra em diversas atividades ao longo do Mês da Consciência Negra, ressoou em cada apresentação. O objetivo principal é dar visibilidade às lutas históricas e à riqueza cultural do movimento negro na cidade. A palavra “Kizomba” vem do tronco linguístico Banto — um grande conjunto de línguas africanas —, e significa literalmente “festa” na língua Kimbundo, falada em Angola. Em Diadema, essa festa é sinônimo de reafirmação e orgulho.
A ancestralidade no Palco do Campanário

O amplo teatro do Centro Cultural foi o palco de espetáculos que mergulharam nas raízes africanas. A Companhia de Dança 60+, liderada pelo professor e coreógrafo Jurandir de Souza, emocionou o público com “Ancestralidade”, uma performance vibrante inspirada na eterna Elza Soares. Em seguida, a energia contagiante do Ponto Cultural Tribo Mubangi Africanidades tomou conta da plateia com danças de matriz africana, o folclore do maculelê e a tradição da capoeira.
Para Jurandir de Souza, o evento é um “encontro de tudo o que veio do nosso povo de África”. Ele destacou a importância de unir forças: “Por isso aproveitamos e chamamos o movimento negro do Campanário, que completa 30 anos este mês, o Conselho da Igualdade Racial, a Creppir, o programa Dandara e Piatã, para que os moradores conheçam as ações e atividades que valorizam esta cultura.” A iniciativa visa não apenas entreter, mas também informar a população sobre os instrumentos de apoio e as políticas públicas existentes.
Por que o Desconhecimento Gera Preconceito
Um dos pontos altos da 24ª Kizomba foi a oportunidade de desmistificar a cultura afro-brasileira. Juliano Martins, 44, do Tribo Mubangi, expressou sua satisfação em levar o trabalho cultural do seu dia-a-dia ao evento. Segundo ele, é crucial apresentar o folclore para a comunidade, pois muitas vezes o preconceito é fruto do desconhecimento.
“Os cantos em língua banto, as divindades de Angola e do Congo, são nossos mitos que estamos abrindo aqui para o público. E dá muita alegria ver as pessoas se abrindo, batendo palma, se identificando com suas raízes africanas.”
Essa identificação foi sentida por Ivone Anunciação Barbosa, 57, moradora do Campanário há 27 anos, que assistiu ao 24ª Kizomba com sua turma do EJA. Ela confessou que desconhecia a grandiosidade do centro cultural “na porta de casa” e celebrou a experiência: “Foi tudo maravilhoso. Se eu pudesse, só saía daqui de madrugada”, festejou. Negra, a moradora compartilhou já ter sofrido preconceito, inclusive por causa de seu cabelo. Ela concluiu que “Atividades assim ajudam muito a combater o preconceito”, pois geram mais orgulho e conhecimento.
Manter a chama da Kizomba Viva
A participação intergeracional foi notada e celebrada. Thallys Gustavo, 24, ressaltou o papel essencial dos mais velhos em transmitir a história do povo negro para os jovens. “Fala-se muito pouco dessas nossas conquistas, então esses eventos preenchem esse vazio e mostram pro povo a nossa cultura”, afirmou. Para ele, a Kizomba é um farol de esperança. “Minha esperança é que mais jovens participem também, para manter essa chama viva”, completou, reforçando a necessidade da continuidade.
A noite de celebração, união e orgulho no Campanário terminou com chave de ouro, embalada pelo samba-rock. Essa fusão de ritmos tipicamente brasileira é o retrato mais do que fiel da pluralidade de saberes e fazeres que o bairro e a cultura negra brasileira representam. A programação completa da 24ª Kizomba – Festa da Raça em Diadema segue disponível no portal oficial da Prefeitura.