Jogadores Brasileiros na Europa: Dos 86 atletas, John é o único do ABC
Censo exclusivo de 2026 mapeia a origem dos 86 atletas na elite. Goleiro é o único representante de Diadema e do ABC Paulista na lista.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 08/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Jogadores brasileiros na Europa mantêm o status de protagonistas nas ligas mais competitivas do planeta há décadas. No início de 2026, um levantamento minucioso sobre a origem desses atletas revelou não apenas a quantidade, mas a geografia exata do talento nacional. Mais do que números frios, o estudo expõe trajetórias únicas e destaca casos de superação que rompem a lógica dos grandes centros, como a história do goleiro John, único representante de Diadema e do Grande ABC nesta lista seleta.
Entender a procedência desses ídolos ajuda a compreender a dinâmica de formação do futebol nacional. A seguir, detalhamos o censo definitivo dos jogadores brasileiros na Europa e mergulhamos na carreira do arqueiro que saiu da base santista para brilhar na Premier League.
John: De Diadema para a elite inglesa
Entre os dados estatísticos e demográficos, uma história salta aos olhos pela singularidade regional. John Victor Maciel Furtado, conhecido apenas como John, carrega uma bandeira solitária: ele é o único atleta nascido em Diadema (SP) — e em toda a região do Grande ABC — a figurar entre os jogadores brasileiros na Europa atuando nas “Big 5” (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França) neste recorte de 2026.
A presença de John nesta lista não é obra do acaso. É o resultado de uma maturação profissional consistente, marcada por empréstimos estratégicos, superação de desconfianças e uma temporada 2024 irretocável.
Do “Menino da Vila” para Europa
A trajetória de John reflete a persistência necessária para triunfar na posição mais ingrata do futebol. Sua formação iniciou-se nas categorias de base do Santos (U17 e U20), onde a concorrência sempre foi brutal.
Para ganhar rodagem, o caminho dos empréstimos foi inevitável. Em 2019, defendeu a Portuguesa Santista. O retorno ao Santos B e, posteriormente, ao elenco principal, exigiu paciência. A virada de chave começou a se desenhar em 2023, quando foi emprestado ao Internacional. No colorado, mostrou serviço, mas foi na Europa que seu passaporte começou a ser carimbado.
Uma passagem pelo Real Valladolid, da Espanha, na temporada 23/24, serviu como o primeiro teste de fogo no Velho Continente. O retorno ao Brasil, contudo, foi o trampolim definitivo.
A Consagração no Botafogo e a Venda Milionária

Ao ser contratado pelo Botafogo em janeiro de 2024, vindo do Santos por cerca de € 1,35 milhão, John encontrou o ambiente ideal. O ano de 2024 foi mágico:
- Melhor Goleiro do Brasil: Eleito o melhor da posição no Brasileirão e na Libertadores.
- Títulos: Peça chave nas conquistas do Campeonato Brasileiro e da Glória Eterna da Libertadores.
- Volume de Jogo: Foram 89 partidas defendendo a meta alvinegra com regularidade impressionante.
Esse desempenho chamou a atenção da liga mais rica do mundo. Em agosto de 2025, o Nottingham Forest desembolsou cerca de € 8 milhões (aproximadamente R$ 50 milhões na cotação da época) para contar com o brasileiro. O contrato, válido até junho de 2028, selou a entrada de John no leque dos grandes jogadores brasileiros na Europa.
Hoje, além de defender as cores do Forest, John vive a expectativa da Seleção Brasileira, tendo sido convocado em 2025 e iniciando 2026 com foco total na preparação para a Copa do Mundo.

Raio-X dos Jogadores Brasileiros na Europa
O caso de John é emblemático, mas ele é um entre 86 profissionais. O levantamento realizado pelo sitesdeapostas.bet na primeira semana de 2026 mapeou a certidão de nascimento de todos os jogadores brasileiros na Europa registrados na Premier League, La Liga, Serie A, Ligue 1 e Bundesliga.
A amostra considera inclusive quatro atletas naturalizados que defendem outras seleções, mas nasceram em solo brasileiro. O resultado é um mosaico cultural que abrange de metrópoles globais a cidades com menos de 10 mil habitantes.
A geografia do talento: Capitais vs. Interior
O Brasil possuía 5.571 municípios na virada de 2025 para 2026. Desses, apenas 61 cidades viram seus filhos alcançarem a elite do futebol europeu. Isso representa singelos 1,1% das cidades brasileiras.
A concentração urbana ainda é uma realidade forte. Veja o ranking das cidades que mais exportam:
- São Paulo (SP): 10 atletas.
- Rio de Janeiro (RJ): 7 atletas.
- Cuiabá (MT): 3 atletas (uma surpresa positiva fora do eixo Sul-Sudeste).

