Javier Milei canta "Burning Love" e gera revolta na Argentina
Enquanto a Argentina enfrenta uma paralisação geral contra a reforma trabalhista, o presidente Javier Milei aparece em clima de festa nos EUA.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 20/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Javier Milei, o presidente da Argentina, tornou-se o centro de uma nova polêmica internacional após a divulgação de um vídeo onde aparece cantando “Burning Love“, de Elvis Presley. A gravação, que circula intensamente nas redes sociais nesta quinta-feira (19/2), mostra o líder conservador em um momento de descontração e gargalhadas ao lado do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e do presidente da Fifa, Gianni Infantino. O episódio ocorreu nos Estados Unidos, durante um encontro promovido pelo presidente Donald Trump para a primeira reunião de seu recém-criado Conselho de Paz.
O vídeo de Javier Milei surge em um momento de extrema fragilidade social em seu país de origem. Enquanto o presidente se diverte no exterior, a Argentina enfrenta a sua quarta greve geral em apenas dois anos de governo. Nas redes sociais, a reação dos cidadãos foi imediata e severa, com internautas classificando a postura do mandatário como uma “vergonha internacional” diante do caos instalado nas principais cidades argentinas devido aos protestos contra as novas leis trabalhistas.
#Atención Javier Milei haciendo el ridículo siempre. No importa cuando lo leas.
— El Cuarto Rojo (@ElCuartoRoj0) February 19, 2026
Es lo natural de este cachorro.
Va a cumbres y foros a cantar y hacerse el cómico. Con ustedes, el therian libertario cantando Burning Love en la cumbre de Donald Trump. #19Feb pic.twitter.com/HkCCRGXNSt
A reforma trabalhista e o impasse de Javier Milei com os sindicatos
O governo de Javier Milei defende que a reforma é a única saída para reduzir a informalidade, que hoje castiga mais de 40% do mercado de trabalho argentino. Segundo a gestão libertária, a redução da carga tributária sobre os empregadores é o motor necessário para a criação de novos empregos formais. Entretanto, o projeto é duramente criticado pelas centrais sindicais, que qualificam a medida como “regressiva e inconstitucional”.
Os principais pontos de atrito na proposta de Javier Milei incluem:
- Extensão da jornada de trabalho para até 12 horas;
- Redução drástica nos valores de indenizações por demissão;
- Limitação severa do direito de greve para diversas categorias.
País paralisado: O impacto da greve geral
A greve de 24 horas, iniciada à meia-noite desta quinta-feira, paralisou os serviços essenciais contra as medidas de Javier Milei. Em Buenos Aires, redes de supermercados, farmácias e o comércio em geral mantiveram as portas fechadas. Embora o trânsito de veículos particulares tenha registrado intensidade incomum, o transporte público — espinha dorsal da capital — operou com adesão quase total ao movimento, deixando estações de trem e pontos de ônibus desertos.
Reação digital e o custo político para Javier Milei
Para os opositores, a imagem de Javier Milei cantando nos Estados Unidos enquanto o país para serve como um símbolo de desconexão com a realidade econômica do povo argentino. A estratégia de focar na agenda externa e na proximidade com líderes da direita global tem sido uma marca do governo, mas o contraste com a crise interna eleva a tensão política a níveis alarmantes.
Analistas sugerem que a capacidade de Javier Milei de sustentar o apoio popular dependerá da eficácia imediata de suas reformas. Se a flexibilização trabalhista não resultar na prometida queda da informalidade e na geração de postos de trabalho, episódios de descontração no exterior podem custar caro à sua aprovação. Por ora, o presidente mantém o curso de sua política de “choque”, mesmo que isso signifique governar sob o som de protestos e críticas ferozes nas plataformas digitais.