Javier Milei canta "Burning Love" e gera revolta na Argentina

Enquanto a Argentina enfrenta uma paralisação geral contra a reforma trabalhista, o presidente Javier Milei aparece em clima de festa nos EUA.

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

Javier Milei, o presidente da Argentina, tornou-se o centro de uma nova polêmica internacional após a divulgação de um vídeo onde aparece cantando “Burning Love“, de Elvis Presley. A gravação, que circula intensamente nas redes sociais nesta quinta-feira (19/2), mostra o líder conservador em um momento de descontração e gargalhadas ao lado do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e do presidente da Fifa, Gianni Infantino. O episódio ocorreu nos Estados Unidos, durante um encontro promovido pelo presidente Donald Trump para a primeira reunião de seu recém-criado Conselho de Paz.

O vídeo de Javier Milei surge em um momento de extrema fragilidade social em seu país de origem. Enquanto o presidente se diverte no exterior, a Argentina enfrenta a sua quarta greve geral em apenas dois anos de governo. Nas redes sociais, a reação dos cidadãos foi imediata e severa, com internautas classificando a postura do mandatário como uma “vergonha internacional” diante do caos instalado nas principais cidades argentinas devido aos protestos contra as novas leis trabalhistas.

A reforma trabalhista e o impasse de Javier Milei com os sindicatos

O governo de Javier Milei defende que a reforma é a única saída para reduzir a informalidade, que hoje castiga mais de 40% do mercado de trabalho argentino. Segundo a gestão libertária, a redução da carga tributária sobre os empregadores é o motor necessário para a criação de novos empregos formais. Entretanto, o projeto é duramente criticado pelas centrais sindicais, que qualificam a medida como “regressiva e inconstitucional”.

Os principais pontos de atrito na proposta de Javier Milei incluem:

  • Extensão da jornada de trabalho para até 12 horas;
  • Redução drástica nos valores de indenizações por demissão;
  • Limitação severa do direito de greve para diversas categorias.

País paralisado: O impacto da greve geral

A greve de 24 horas, iniciada à meia-noite desta quinta-feira, paralisou os serviços essenciais contra as medidas de Javier Milei. Em Buenos Aires, redes de supermercados, farmácias e o comércio em geral mantiveram as portas fechadas. Embora o trânsito de veículos particulares tenha registrado intensidade incomum, o transporte público — espinha dorsal da capital — operou com adesão quase total ao movimento, deixando estações de trem e pontos de ônibus desertos.

Reação digital e o custo político para Javier Milei

Para os opositores, a imagem de Javier Milei cantando nos Estados Unidos enquanto o país para serve como um símbolo de desconexão com a realidade econômica do povo argentino. A estratégia de focar na agenda externa e na proximidade com líderes da direita global tem sido uma marca do governo, mas o contraste com a crise interna eleva a tensão política a níveis alarmantes.

Analistas sugerem que a capacidade de Javier Milei de sustentar o apoio popular dependerá da eficácia imediata de suas reformas. Se a flexibilização trabalhista não resultar na prometida queda da informalidade e na geração de postos de trabalho, episódios de descontração no exterior podem custar caro à sua aprovação. Por ora, o presidente mantém o curso de sua política de “choque”, mesmo que isso signifique governar sob o som de protestos e críticas ferozes nas plataformas digitais.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 20/02/2026
  • Fonte: Sorria!,