Jair Bolsonaro diz que só indica outro candidato para as eleições de 2026 ‘depois de morto’
Ex-presidente criticou inelegibilidade e o andamento das investigações contra ele
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 07/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) expressou, mais uma vez, sua insatisfação com a decisão que o tornou inelegível por um período de oito anos. Em declarações feitas nesta quinta-feira, 6, logo após sua chegada ao Aeroporto de Brasília, Bolsonaro afirmou que só indicaria um candidato para as eleições presidenciais de 2026 “depois de morto”.
A inelegibilidade do ex-presidente foi determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o acusou de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante seu mandato. Em suas palavras, Bolsonaro ressaltou que sua ausência nas próximas eleições seria uma forma de negação à democracia. “Se eu não participar [do pleito], é uma negação à democracia”, declarou.
Bolsonaro argumentou que não acredita estar prejudicando a direita ao se abster de indicar um sucessor, enfatizando que há diversos partidos capazes de apresentar candidatos viáveis para a disputa presidencial. “Cada partido que se apresente deve lançar seu candidato e iniciar sua campanha pelo Brasil, como eu fiz”, comentou.
Em fevereiro passado, Flávio Bolsonaro, seu filho e atual senador, reconheceu a possibilidade de outros nomes da direita surgirem como alternativas à candidatura do pai. Segundo ele, dirigentes partidários estão sondando tanto ele quanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como potenciais candidatos. Entre os nomes cogitados estão os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG) e Ratinho Júnior (PR).
Caiado, também inelegível, já agendou um evento para o dia 4 de abril com o intuito de lançar sua pré-candidatura. O governador mencionou a possibilidade de formar uma chapa com o cantor Gusttavo Lima, mas ressaltou que a decisão será tomada em 2026.
No início deste ano, Jair Bolsonaro havia comentado sobre uma eventual candidatura da esposa ou dos filhos Flávio e Eduardo Bolsonaro. Ele comparou a situação sem sua participação em uma eleição à realidade política da Venezuela.
Além da inelegibilidade, Jair Bolsonaro enfrenta acusações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) relacionadas a diversos crimes. A coletiva com a imprensa ocorreu antes da apresentação da defesa ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso deverá ser analisado.
A defesa do ex-presidente solicitou que seu julgamento não ocorra na Primeira Turma do STF, composta por ministros conhecidos por suas posições firmes. Em relação ao processo judicial, Bolsonaro traçou um paralelo com o julgamento do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo ex-juiz Sérgio Moro, questionando a legitimidade das alegações contra si: “Se eu sou tão criminoso assim, por que não seguir o devido processo legal?”
Os casos envolvendo Lula foram analisados na 13.ª Vara Federal Criminal em Curitiba; no entanto, o ministro Edson Fachin do STF posteriormente considerou que essa vara não tinha jurisdição para os processos em questão, resultando na anulação das condenações.