Keeta estreia em São Paulo com capacete inteligente e simulações de rotas
Gigante do delivery investe R$ 1 bilhão em SP e aposta em capacete inteligente para vencer rivais.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 01/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
A Keeta, reconhecida globalmente como a maior empresa do setor de delivery, volta seus esforços para o mercado brasileiro trazendo inovações tecnológicas já consolidadas na China. A estratégia da companhia para o país inclui o lançamento de um capacete inteligente, focado inicialmente em ciclistas, e um sistema de simulação de rotas de altíssima performance, capaz de processar até um bilhão de simulações por segundo.
Danilo Mansano, vice-presidente da empresa no Brasil, reforça que a eficiência na operação de rotas é o pilar para construir um aplicativo robusto. Segundo o executivo, este fator é decisivo para atrair não apenas consumidores, mas também restaurantes e entregadores em um mercado disputado por players como iFood, Rappi e 99Food.
“Na China, nós realizamos bilhões de simulações de rotas por segundo. Todos os tipos de interferências e cenários já foram mapeados pela nossa plataforma, que opera há 14 anos naquele país”, afirmou Mansano.
Incentivos agressivos e operação inicial
Com uma base global de 770 milhões de usuários anuais e uma média de 80 milhões de pedidos por dia, a Keeta dá início às suas atividades em São Paulo e em outras oito cidades da região metropolitana nesta segunda-feira (1º), a partir das 11h.
Para ganhar tração rápida, a plataforma aposta em benefícios financeiros diretos:
- Novos usuários: Receberão um bônus de R$ 200.
- Garantia de pontualidade: Um voucher de R$ 50 será oferecido caso o pedido atrase.
- Entregadores: A remuneração prometida é de R$ 30 por hora para quem cumprir jornadas de oito horas diárias.
Tecnologia vestível e parceria com restaurantes
Um dos grandes diferenciais tecnológicos trazidos pela Keeta é o capacete inteligente. O equipamento, que funciona via Bluetooth, tem como finalidade monitorar o uso do dispositivo e identificar acidentes. Ao conectar o aplicativo a um chip no capacete via QR Code, o entregador consegue atender chamadas com um toque e receber orientações de rota por comando de voz.
Inicialmente exclusivo para ciclistas, o plano é expandir o uso do capacete para todos os motoristas parceiros. A empresa já contabiliza cerca de 98.200 entregadores cadastrados.
Para os restaurantes, a proposta é a liberdade comercial. A plataforma não exigirá contratos de exclusividade, permitindo que os estabelecimentos operem simultaneamente em outros aplicativos, além de oferecer suporte personalizado 24 horas.
Investimentos bilionários e visão de longo prazo

A entrada da Keeta no mercado paulista é apoiada por um aporte inicial de R$ 1 bilhão. Este valor integra um plano de investimento maior, que deve totalizar R$ 5,6 bilhões nos próximos anos. Apesar dos números expressivos, a liderança da empresa mantém uma visão realista sobre o retorno.
“Não viemos ao Brasil com a expectativa de resolver tudo em um ano. Entendemos que nosso trabalho deve ser focado em uma construção sustentável a longo prazo, enquanto lutamos batalhas estratégicas no curto prazo“, pontuou Mansano.
Fundada em 2023 como braço internacional da Meituan, a Keeta já opera em locais como Hong Kong e Oriente Médio, mas considera o Brasil seu segundo maior mercado global. Tony Qiu, CEO da companhia, observa que o setor de delivery brasileiro movimenta mais de US$ 10 bilhões e cresce acima de 20% ao ano.
Expansão e concorrência acirrada
A meta da Keeta é cobrir mais de 80% da população brasileira até o final de 2026, com foco na formação de equipes locais — hoje, 90% do quadro é composto por brasileiros — e na criação de centros operacionais na Região Norte.
O movimento da empresa chinesa aquece ainda mais a guerra do delivery no país:
- 99Food: Retornou ao mercado com previsão de investir R$ 2 bilhões até junho de 2026.
- iFood: Anunciou investimentos totais de R$ 17 bilhões até março de 2026.
- Rappi: Implementou taxa zero para restaurantes e investirá R$ 1,4 bilhão na integração de pequenos e médios negócios.