Jungmann rebate críticas de delegados do Rio sobre caso Marielle

Ministro da Segurança anunciou nesta quinta que policiais federais vão apurar, a pedido da PGR, a existência de um grupo articulado para atrapalhar as investigações do assassinato

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann rebateu as críticas de entidades de delegados do Rio de Janeiro contra a abertura de investigação paralela da Polícia Federal (PF) sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL). Em nota divulgada no início da noite, o ministro afirmou que “em nenhum momento identificou os agentes públicos que poderiam estar envolvidos com uma possível rede de proteção a criminosos”.

Jungmann disse ter informado os termos da determinação da Procuradoria-Geral da República para que a Polícia Federal investigasse essa possibilidade, “a partir de denúncias graves obtidas pelo Ministério Público Federal”. Ele esclareceu que a medida não configura a federalização das investigações dos assassinatos da vereadora e do motorista Anderson Gomes, que continuam a cargo das autoridades policiais estaduais.

Ontem (1º), Jungmann tinha informado que o Ministério Público Federal obteve dois depoimentos com denúncias de que uma organização criminosa teria atuado para desviar as investigações e dificultar a identificação dos autores e dos mandantes do assassinato. Ele esclareceu que a Polícia Federal vai entrar no caso a pedido da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (2), o Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindelpol-RJ) e a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol-RJ) lamentaram as declarações de Jungmann e afirmaram que o ministro tentou “capitalizar dividendos políticos em cima da investigação dos homicídios”. Marielle e Anderson foram assassinados em março deste ano.

Para os delegados do Rio de Janeiro, Jungmann está “dando maior credibilidade à palavra do referido criminoso em detrimento de agentes do Poder Público de notória história de combate à criminalidade”. Pela nota das duas entidades, a denúncia que chegou ao Ministério Público Federal foi feita “por um miliciano homicida desacompanhada de qualquer outro elemento de prova que pudesse ratificar suas declarações”.

O Sindelpol e a Adepol afirmam que a decisão de Jungmann “tenta induzir um descrédito da sociedade na polícia investigativa”. Isso, segundo as duas entidades, “interessa aos marginais e representa uma total inversão de valores, dissociada do anseio da população”. Leia a nota das entidades:

 “O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (Sindelpol RJ) e a Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro (Adepol-RJ) vêm a público lamentar com veemência as declarações e nova tentativa do ministro da Segurança Pública Raul Jungmann de capitalizar dividendos políticos em cima da investigação dos homicídios da vereadora Marielle Franco e de Anderson Pedro Gomes. Não é a primeira vez que isso acontece, em abril deste ano, de forma açodada, atécnica e descompromissada, o ministro revelou algumas linhas de investigação, o que contraria os manuais mais básicos de policia judiciária.

Desta vez, com base em uma denúncia formulada por um miliciano homicida desacompanhada de qualquer outro elemento de prova que pudesse ratificar suas declarações e que ataca a própria Delegacia de Homicídios responsável por sua prisão, o ministro Raul Jungmann, dando maior credibilidade à palavra do referido criminoso em detrimento de agentes do Poder Público de notória história de combate à criminalidade, se apressa em expor e por em cheque a credibilidade das investigações, de uma instituição bicentenária como a PCERJ, da Divisão do Homicídios e de grandes profissionais que têm suas biografias dedicadas à sociedade e a proteção de direitos.

Essa atitude tenta induzir um descrédito da sociedade na Polícia investigativa, o que somente interessa aos marginais e representa uma total inversão de valores, dissociada do anseio da população, em nada auxiliando na promoção do almejado interesse público, ao contrário, apenas acaricia a vaidade do ministro, Raul Jungmann encarna um dos maiores males, em se tratando de gestão de segurança pública. Político profissional e sem qualquer habilitação na área, comanda um Ministério responsável por uma matéria estritamente técnica, entretanto, não hesita em optar sempre por espaço na mídia e ganhos políticos mesmo que em malefício da investigação e do trabalho dos profissionais de segurança.

Cabe consignar, ainda, a máxima confiança que depositamos na Divisão de Homicídios, que já provou em diversas oportunidades comprometimento e competência, considerando a alta taxa de elucidação de crimes contra a vida, muitos deles extremamente complexos, cometidos em área de risco e contando com reduzidos recursos materiais e humanos. Acreditamos, ainda, em dias melhores nos quais os ministros serão escolhidos por critérios técnicos, ao invés de políticos, daqueles que pretendem fazer politicagem com a segurança pública.”

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 03/11/2018
  • Fonte: Sorria!,