Peça JARARACA[S] entra em cartaz no Itaú Cultural

No Itaú Cultural, espetáculo do grupo Pavilhão da Magnólia debate memória, violência e apagamento histórico

Crédito: Allan Diniz

O Itaú Cultural recebe, entre os dias 28 e 31 de maio, a curta temporada de JARARACA[S], novo espetáculo do grupo cearense Pavilhão da Magnólia. A montagem estreia nos palcos paulistanos com uma reflexão sobre os últimos dias de vida de Jararaca, um dos principais integrantes do bando de Lampião, ao mesmo tempo em que estabelece conexões com questões sociais e políticas da atualidade.

As apresentações acontecem de quinta-feira a sábado, às 20h, e aos domingos e feriados, às 18h. Assim como todas as atividades do Itaú Cultural, os ingressos são gratuitos e devem ser reservados a partir das 12h do dia 26 de maio, por meio da plataforma INTI, disponível no site oficial da instituição.

Espetáculo revisita a história de Jararaca

Com dramaturgia do multiartista pernambucano Giordano Castro e direção do cearense Murillo Ramos, JARARACA[S] acompanha os sete últimos dias de vida de José Leite de Santana, conhecido como Jararaca. Baleado durante a tentativa de invasão de Mossoró, em 1927, o cangaceiro foi capturado, preso e morto pela polícia após sofrer torturas.

A narrativa parte do episódio histórico conhecido como “Chuva de Bala”, quando o bando de Lampião saiu de Pernambuco, atravessou a Paraíba e tentou invadir a cidade potiguar. Após o fracasso da ação, os cangaceiros fugiram em direção ao Ceará, deixando para trás Jararaca e o companheiro Colchete.

Itaú Cultural abre espaço para reflexão sobre memória e violência

A montagem utiliza elementos históricos para discutir questões contemporâneas relacionadas à violência de Estado, desigualdade social e apagamento histórico. O espetáculo também propõe uma releitura da figura do cangaceiro, afastando-se da visão simplificada que o reduz à criminalidade.

“Nós nos interessamos por ir além do arquétipo do cangaceiro e das histórias cristalizadas desse universo”, afirma o ator Nelson Albuquerque. Segundo ele, o trabalho reforça a importância de discutir as origens e identidades nordestinas no cenário cultural brasileiro.

Ao longo da encenação, JARARACA[S] aborda ainda os processos históricos que atingem corpos pretos, periféricos e marginalizados, utilizando a trajetória do personagem como metáfora para discutir silenciamento e memória coletiva.

Grupo Pavilhão da Magnólia acumula reconhecimento nacional

Com 21 anos de trajetória, o Grupo Pavilhão da Magnólia consolidou-se como um dos principais coletivos teatrais do Ceará. Ao longo desse período, o grupo criou 20 espetáculos e participou de festivais no Brasil e no exterior.

Em 2025, recebeu o Prêmio Shell de Teatro na categoria Destaque Nacional pelo trabalho continuado de pesquisa artística e compartilhamento de saberes.

Sinopse de JARARACA[S]

O espetáculo investiga os últimos dias de vida de Jararaca, cangaceiro morto pela polícia e atualmente reverenciado como santo popular em Mossoró, no Rio Grande do Norte. A peça tensiona as fronteiras entre memória, mito e apagamento histórico, propondo uma reflexão sobre quem tem o direito de narrar a história e quais vidas permanecem soterradas pelo silêncio.

SERVIÇO

Espetáculo JARARACA[S] – temporada de estreia

Com Pavilhão da Magnólia

Temporada de estreia no Itaú Cultural:

De 28 a 31 de maio (quinta-feira a sábado, às 20h, e domingo às 18h)

Teatro (piso térreo)

Capacidade: 224 lugares

Duração: 90 minutos

Classificação Indicativa: 16 anos

Entrada gratuita. Reservas de ingressos a partir de 26 de maio (terça-feira), às 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br 

  • Publicado: 26/05/2026 09:46
  • Alterado: 26/05/2026 09:46
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: Itaú Cultural