Quando expandimos para as Regiões Metropolitanas, a força dos grandes centros fica evidente. A Grande São Paulo soma 16 nomes, enquanto o Grande Rio chega a 10.
No entanto, o estudo revela que os jogadores brasileiros na Europa não são exclusividade das capitais. Cidades como Belo Horizonte, Campinas, João Pessoa, Osasco, Porto Alegre, Santos, São Gonçalo, São José dos Campos e Brasília (via Gama e Taguatinga) contribuem com dois atletas cada.
A lista completa das cidades representadas
A diversidade na lista dos jogadores brasileiros na Europa é a marca deste censo. Confira os municípios que possuem ao menos um representante nas cinco maiores ligas:
- Norte/Nordeste: Açaílândia, Aliança, Cabedelo, Fortaleza, Itapitanga, Macapá, Picos, Salvador, São Mateus, Taperoá, Nova Venécia (ES – divisa).
- Centro-Oeste: Campo Grande, Gama, Nobres, Rondonópolis, Taguatinga.
- Sul: Apucarana, Balneário Camboriú, Campo Erê, Curitiba, Florianópolis, Londrina, Marialva, Novo Hamburgo.
- Sudeste (Interior e Litoral): Barra Bonita, Bom Sucesso, Cabo Frio, Cachoeiro do Itapemirim, Colina, Diadema, Duque de Caxias, Franca, Francisco Morato, Governador Valadares, Guarulhos, Ipatinga, Itapecerica da Serra, Monte Azul, Niterói, Orlândia, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santa Bárbara do Oeste, São Domingos da Prata, São Vicente, Sertãozinho, Taubaté, Vassouras.
Densidade demográfica e a “produtividade” de craques
Analisar a origem dos jogadores brasileiros na Europa exige olhar para a proporção populacional. O Brasil tem uma média de 0,042 jogador na elite europeia para cada 100 mil habitantes. Mas algumas cidades desafiam a lógica estatística.
O caso de Campo Erê (SC) é o mais impressionante. Com apenas 9.623 habitantes, a cidade é o berço do atacante Alemão (Rayo Vallecano). Isso eleva o índice da cidade para 11,1 jogadores por 100 mil habitantes — um número astronômico se comparado à média nacional de jogadores brasileiros na Europa.
Outro exemplo de eficiência é Itapitanga (BA). Com pouco mais de 10 mil moradores, revelou o zagueiro Bremer, ídolo da Juventus da Itália. Esses dados comprovam que, embora as metrópoles forneçam volume (São Paulo e Rio têm cerca de 0,1 jogador/100k hab.), as cidades pequenas produzem talentos pontuais de altíssimo valor agregado.
O papel dos centros regionais
Um fenômeno interessante observado é a descentralização. Dos 86 atletas, 21 nasceram em cidades que funcionam como polos regionais, como Ribeirão Preto e Campinas, ou em municípios próximos a clubes formadores, como Londrina e Santa Bárbara d’Oeste.
Isso indica que a rede de observação do futebol brasileiro penetrou o interior. O talento não precisa mais, necessariamente, nascer na capital para ser descoberto. Ele precisa, sim, estar no raio de ação de um clube com estrutura.
O Brasil em comparação aos vizinhos e o mundo
Ao olharmos para os jogadores brasileiros na Europa, o número absoluto de 86 atletas pode parecer alto, mas, comparativamente, acende um sinal de alerta sobre a ocupação de mercado.
A Argentina, com uma população muito menor (47 milhões), possui 72 representantes nas mesmas ligas. O índice argentino é de 0,153 por 100 mil habitantes — quase quatro vezes superior ao brasileiro. O Uruguai é ainda mais eficiente, com 0,73 jogadores por 100 mil habitantes.

Isso significa que o jogador brasileiro perdeu qualidade? Não necessariamente. A explicação passa pela pulverização do mercado. Novas fronteiras financeiramente poderosas, como Arábia Saudita, Catar e Estados Unidos (MLS), têm atraído muitos talentos que, em outras épocas, iriam para times médios da Europa. Ainda assim, o funil para a elite europeia está cada vez mais estreito.
Onde se nasce vs. Onde se forma
O censo traz uma distinção crucial: certidão de nascimento não é o mesmo que formação esportiva. A maioria dos jogadores brasileiros na Europa nasceu longe dos CTs onde foram lapidados. A migração precoce é uma realidade dura e necessária.
Clubes das Séries A e B do Brasileirão concentram a infraestrutura necessária para transformar uma promessa bruta em um ativo de exportação.
Os gigantes da formação
O estudo destaca como diferentes clubes abordam essa captação:
- Palmeiras: Investiu R$ 360 milhões na base em uma década. A estrutura da Academia de Futebol 2, em Guarulhos, permite alojar jovens de qualquer canto do país.
- Flamengo, Athletico-PR e Coritiba: Mantêm redes de olheiros nacionais e alojamentos de ponta (como o CT do Caju) para receber atletas de outros estados.
- Grupo City (Bahia): O projeto mais ambicioso do momento promete investir R$ 300 milhões para tornar a base do Bahia a melhor do Brasil até 2033, focando na captação regional do Nordeste.
O modelo local do Vasco
Na contramão da importação massiva de jovens, o Vasco da Gama apresenta um índice alto de aproveitamento de atletas nascidos na própria cidade do Rio de Janeiro ou arredores. Sua escola interna e a forte atuação nas comunidades vizinhas a São Januário permitem captar o talento “do quintal”, reduzindo os custos e os traumas de adaptação que jovens de outros estados enfrentam.
O futuro da exportação brasileira
O levantamento dos jogadores brasileiros na Europa de 2026 desenha um mapa claro: o talento brasileiro é democrático e surge em qualquer lugar, de Diadema a Campo Erê. No entanto, a profissionalização é elitizada e depende de infraestrutura. A história do goleiro John, saindo do ABC Paulista para o Nottingham Forest, ilustra a jornada perfeita de identificação, formação e venda.
Para que o número de jogadores brasileiros na Europa volte a crescer proporcionalmente, a chave está na expansão das redes de captação e na melhoria da estrutura dos clubes formadores no interior. Enquanto isso, o Brasil segue sendo o celeiro do mundo, onde cada município, por menor que seja, sonha em ver seu filho brilhando na Champions League.