Itaú Cultural recebe temporada de O Ninho, um recado da raiz, de Newton Moreno

A peça, que tem trilha sonora original assinada por Zeca Baleiro, conta a história de um rapaz que descobriu ter sido deixado muito novo em um convento e que se depara com uma herança familiar que não imaginava ter

Crédito: Ronaldo Gutierrez

De 6 a 23 de fevereiro (sempre de quinta-feira a domingo), o Itaú Cultural apresenta uma mini temporada do espetáculo O Ninho, um recado da raiz, com direção e dramaturgia de Newton Moreno. Nesta novela cênica sobre intolerância e ódio em pleno canavial nordestino, um jovem obstinado e incansável parte em busca de sua origem, até descobrir uma verdade dolorosa sobre sua família. Ele é alertado sobre os perigos que estão por vir, mas segue, até entender que a descoberta sobre si é sempre dolorosa. As sessões acontecem de quinta-feira a sábado, às 20h, e nos domingos e feriados, às 19h.

A temporada no IC conta com um bate-papo, no dia 15 de fevereiro (sábado), às 15h, entre a historiadoraSusan Lewis e o autor Newton Moreno. Susan é autora do livro Indesejáveis e perigosos na arena política: Pernambuco, o anti-semitismo e a questão alemã durante o Estado Novo (1937-1945), lançado em 2005, que inspirou Moreno a escrever a trama, somando a pesquisa à descoberta feita por ele da existência de uma célula nazista no interior pernambucano.

A programação é gratuita, assim como todas as atividades do Itaú Cultural. A partir do mês de fevereiro, a reserva de ingressos começa a ser feita na terça-feira da semana da apresentação, a partir das 12h, na plataforma INTI – com acesso pelo site www.itaucultural.org.br. Quem não conseguir garantir o seu, pode comparecer uma hora antes do evento ser iniciado, quando é formada uma fila de espera. Os ingressos que tiverem desistência serão distribuídos por ordem de chegada.

Passado e presente

Estreada em março de 2024, no Sesc Bom Retiro, a peça O Ninho, um recado da raiz começou a ser escrita em 2009, enquanto a Cia. Os Fofos Encenam pesquisava a civilização da cana-de-açúcar, o patriarcado feudalista da cana e a região da Zona da Mata, no Nordeste brasileiro, para a criação da peça Memória da Cana. Na época, o texto seria usado para compor um dos movimentos de outro espetáculo do grupo, Terra de Santo, que foi encenado na sequência.

A decisão de trazer a peça de volta aos palcos agora, segundo Newton Moreno, deveu-se à nova ascensão da extrema direita ultraconservadora e dos pensamentos fascista e neonazista no Brasil e no mundo. Para tanto, foram acessados os trabalhos das pesquisadoras Susan Lewis e Adriana Dias sobre o neonazismo no Brasil, buscando entender as razões para a existência, ainda, de ideias fascistas e da herança neonazista.

“Nas minhas pesquisas, acabei descobrindo uma célula nazista, localizada em uma cidade perto de Recife. Lá, havia uma grande empresa de uma família poderosa chamada Lundgren, que é importantíssima para a história da cidade e apoiou alguns nazistas que vieram para cá”, recorda Moreno. “Encontrei no Arquivo Público do Estado de Pernambuco uma série de documentos registrando os encontros dessas pessoas com espiões alemães e até reuniões do partido nazista. Tive acesso ao trabalho de pesquisadores e ao livro de uma amiga, Susan Lewis, sobre essa presença dos nazistas no Brasil e nas Américas, e comecei a escrever a história”, conta.

Como pontua o autor, muitas histórias de pessoas e do próprio Brasil estão sendo descobertas e recontadas, além de outras que nunca foram contadas antes. “Contamos aqui a história de um rapaz que descobre ter sido deixado numa roda de enjeitados de um convento por uma família. E, quando ele quer saber que família é essa, resvala em heranças que ele não imaginava. Trabalhamos esse espelhamento da busca desse menino atrás do seu DNA com a busca de um país atrás do seu DNA”, antecipa.

No palco, a trilha sonora original, assinada por Zeca Baleiro, leva a música a compor um tripé importante do espetáculo, juntamente com o texto e a atuação do elenco composto por Paulo de Pontes, Tay Lopes, Kátia Daher, Badu Morais, Rebeca Jamir e Jorge de Paula. Nessa história, definida por Newton Moreno como seca e “que flerta com o trágico”, a música é executada ao vivo pelos músicos Bella Raiane e Zeca Loureiro durante a busca desse menino.

Zeca Baleiro divide e direção musical de O Ninho, um recado da raiz com André Bedurê. Juntos, eles assinam a música Corifeia com o autor Newton Moreno, enquanto Recado da Raiz foi escrita a quatro mãos por Moreno e Baleiro.

