Ives Gandra é homenageado por juristas e políticos em São Paulo
Evento celebrou os 90 anos do jurista e professor com discursos sobre democracia, cidadania e críticas à atuação do STF
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 12/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Na última sexta-feira, 9 de maio, o renomado jurista Ives Gandra da Silva Martins foi homenageado em um almoço no restaurante Sal Gastronomia, em São Paulo, com a presença de juristas, políticos, acadêmicos e dirigentes de entidades. A celebração, idealizada pelo advogado tributarista Eduardo Berbigier, marcou os 90 anos de vida de uma das figuras mais influentes do direito brasileiro contemporâneo.
“Consideramos fundamental celebrar a vida e o legado do Professor Ives Gandra”, destacou Berbigier. “Sua longevidade e atuação em temas cruciais do direito e da salvaguarda do Estado Democrático o consagraram como uma voz firme e de suma importância para o Brasil”, completou.

(Julia Salles/MyCo Event)
Legado jurídico e coerência de princípios
Reconhecido por sua atuação como advogado, parecerista, professor e articulista, Ives Gandra é autor de uma vasta obra intelectual que influenciou gerações de operadores do direito. “Sua carreira se distingue pela coerência de princípios e pela defesa da cidadania e da plena democracia”, frisou um dos juristas presentes.
Durante a solenidade, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Francisco Rezek, exaltou a dedicação de Ives à família, à justiça e ao exercício da cidadania. O evento reuniu personalidades como Guilherme Afif Domingos, Fábio Prieto, Marcos da Costa, José Renato Nalini, Lucas Bovi, Antonio Brito, e Angela Gandra, filha do homenageado.

(Julia Salles/MyCo Event)
Críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal
Em seu discurso, Ives Gandra não se furtou de abordar o cenário político e jurídico atual com franqueza. Segundo ele, o STF passou a exercer um papel além de suas atribuições constitucionais. “Hoje eles são obrigados a andar com seguranças porque se transformaram também em um poder político”, afirmou.
O jurista declarou que os ministros da Corte vêm “invadindo competências do Congresso” e “legislando em causa própria”. Em sua análise, “a democracia brasileira é exercida pelo povo através de seus representantes no Legislativo e no Executivo. O Judiciário é um poder técnico que tem que respeitar a lei que só os outros dois poderes podem fazer”.
Cidadania e responsabilidade diante da crise institucional
Para Ives Gandra, o Brasil vive um momento de “turbulência”, com os poderes em Brasília alheios à realidade nacional. “Vemos a narrativa substituir os fatos, vemos a lei ser interpretada ‘pro domo sua’, no interesse pessoal de quem detém o poder”, alertou.

(Divulgação/Reinaldo De Maria)
A mensagem final foi um chamado à responsabilidade cívica: “Se o rei está nu, tem que se dizer que o rei está nu. Cada vez que nos calamos quando as coisas não andam corretamente, estamos colaborando com elas”. E completou: “Exercer a cidadania implica dizer o que pensamos. Sempre em debates altaneiros, sem atacar pessoas, mas não deixar de dizer aquilo que vemos e que achamos errado”.
A solenidade reforçou a importância da liberdade de expressão, do Estado Democrático de Direito e da participação ativa da sociedade civil como pilares da democracia brasileira.