Kiev denuncia ataques a aeroportos antes de visita dos EUA 

Kiev acusa Rússia de atacar aeroportos antes da chegada de enviados de Trump, que viajam à Ucrânia para discutir o fim da guerra

Kiev denuncia ataques a aeroportos antes de visita dos EUA 

Crédito: Office of the President of Ukraine/B66/Avalon/Photoshot/

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, denunciou neste sábado (5) ataques russos realizados durante a madrugada contra aeroportos de Kiev e da cidade de Boryspil. Segundo o líder ucraniano, os bombardeios ocorreram às vésperas da chegada de representantes do governo dos Estados Unidos à capital para discutir alternativas para encerrar a guerra.

Para Zelenski, os ataques foram uma reação direta aos preparativos para a viagem dos enviados norte-americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, à Ucrânia. A expectativa é que a dupla se reúna com autoridades ucranianas neste domingo (6), depois de passar por Moscou neste sábado.

Kiev vê relação entre ataques e visita dos EUA

Em declaração publicada neste sábado, Zelenski afirmou que os ataques contra os dois aeroportos de Kiev foram realizados de forma deliberada e estariam relacionados aos preparativos para uma possível viagem aérea da delegação americana.

“Está claro que esses ataques russos aos aeroportos são uma reação às conversas e aos preparativos para que a delegação americana possa viajar à Ucrânia”, afirmou Zelenski.

Segundo o presidente ucraniano, não existe, por parte de Kiev, qualquer ameaça à iniciativa diplomática. Ele também defendeu que a Rússia adote uma postura semelhante durante a passagem dos representantes dos Estados Unidos.

A Ucrânia já havia anunciado uma suspensão temporária de ataques aéreos contra o território russo durante a visita dos enviados, após os norte-americanos solicitarem garantias de segurança dos dois lados.

Aeroportos estão fechados desde o início da guerra

Os ataques ocorrem em um contexto particularmente sensível para a aviação ucraniana. O tráfego aéreo comercial da Ucrânia permanece suspenso desde o início da invasão russa em larga escala, em 2022.

O Aeroporto Internacional de Boryspil, o maior aeroporto internacional do país, não opera voos comerciais regularmente desde o começo da guerra. Ainda assim, a infraestrutura permanece estratégica e poderia ser utilizada em uma eventual chegada de autoridades estrangeiras por via aérea.

Enviados de Trump seguem para Kiev

Enquanto Kiev denunciava os ataques, Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram a Moscou neste sábado para uma reunião com o presidente russo Vladimir Putin.

Os representantes foram enviados pelo presidente americano Donald Trump, que afirmou que os dois levam uma proposta para tentar colocar fim ao conflito entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de quatro anos. A previsão é de que, depois da agenda em Moscou, eles sigam para Kiev no domingo.

A reunião com Putin será acompanhada com atenção justamente porque as negociações entre russos e ucranianos estão paralisadas desde fevereiro. O Kremlin, embora tenha sinalizado disposição para receber os enviados americanos, mantém resistência a uma eventual cúpula envolvendo os três países sem que exista como objetivo a assinatura de um acordo definitivo.

Zelenski pede reciprocidade à Rússia

Além de denunciar os ataques aos aeroportos, Zelenski pediu que Moscou respeite uma pausa nos ataques durante a missão diplomática americana.

O presidente ucraniano afirmou que a suspensão das ações aéreas por parte de seu país tem como objetivo permitir que as conversas ocorram nas melhores condições possíveis.

No entanto, os ataques recentes mostram que a escalada militar continua mesmo diante das tentativas de reabrir o diálogo. Na sexta-feira (4), um drone russo atingiu a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), no centro de Kiev, deixando feridos e provocando incêndios na região.

Kiev enfrenta nova escalada de ataques

A denúncia deste sábado ocorre após uma sequência de ataques russos contra Kiev e outras regiões ucranianas. Nos últimos dias, a capital enfrentou ofensivas aéreas recorrentes com drones e mísseis, afetando infraestrutura e a rotina da população.

A escalada também acontece enquanto Estados Unidos, Rússia e Ucrânia tentam encontrar algum caminho para retomar as negociações. A missão de Witkoff e Kushner representa uma nova tentativa de Washington de aproximar as partes.

Apesar da expectativa em torno da visita, permanecem grandes divergências entre Moscou e Kiev sobre território, garantias de segurança e o futuro da relação da Ucrânia com a Otan.

Kiev, portanto, chega ao encontro diplomático sob forte pressão militar, enquanto tenta garantir que a visita dos enviados americanos ocorra sem novos ataques e possa abrir espaço para uma negociação sobre o fim da guerra.

Gabriel de Jesus

  • Publicado: 05/09/2026 14:57
  • Alterado: 05/09/2026 14:57
  • Autor: Gabriel de Jesus