Julgamento de Bolsonaro no STF: Defesas são apresentadas hoje (3)

Defensores apresentam argumentos em caso histórico de tentativa de golpe em 2022

Crédito: Carolina Antunes/PR

Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro, junto a outros três réus, estão programados para apresentar suas defesas perante os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 3 de setembro. Este julgamento é parte de uma ação penal em que os réus são acusados de tentarem perpetrar um golpe de Estado em 2022.

STF - Lula - Bolsonaro
Divulgação/STF

Além de Bolsonaro, sete ex-auxiliares integram o grupo processado nesta ação, que se destaca por seu impacto político e jurídico. Os detalhes sobre a identidade dos réus são cruciais para a compreensão da dinâmica deste caso complexo.

Reprodução – Bolsonaro

A sessão de hoje terá início às 9h e se estenderá até o início da tarde, devido a outras deliberações programadas para o plenário do STF a partir das 14h. Durante essa fase do julgamento, os defensores de quatro dos réus terão a oportunidade de argumentar, seguindo a ordem: Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto. Cada advogado disporá de aproximadamente uma hora para expor seus pontos de vista.

Caso todos os advogados utilizem o tempo completo reservado para suas falas, é provável que a apresentação dos votos dos ministros fique agendada para a próxima terça-feira, 9 de setembro.

O calendário das próximas sessões está delineado da seguinte maneira:

  • 9 de setembro (terça-feira) – 9h às 12h e 14h às 19h
  • 10 de setembro (quarta-feira) – 9h às 12h
  • 12 de setembro (sexta-feira) – 9h às 12h e 14h às 19h

Na sequência do julgamento, previsto para a próxima semana, será iniciada a análise de questões preliminares. Estes tópicos processuais necessitam ser resolvidos antes que haja uma decisão sobre a absolvição ou condenação dos réus. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, será o primeiro a emitir seu voto, seguido pela ordem de antiguidade dos demais ministros: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Após essa etapa inicial, o processo avança para as votações relacionadas à conduta específica de cada acusado. A mesma ordem se aplica para esta fase: Moraes apresenta seu voto sobre a condenação ou absolvição, sendo seguido pelos posicionamentos dos demais membros da Turma.

A decisão final será determinada por maioria; em caso de absolvição, o processo será arquivado. Por outro lado, se houver condenação, serão estabelecidas penas correspondentes ao envolvimento individual em atos ilícitos.

Ministro Alexandre de Moraes

No primeiro dia deste julgamento marcante, o ministro Alexandre de Moraes fez uma apresentação concisa do caso e discutiu o papel fundamental do STF na proteção da soberania nacional. A Procuradoria-Geral da República, representada pelo procurador-geral Paulo Gustavo Gonet Branco, detalhou as acusações contra os réus e reiterou o pedido pela condenação do grupo. A tarde foi dedicada à apresentação das defesas por parte dos advogados de quatro dos réus mencionados anteriormente.

Julgamento de Bolsonaro: a luta entre democracia e polarização no Brasil

Jair Bolsonaro
Saulo Cruz/Agência Senado – Bolsonaro

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, juntamente com outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado, ocorrido na terça-feira (2), atraiu a atenção não apenas da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), mas também da sociedade e do cenário político. Fora da Praça dos Três Poderes, a repercussão do evento rapidamente se espalhou pelas redes sociais, especialmente na plataforma X, onde hashtags em apoio e oposição ao ex-mandatário dominaram os trending topics.

Um país dividido

Entre as narrativas divergentes da direita e da esquerda—onde a primeira vê uma perseguição política e a segunda considera o julgamento essencial para a democracia—existe um Brasil polarizado observando atônito esse embate. O confronto político transformou-se em um espetáculo público; no entanto, as consequências dessa disputa recaem sobre a população, que enfrenta instabilidade institucional e incertezas quanto ao futuro do país.

Embora o julgamento de Bolsonaro e seus aliados represente um passo no combate aos crimes contra o Estado Democrático de Direito, ele também evidencia como as tensões entre extremos continuam a marcar a democracia brasileira. Neste contexto, o papel da Justiça é fundamental: não apenas para responsabilizar os culpados, mas para reafirmar que as instituições superam os projetos individuais de poder.

Em suma, mais do que uma vitória política momentânea, o que está em jogo é a integridade da democracia. Caso ela falhe, quem sai perdendo não são apenas políticos ou partidos, mas toda a sociedade brasileira.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 03/09/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping