Keiko Fujimori é declarada presidente eleita do Peru após disputa acirrada
Keiko Fujimori venceu Roberto Sánchez por cerca de 50 mil votos e assumirá o comando do Peru em 28 de julho
- Publicado: 03/07/2026 15:53
- Alterado: 03/07/2026 15:53
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: ABCdoABC
A líder do partido Força Popular, Keiko Fujimori, foi oficialmente declarada presidente eleita do Peru nesta sexta-feira (03/07), após a autoridade eleitoral concluir a análise dos recursos apresentados após o segundo turno. A política conservadora venceu a disputa contra o senador de esquerda Roberto Sánchez por uma diferença de pouco mais de 50 mil votos, encerrando uma das eleições mais apertadas da história recente do país.
Segundo os resultados finais, Keiko Fujimori recebeu 50,135% dos votos válidos, enquanto Sánchez obteve 49,865%. A vitória foi consolidada após semanas de revisões de atas eleitorais e contestações judiciais. O adversário afirmou que não reconhece o resultado e voltou a alegar fraude no processo eleitoral, sem apresentar provas que comprovassem as acusações.
Keiko Fujimori já havia tentado a presidência outras vezes
Esta foi a quarta tentativa de Keiko Fujimori de chegar à Presidência do Peru. Ela havia sido derrotada nas eleições de 2011, 2016 e 2021, todas por margens apertadas. Agora, tomará posse em 28 de julho, tornando-se a décima pessoa a ocupar o cargo desde 2016, em um país marcado por forte instabilidade política e sucessivas trocas de governo.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e violações de direitos humanos, Keiko carrega um dos sobrenomes mais influentes — e controversos — da política peruana. Durante a campanha, defendeu uma agenda voltada ao combate à criminalidade, à recuperação da economia e à retomada da confiança dos investidores, mas terá pela frente o desafio de governar um país profundamente polarizado e com um Congresso fragmentado.
Contexto político no Peru nos últimos anos
O resultado coloca fim a uma apuração cercada por tensão. Desde o segundo turno, realizado em 7 de junho, Sánchez questionava a contagem dos votos, principalmente os registrados em consulados peruanos no exterior, alegando irregularidades e fraude eleitoral. Mesmo após a proclamação oficial do resultado, o candidato afirmou que não reconhece a vitória da adversária e prometeu continuar contestando o processo por vias legais, aprofundando a polarização que já marcou toda a campanha.
A eleição também simboliza a reviravolta política de Keiko Fujimori, que chegou à Presidência apenas na quarta tentativa. Ela havia sido derrotada em 2011, 2016 e 2021 — nesta última, justamente por uma diferença de pouco mais de 40 mil votos para Pedro Castillo. Desde então, permaneceu como uma das principais líderes da oposição e manteve forte influência no Congresso peruano. Agora, consegue devolver o sobrenome Fujimori ao Palácio do Governo mais de duas décadas após o fim do governo de seu pai, Alberto Fujimori, cuja gestão ainda divide opiniões no país por combinar crescimento econômico e combate ao terrorismo com denúncias de autoritarismo, corrupção e violações de direitos humanos.
A disputa deste ano refletiu a divisão política do Peru. Enquanto Keiko Fujimori concentrou seu apoio em Lima, entre empresários, setores conservadores e eleitores preocupados com o aumento da violência urbana, Roberto Sánchez, ex-ministro e representante da esquerda, teve maior respaldo nas regiões rurais e entre os eleitores que defendem reformas sociais e uma nova Constituição. O segundo turno foi marcado por uma campanha de forte contraste ideológico, considerada por analistas como uma escolha entre dois projetos políticos bastante distintos para o futuro do país.
Expectativa econômica
No campo econômico, a expectativa é de continuidade da política macroeconômica adotada pelo Peru nas últimas décadas, considerada favorável ao mercado. Agências de classificação de risco e investidores avaliam que um governo liderado por Keiko Fujimori pode ampliar a confiança do setor privado, acelerar investimentos — principalmente na mineração, principal atividade econômica do país — e destravar projetos que ficaram paralisados durante o período de instabilidade política. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o grande desafio será reduzir a polarização e construir uma relação estável com um Congresso fragmentado.
Entre as principais promessas de campanha, Keiko Fujimori destacou o endurecimento do combate ao crime organizado, o enfrentamento das extorsões praticadas por facções criminosas, a retomada do crescimento econômico, a geração de empregos e a modernização dos serviços públicos. O sucesso dessas propostas, no entanto, dependerá da capacidade do novo governo de formar maioria política e responder às demandas de uma população que, nos últimos anos, viu crescer a desconfiança nas instituições e o desgaste da classe política peruana.