Justiça dos EUA pressiona Google a se desfazer do Chrome por monopólio nas buscas
Além da venda do Chrome, o governo norte-americano quer proibir o Google de realizar acordos financeiros com empresas como Apple e Samsung para manter sua busca como padrão nos dispositivos móveis
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 21/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) voltou a intensificar sua ofensiva contra o Google.
Em uma audiência realizada nesta segunda-feira (21), representantes do governo defenderam a necessidade de medidas drásticas para restaurar a concorrência no mercado de buscas online.
Essa medida incluiu a exigência de que o Google se desfaça do navegador Chrome.
Governo defende ações para romper “ciclo anticompetitivo”
Durante os primeiros argumentos do julgamento, o advogado do DoJ, David Dahlquist, afirmou que o Google mantém um “ciclo de práticas anticompetitivas” que garante sua posição dominante.
Segundo ele, para “descongelar esse bloco de gelo”, seriam necessárias mudanças estruturais que permitam maior acesso de concorrentes ao mercado.
O caso é uma continuação do veredicto de agosto do ano passado, quando o juiz federal Amit P. Mehta classificou o Google como um “monopolista” que abusou ilegalmente de seu poder de mercado.
O julgamento atual, conduzido pelo mesmo juiz, deve durar três semanas, com uma decisão final sobre as medidas corretivas esperada entre agosto e setembro deste ano.
Propostas do governo envolvem Chrome, Android e acordos com fabricantes
Além da venda do Chrome, o governo norte-americano quer proibir o Google de realizar acordos financeiros com empresas como Apple e Samsung para manter sua busca como padrão nos dispositivos móveis.
Também estão em debate medidas que obrigariam a companhia a compartilhar dados técnicos com rivais do setor.
Caso as mudanças não tragam resultados significativos em até cinco anos, o Departamento de Justiça sugere que o Google seja forçado a vender também o sistema operacional Android.
Essas recomendações vêm sendo discutidas desde a administração Trump e foram reafirmadas recentemente, indicando um consenso bipartidário sobre a necessidade de frear o domínio da Big Tech.
Defesa do Google classifica propostas como “extremas”
O advogado do Google, John Schmidtlein, contestou veementemente as sugestões do governo, classificando-as como “extremas” e “conceitualmente equivocadas”. Ele argumentou que o sucesso da empresa se deve a investimentos estratégicos e à capacidade de inovação, especialmente durante a expansão da internet móvel.
Schmidtlein também alertou que as medidas sugeridas podem distorcer a concorrência, beneficiando empresas que não teriam alcançado destaque por mérito próprio. “Essas propostas recompensam a falta de inovação e punem o sucesso legítimo”, afirmou o advogado.
Impacto no mercado e precedentes históricos
Especialistas afirmam que os desdobramentos do processo podem ter impactos profundos na forma como os usuários acessam a internet. Com a possível separação do Chrome e outras mudanças, o ambiente digital poderá se tornar mais fragmentado, oferecendo mais opções, mas também exigindo adaptações dos usuários.
Este é apenas um dos processos antitruste enfrentados pelo Google. Recentemente, a empresa foi considerada monopolista também no setor de publicidade digital e em sua loja de aplicativos, reforçando um cerco regulatório semelhante ao que abalou gigantes como AT&T e Microsoft em décadas passadas.