Jogos Olímpicos de Inverno 2026: conheça o Bobsled
Na sequência da série do ABCdoABC de conhecer as modalidades dos Jogos Olímpicos de Inverno 2026, hoje aprenderemos sobre o Bobsle.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 06/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Dando sequência à nossa série do ABCdoABC sobre conhecer todas as modalidades dos Jogos Olímpicos de Inverno Inverno Milão-Cortina 2026, o esporte que nós vamos conhecer hoje é o Bobsled.
Se no Biatlo o segredo era a calma, aqui o foco é a explosão e a coragem. Disputado em um trenó aerodinâmico que desliza por uma pista de gelo estreita e curva, o objetivo é cruzar a linha de chegada no menor tempo possível.
As competições são divididas em trenós de duas pessoas (duplas) e de quatro pessoas (quarteto), além do Monobob (feminino individual). O trenó pode atingir velocidades superiores a 150 km/h, submetendo os atletas a uma força gravitacional intensa em cada curva.
Como se vence no Bobsled?
Nesta Olimpíada, um competidor (ou equipe) vence se fizer o seguinte:
- A) Largada Explosiva (The Push): Os primeiros 50 metros são cruciais. Os atletas correm no gelo empurrando o trenó (que pesa centenas de quilos) para ganhar o máximo de aceleração antes de saltarem para dentro. Um segundo perdido na largada pode significar décimos irrecuperáveis no final.
- B) Pilotagem Milimétrica: O piloto deve escolher a linha perfeita nas curvas. Qualquer toque nas paredes de gelo gera atrito, reduz a velocidade e pode causar o capotamento do trenó.
- C) Consistência em 4 Descidas: Diferente de outros esportes, o vencedor é decidido pela soma do tempo de quatro descidas realizadas em dois dias. Vence quem for o mais regular e rápido no acumulado total.
O Brasil no Bobsled
O Brasil tem uma tradição fortíssima nesta modalidade, sendo carinhosamente chamado de “Blue Birds” (Pássaros Azuis) ou “Frozen Beavers”. Para Milão-Cortina 2026, a expectativa gira em torno de cerca de 170 atletas no total da modalidade, com o Brasil buscando figurar entre os melhores das Américas.
- Atleta de destaque: Edson Bindilatti. O lendário piloto brasileiro, que já participou de cinco Olimpíadas, é o grande mentor da nova geração. Embora em fase de transição para cargos técnicos, sua influência e a equipe liderada por novos talentos buscam colocar o trenó brasileiro na final (entre os 20 melhores).
Edson Bindilatti, referência do bobsled brasileiro

O nome de Edson Bindilatti é um dos mais representativos da história do bobsled brasileiro. Aos 42 anos, o piloto segue em atividade e busca manter o Brasil no cenário olímpico dos esportes de inverno, mirando a possibilidade de disputar sua quinta edição de Jogos Olímpicos de Inverno — um feito raro para atletas do país na modalidade.
Edson iniciou sua trajetória no bobsled em 2002, nos Jogos de Inverno de Salt Lake City, ainda como pusher. Ao longo dos ciclos olímpicos, passou pelas funções de breakman e, a partir de Sochi 2014, assumiu o posto de piloto do trenó, posição de liderança técnica e estratégica dentro da equipe brasileira.
Liderança e experiência como diferencial
Com mais de duas décadas no esporte, Edson se consolidou como o principal nome do bobsled nacional. Sua experiência em pistas internacionais e o domínio técnico do trenó fazem dele uma peça central nas provas de dois e quatro atletas, além de referência para a formação e orientação dos atletas mais jovens da seleção.
Desafio da longevidade no esporte de alto rendimento
Aos 42 anos, Edson desafia o tempo em uma modalidade que exige explosão física, precisão e leitura apurada das pistas. A longevidade é resultado de adaptação, preparação e conhecimento acumulado, fatores que seguem sendo determinantes para a competitividade do Brasil no circuito internacional.
Em um país sem tradição em esportes de inverno, Edson Bindilatti se tornou sinônimo de bobsled. Presente em praticamente toda a trajetória olímpica brasileira na modalidade, o piloto representa a consolidação do esporte no país e a persistência de um projeto que segue abrindo espaço para o Brasil no gelo.
Calendário de Provas (Cortina d’Ampezzo)
As descidas eletrizantes acontecerão na icônica pista de Cortina, entre os dias 11 e 22 de fevereiro:
- 11 e 12 de fevereiro: Monobob Feminino (Descidas 1 a 4)
- 14 e 15 de fevereiro: Bobsled de Duplas Masculino (Descidas 1 a 4)
- 18 e 19 de fevereiro: Bobsled de Duplas Feminino (Descidas 1 a 4)
- 21 e 22 de fevereiro: Bobsled de Quarteto Masculino (A prova rainha do encerramento)
Informação Complementar: O Equipamento
O trenó de quarteto é uma peça de engenharia caríssima, feita de fibra de carbono e aço, podendo pesar até 630 kg (incluindo os atletas). Em Milão-Cortina, a tecnologia das lâminas é o segredo mais bem guardado de cada equipe, pois a temperatura exata do gelo define qual metal deslizará melhor.
Em São Caetano existe projeto de obra da pista de bobsled

Em 18 de agosto de 2021 foi assinado pela Prefeitura de São Caetano do Sul, o termo de uso de espaço no CER Natale Cavaleiro (clube São José) para a criação da primeira pista de bobsled da América Latina. O equipamento a propósito seria construído com investimento privado e ficará sob a gestão do CPDG (Clube Paulista de Desportos no Gelo).
Edson Bindilatti que vai disputar os Jogos de Inverno 2026 era um dos que esteve presente no anúncio da obra, junto com o prefeito Tite Campanella. (foto abaixo).
“A partir de hoje São Caetano é a casa do bobsled brasileiro. Desejo bom proveito e sorte aos atletas, porque capacidade todos têm e muita. Prova disso é que o Brasil é o único país da América Latina que tem medalhas de push (arranque) em campeonatos mundiais”, afirmou Tite Campanella afirmava o atual prefeito sulsancaetanense, também chefe do Executivo na época.
Porém até o presente momento não há informações sobre a continuidade e prazo de conclusão das obras da pista.
