Jardins de chuva ganham espaço nas cidades como solução contra enchentes

Infraestrutura verde ajuda a minimizar impactos das chuvas e melhora qualidade ambiental nos centros urbanos

Crédito: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

Diante do aumento da frequência e intensidade dos temporais, cidades brasileiras estão adotando novas estratégias para prevenir enchentes e alagamentos. Entre as soluções que têm ganhado destaque estão os jardins de chuva, espaços projetados para captar e infiltrar a água pluvial no solo. São Paulo, com mais de 400 jardins ativos, e Belo Horizonte, com mais de 60 projetos implementados, são exemplos de municípios que instituíram políticas públicas para incentivar a adoção dessas estruturas.

Infraestrutura verde como aliada contra enchentes

Os jardins de chuva são mais do que áreas verdes comuns. Essas estruturas possuem camadas subterrâneas de terra, areia e pedras, que facilitam a absorção da água e reduzem a sobrecarga no sistema de drenagem urbana. A urbanista Cecilia Herzog, especialista em Soluções Baseadas na Natureza (SBN), explica que a adoção desses jardins representa um passo importante para mudar o paradigma da urbanização no Brasil.

“Bem planejados, os jardins de chuva podem minimizar os impactos das chuvas. É uma solução inteligente e relativamente barata, além de ter um papel educativo sobre a importância da permeabilidade urbana”, afirma Herzog.

O uso de infraestrutura verde já é realidade em diversas cidades do mundo. Nova Iorque (EUA), por exemplo, integra milhares desses espaços em seu programa de gestão de águas pluviais. No Brasil, um dos maiores jardins de chuva está em São Paulo, na Rua Major Natanael, no bairro do Pacaembu, com 11 jardins interligados em uma área de 2,3 mil metros quadrados.

Incentivos e novas políticas públicas

Para estimular a implementação dos jardins de chuva, Belo Horizonte criou um programa de incentivos fiscais. Proprietários de imóveis que adotam esses espaços podem receber até 10% de desconto no IPTU, limitado a R$ 2 mil anuais. Em Curitiba, tramita na Câmara Municipal um projeto de lei para transformar os jardins de chuva em política pública permanente.

Além dos jardins, especialistas defendem que a infraestrutura verde seja combinada com outras soluções sustentáveis, como parques alagáveis, biovaletas, telhados verdes e cisternas para captação de água da chuva. “Essas iniciativas podem tornar as cidades mais resilientes, reduzindo os prejuízos causados pelas tempestades”, destaca Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de Projetos da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Cenário climático cada vez mais desafiador

A urgência em adotar soluções sustentáveis fica evidente nos números. Segundo um estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, os desastres climáticos no Brasil aumentaram 250% nos últimos quatro anos (2020–2023) em comparação com a década de 1990. O levantamento revela que entre 1991 e 2023 foram registrados 6.523 eventos climáticos extremos, enquanto de 2020 a 2023 esse número saltou para 16.306.

Diante desse cenário, especialistas defendem que infraestrutura verde e planejamento urbano sustentável sejam prioridades para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e tornar as cidades mais seguras e adaptadas.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 28/03/2025
  • Fonte: Fever