Justiça de SP decide fim de subsídios na tarifa de água para grandes indústrias como Nestlé
Sabesp avança na eliminação de subsídios em tarifas de água para grandes empresas, após decisão judicial contra Nestlé e Acciona.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 27/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) obteve uma decisão judicial favorável que marca um passo significativo rumo à eliminação dos subsídios nas tarifas de água destinados a grandes clientes comerciais. A sentença, proferida pela juíza Adriana Garcia, da 34ª Vara Cível de São Paulo, foi uma resposta a uma ação judicial movida pela gigante suíça Nestlé.
Na decisão, a magistrada enfatizou que conceder descontos a empresas desse porte “chega às raias do escárnio”. A juíza destacou que a Nestlé é uma das maiores indústrias do setor de alimentos e bebidas globalmente, reforçando a inaplicabilidade de tais subsídios a uma corporação com tamanha capacidade financeira.
A Nestlé Brasil, em sua defesa, esclareceu que a discussão judicial se refere ao contrato do Centro de Distribuição localizado em São Bernardo do Campo (SP) e optou por não comentar sobre processos judiciais em andamento.
Em um contexto semelhante, a Justiça paulista negou um pedido liminar feito pela construtora espanhola Acciona, que também tentava manter os subsídios nas tarifas de água fornecidas pela Sabesp. Assim como a Nestlé, a Acciona se beneficiava de um desconto significativo de cerca de 45% na tarifa padrão, pagando R$ 16,28 por metro cúbico, um valor inferior ao cobrado de uma família de classe média que desembolsa R$ 16,50 pelo mesmo volume.
Atualmente, conforme estipulado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), a tarifa padrão para grandes consumidores é fixada em R$ 29,90 por metro cúbico. O juiz Cássio Brisola, da 1ª Vara Cível do Foro de Pinheiros, reforçou em sua sentença que empresas de grande porte como a Acciona, que está investindo bilhões na construção civil em São Paulo, não deveriam ter dificuldades financeiras para arcar com tais cobranças.
A Acciona também foi procurada para comentar sobre o caso, mas optou por não se manifestar sobre processos judiciais em curso.
Desde novembro de 2024, a Sabesp tem notificado indústrias e clientes corporativos sobre a rescisão dos chamados contratos de demanda firme. Estes contratos permitiam descontos de até 70% na tarifa para clientes com consumo mínimo mensal de 100 metros cúbicos. Essa medida representa uma das primeiras ações implementadas pela companhia após sua privatização.
A companhia afirma que os novos contratos devem se alinhar às diretrizes estabelecidas pela Arsesp, com o objetivo de garantir igualdade entre os consumidores e assegurar a sustentabilidade dos serviços prestados. Apesar da existência de cláusulas que previam rescisões unilaterais, muitas empresas relataram falta de explicações adequadas ao serem notificadas e buscaram respaldo na Justiça.
Recentemente, no dia 13 de janeiro, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) conseguiu uma liminar para impedir a rescisão unilateral dos contratos entre seus associados e a Sabesp, garantindo assim que os descontos nas tarifas sejam mantidos. A Sabesp tem até o final do mês para contestar essa decisão da 13ª Vara Cível de São Paulo.