Sinopse

O Ninho, um recado da raiz é uma novela cênica sobre a intolerância e o ódio em terras brasileiras, no canavial nordestino. Um jovem em busca de sua origem, obstinado e incansável, enfrenta a jornada até sua verdade, sua primeira família. Raízes sangrando, tradições perdidas. Ele é alertado dos perigos que se anunciam, mas ele persevera até entender que a descoberta de si é sempre dolorosa. A busca pela sua identidade reflete nossa busca do DNA de um país, que se sabe pouco. Que não teve acesso a todos os ‘álbuns de família’, de uma formação torta e esquecida.

Sobre diretor e elenco

Newton Moreno nasceu em Recife (PE). É ator, diretor, roteirista e escritor, autor dos textos teatrais AgresteAs CentenáriasMaria CaritóO Livro, e do musical As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão. Venceu prêmios como o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), Shell, Contigo, Contigo!, Bibi Ferreira e Aplauso Brasil.

Susan Lewis é Mestra em Ciência Política, Doutora em História. É professora adjunta da Universidade de Pernambuco e membro do Comitê Verdade, Memória e Justiça de Pernambuco. Escreveu o livro Indesejáveis e Perigosos: o antissemitismo e a questão alemã em Pernambuco durante o Estado Novo (1937-1945).

Badu Morais é atriz com mais de 20 anos de experiência, cantora, roteirista, documentarista e filmaker. É natural de Natal (RN), e se destacou pela participação no musical Clara Nunes, a Tal Guerreira (2024), e na atuação como a protagonista Maria, no longa-metragem Agreste (2019), inspirado no texto de Newton Moreno.

Bella Raiane é sanfoneira, cantora, compositora e multi-instrumentista, natural de Cajazeiras (PB). Participou do programa The voice Brasil (2021), da Rede Globo, integrando o time de Michel Teló. Em 2024 fez show nos Estados Unidos e lançou seu novo single, Pra te Ver.

Jorge de Paula é arte-educador, ator, encenador, escritor e produtor cultural. Como “teatrista”, desenvolve, há 20 anos, pesquisas sobre o teatro para a infância e juventude, o circo-teatro e o teatro do Nordeste, a partir de reflexões acerca do açúcar como elemento síntese da empreitada colonialista em Pernambuco.

Kátia Daher é atriz, integrante da Cia. Os Fofos Encenam desde 2001, atuou em todos os espetáculos do grupo. Em sua trajetória atuou sob a direção de Marcio Aurelio, Francisco Medeiros, Gpeteanh, Luciana Lyra, Cris Lozano e junto às Cias. As Graças e La Mínima.

Paulo De Pontes é ator, diretor e produtor de teatro há 40 anos. Tem mais de 200 trabalhos profissionais em teatro, cinema e TV. Entre os mais recentes estão Sueño, de Newton Moreno, Aquilo Deu Nisso, da Cia Os Fofos Encenam, com direção de Marcio Abreu, e O Bem Amado Musicado, de Dias Gomes e direção de Ricardo Grasson.

Rebeca Jamir é atriz, cantora, compositora e preparadora vocal, natural de Recife (PE). Trabalhou em O Ninho (2024) texto e direção de Newton Moreno, também na preparação vocal e arranjos de voz; A Divina Farsa (2022), como atriz convidada da cia La Mínima, com direção de Sandra Corveloni; e O Bem Amado Musicado (2022), de Dias Gomes e canções originais de Zeca Baleiro, entre outros.

Tay Lopez é pernambucano e iniciou sua carreira em 1991, em Recife (PE). Desde 1999 radicado em São Paulo. Em seu currículo constam mais de 50 espetáculos teatrais, e desde 2007 tem acumulado experiências com participações em projetos na TV, no streaming e no cinema.

Zeca Loureiro é músico e produtor. Produziu os últimos álbuns do compositor Zé Geraldo: O Lugar Onde Eu Nasci (2024) e Hey Zé (2019). Gravou e excursionou pelo país com artistas como O Teatro Mágico, Luiza Possi, Kiko Loureiro, Mariana Aydar, Roberta Campos, Nô Stopa, Marina de La Riva, Vanessa Bumagny e João Taubkin Trio.

SERVIÇO

Espetáculo O Ninho, um recado da raiz

Texto e direção de Newton Moreno

De 6 a 23 de fevereiro (quinta-feira a sábado, às 20h, e domingo e feriado, às 19h)

Sala Itaú Cultural (Piso Térreo)

Capacidade: 224 lugares

Duração: 90 min

Classificação Indicativa:  Não recomendado para menores de 14 anos 

Bate – Papo Projeto: O Ninho, um recado da raiz

Com Susan Lewis. Mediação de Newton Moreno

Dia 15 de fevereiro (sábado), às 15h

Sala Vermelha (Piso 3)

Capacidade: 70 lugares

Duração: 120 minutos

Classificação Indicativa:  Não recomendado para menores de 14 anos

Entrada gratuita.

Reservas de ingressos a partir da terça-feira da semana da apresentação, a partir das 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br    

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 03/02/2025
  • Fonte: Sorria!,