Justiça condena alunas por racismo contra filha de Samara Felippo

Decisão prevê serviços comunitários e reforça o combate à violência racial nas escolas

Crédito: Reprodução/Instagram

A Justiça do Estado de São Paulo proferiu uma decisão em primeira instância condenando duas alunas por envolvimento em atos de racismo contra a filha da atriz Samara Felippo. O incidente ocorreu em abril do ano passado no Colégio Vera Cruz, uma das instituições de ensino mais respeitadas da capital paulista.

O juiz responsável pelo caso determinou que as adolescentes cumpram quatro meses de serviços comunitários, com carga horária de seis horas semanais. As defesas das alunas já apresentaram recurso contra a sentença.

Decisão judicial reforça combate à violência racial

A decisão judicial, datada de 16 de dezembro do ano passado e emitida pela 2ª Vara Especial da Infância e da Juventude, foi ratificada na semana passada após as partes recorrentes tentarem embargar a medida. No entanto, o caso segue tramitando em segredo de Justiça devido à idade das envolvidas.

Em comunicado oficial, a defesa da vítima expressou que a decisão representa um avanço significativo, não apenas para o caso específico, mas também para a conscientização social sobre as consequências da violência racial, especialmente em ambientes escolares. A advogada Thais Cremasco destacou que “este caso é emblemático porque reafirma que práticas de racismo não serão toleradas, mesmo quando perpetradas por adolescentes”, sublinhando o compromisso do sistema judiciário com os princípios de dignidade e igualdade racial previstos na Constituição.

Escola mantém alunas e propõe reflexão coletiva

O incidente atraiu atenção significativa por ter ocorrido em uma escola tradicional e pelo fato de que os pais dos alunos têm se mobilizado nos últimos anos para implementar um projeto de educação antirracista na instituição. Samara Felippo relatou que suas filhas tiveram todas as páginas de um trabalho rasgadas por outras alunas, e que dentro do caderno havia uma frase racista extremamente ofensiva. A atriz comentou: “Não estou aqui para criticar a escola, mas o projeto antirracista ainda apresenta falhas”.

Felippo também expressou seu desejo de que sua filha não tenha que conviver com as autoras das ofensas. “Quando elas retornarem ao ambiente escolar, minha filha irá reviver essa dor. Não estou aqui para desejar mal ou alimentar ódio”, afirmou a atriz.

Diante da repercussão do caso, Felippo manifestou sua intenção de colocar as mães negras no centro do debate sobre racismo. “Todos os dias, elas precisam revisitar dores que vivenciaram e que eu nunca poderei compreender plenamente”, acrescentou.

A direção do Colégio Vera Cruz optou por não expulsar as alunas responsáveis pelas ofensas racistas, mas decidiu aplicar uma punição alternativa e estabeleceu uma série de atividades reflexivas sobre o tema do racismo para todos os alunos. Essa abordagem gerou divisão entre os pais, com alguns defendendo a expulsão das alunas como uma resposta adequada ao crime cometido.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 18/04/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo