Justiça determina desmobilização de ocupação estudantil na PUC-SP
Estudantes da PUC-SP protestam contra racismo e precarização; Justiça decide pela desocupação.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 24/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Nesta sexta-feira, dia 23, a Justiça de São Paulo atendeu ao pedido da PUC-SP e decidiu pela desmobilização da ocupação realizada por estudantes no campus Perdizes, iniciado na noite da última quarta-feira, dia 21. A medida foi tomada em resposta a uma ação de manutenção de posse apresentada pela universidade.
Os alunos, oriundos de diversos cursos, se organizaram em protesto contra casos de racismo registrados na instituição, além de questões relacionadas à precarização das condições de permanência estudantil. Um episódio específico que motivou a mobilização foi a aparição de um rato no restaurante universitário.
A manifestação, que contou com o apoio de coletivos e centros acadêmicos, ressalta a negligência estrutural da universidade e o silenciamento frente a violências cotidianas que afetam grupos com base em classe social, raça e gênero. Uma nota assinada por quatro coletivos estudantis expressou essas preocupações: “A mobilização denuncia a negligência estrutural da universidade e o silenciamento diante de violências e opressões cotidianas”.
Além disso, os estudantes trouxeram à tona denúncias de racismo praticadas tanto por colegas quanto por docentes dentro do ambiente acadêmico. Entre as reivindicações apresentadas à administração da PUC estão:
- Implementação de formação antirracista obrigatória;
- Criação de um canal para denúncias de casos de racismo;
- Cotas para pessoas trans;
- Ampliação do número de refeições gratuitas para bolsistas;
- Congelamento ou redução das mensalidades;
- Aumento das bolsas estudantis.
O juiz Marcelo Augusto Oliveira, responsável pela decisão na 41ª Vara Cível, também autorizou o uso de força policial para garantir o cumprimento da ordem judicial. Em resposta à ocupação, a Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC-SP, divulgou uma nota informando sobre a solicitação de reintegração de posse dos prédios universitários e a necessidade de apurar os danos causados ao patrimônio da instituição.
A Fundasp destacou: “Acreditamos no diálogo e no bom senso dos ocupantes do campus Monte Alegre e esperamos não ter que recorrer à ordem judicial emitida”.
Em contrapartida, os estudantes reafirmaram sua posição em defesa da ocupação em uma nota divulgada nesta sexta-feira: “A luta dos estudantes é legítima e vai prosseguir! Por autonomia universitária, ampliação do acesso à universidade e permanência estudantil”.