Kiev denuncia ataques a aeroportos antes de visita dos EUA
Kiev acusa Rússia de atacar aeroportos antes da chegada de enviados de Trump, que viajam à Ucrânia para discutir o fim da guerra
- Publicado: 05/09/2026 14:57
- Alterado: 05/09/2026 14:57
- Autor: Gabriel de Jesus
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, denunciou neste sábado (5) ataques russos realizados durante a madrugada contra aeroportos de Kiev e da cidade de Boryspil. Segundo o líder ucraniano, os bombardeios ocorreram às vésperas da chegada de representantes do governo dos Estados Unidos à capital para discutir alternativas para encerrar a guerra.
Para Zelenski, os ataques foram uma reação direta aos preparativos para a viagem dos enviados norte-americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, à Ucrânia. A expectativa é que a dupla se reúna com autoridades ucranianas neste domingo (6), depois de passar por Moscou neste sábado.
Kiev vê relação entre ataques e visita dos EUA
Em declaração publicada neste sábado, Zelenski afirmou que os ataques contra os dois aeroportos de Kiev foram realizados de forma deliberada e estariam relacionados aos preparativos para uma possível viagem aérea da delegação americana.
“Está claro que esses ataques russos aos aeroportos são uma reação às conversas e aos preparativos para que a delegação americana possa viajar à Ucrânia”, afirmou Zelenski.
Segundo o presidente ucraniano, não existe, por parte de Kiev, qualquer ameaça à iniciativa diplomática. Ele também defendeu que a Rússia adote uma postura semelhante durante a passagem dos representantes dos Estados Unidos.
A Ucrânia já havia anunciado uma suspensão temporária de ataques aéreos contra o território russo durante a visita dos enviados, após os norte-americanos solicitarem garantias de segurança dos dois lados.
Aeroportos estão fechados desde o início da guerra
Os ataques ocorrem em um contexto particularmente sensível para a aviação ucraniana. O tráfego aéreo comercial da Ucrânia permanece suspenso desde o início da invasão russa em larga escala, em 2022.
O Aeroporto Internacional de Boryspil, o maior aeroporto internacional do país, não opera voos comerciais regularmente desde o começo da guerra. Ainda assim, a infraestrutura permanece estratégica e poderia ser utilizada em uma eventual chegada de autoridades estrangeiras por via aérea.
Enviados de Trump seguem para Kiev
Enquanto Kiev denunciava os ataques, Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram a Moscou neste sábado para uma reunião com o presidente russo Vladimir Putin.
Os representantes foram enviados pelo presidente americano Donald Trump, que afirmou que os dois levam uma proposta para tentar colocar fim ao conflito entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de quatro anos. A previsão é de que, depois da agenda em Moscou, eles sigam para Kiev no domingo.
A reunião com Putin será acompanhada com atenção justamente porque as negociações entre russos e ucranianos estão paralisadas desde fevereiro. O Kremlin, embora tenha sinalizado disposição para receber os enviados americanos, mantém resistência a uma eventual cúpula envolvendo os três países sem que exista como objetivo a assinatura de um acordo definitivo.
Zelenski pede reciprocidade à Rússia
Além de denunciar os ataques aos aeroportos, Zelenski pediu que Moscou respeite uma pausa nos ataques durante a missão diplomática americana.
O presidente ucraniano afirmou que a suspensão das ações aéreas por parte de seu país tem como objetivo permitir que as conversas ocorram nas melhores condições possíveis.
No entanto, os ataques recentes mostram que a escalada militar continua mesmo diante das tentativas de reabrir o diálogo. Na sexta-feira (4), um drone russo atingiu a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), no centro de Kiev, deixando feridos e provocando incêndios na região.
Kiev enfrenta nova escalada de ataques
A denúncia deste sábado ocorre após uma sequência de ataques russos contra Kiev e outras regiões ucranianas. Nos últimos dias, a capital enfrentou ofensivas aéreas recorrentes com drones e mísseis, afetando infraestrutura e a rotina da população.
A escalada também acontece enquanto Estados Unidos, Rússia e Ucrânia tentam encontrar algum caminho para retomar as negociações. A missão de Witkoff e Kushner representa uma nova tentativa de Washington de aproximar as partes.
Apesar da expectativa em torno da visita, permanecem grandes divergências entre Moscou e Kiev sobre território, garantias de segurança e o futuro da relação da Ucrânia com a Otan.
Kiev, portanto, chega ao encontro diplomático sob forte pressão militar, enquanto tenta garantir que a visita dos enviados americanos ocorra sem novos ataques e possa abrir espaço para uma negociação sobre o fim da guerra.