No ano em que cineasta completaria 80 anos, Itaú Cultural Play estreia mostra 5 vezes Carlos Reichenbach

Seleção traz alguns dos principais filmes do diretor (1945-2012) reconhecido pelo seu cinema autoral que combina erudito e popular. Entre as produções exibidas, estão Alma corsária, vencedor de cinco categorias no Festival de Brasília de 1993, incluindo melhor filme e direção

Crédito: Divulgação

No ano em que Carlos Reichenbach, um dos mais celebrados cineastas brasileiros, completaria 80 anos, a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita do cinema nacional, estreia uma mostra em sua homenagem. No ar a partir de 18 de julho, 5 vezes Carlos Reichenbach traz alguns dos principais filmes do diretor, que foram premiados em eventos como o Festival de Brasília: Alma corsária (São Paulo, 1993), Bens confiscados (São Paulo, 2004), Garotas do ABC (São Paulo, 2004), Falsa loura (São Paulo, 2007) e Lilian M: relatório confidencial (São Paulo, 1975) — este já presente no catálogo.

O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Você também pode encontrar conteúdo da IC Play nas plataformas Claro TV+ e Watch Brasil.

Um dos destaques da mostra 5 vezes Carlos Reichenbach é Alma corsária (1993), uma das obras mais celebradas do diretor. O filme narra a história dos poetas e amigos de infância Rivaldo Torres e Teodoro Xavier, que lançam um livro escrito a quatro mãos em uma pastelaria no centro de São Paulo. O evento atrai personagens encantadores e incomuns, incluindo familiares, pequenos criminosos, desocupados e trabalhadoras do sexo. A partir dessa cena no presente, a narrativa retrocede aos anos 1950 para recontar a história da amizade entre os dois autores.

Com seu olhar retrospectivo, Reichenbach cria um inventário de toda uma geração e percorre três décadas da história do Brasil, fazendo um elogio à amizade e ao aprendizado amargo e alegre da vida. O longa-metragem foi o grande vencedor do Festival de Brasília de 1993, conquistando as categorias de melhor filme, direção, roteiro, montagem e prêmio da crítica, e é um dos quatro de Reichenbach presente na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

A seleção da IC Play também exibe Falsa loura (2007) último filme dirigido por Reichenbach antes de sua morte. Descrito pelo próprio diretor como um musical brasileiro e proletário, o longa-metragem acompanha Silmara, uma operária de uma fábrica paulistana que sonha em ascender socialmente, interpretada por Rosanne Mulholland. Enquanto equilibra o trabalho, a vida social com suas amigas e os cuidados com o pai ex-incendiário, Silmara se envolve com dois artistas – um cantor pop em início de carreira, papel de Cauã Reymond, e um ídolo da música romântica, vivido por Maurício Mattar –, tirando importantes lições de vida dessas experiências.

A produção é notável por seu elenco feminino forte, que sustenta com maestria uma história de juventude cheia de referências cinematográficas, múltiplas camadas de significado e uma perspicaz crítica social. Pela atuação no filme, Djin Sganzerla foi premiada como melhor atriz coadjuvante no Festival de Brasília de 2007.

Bens confiscados (2004) é considerado um dos melhores filmes brasileiros dos anos 2000. Nele, Carlos Reichenbach constrói um melodrama que expõe os bastidores da política nacional, onde segredos sórdidos, corrupção, adultério e tráfico de influência se entrelaçam sem pudor. A trama centra-se em Serena, enfermeira-chefe de um hospital público no Rio de Janeiro. Amante de um senador da República com quem mantém uma relação não resolvida, ela recebe a visita de um assessor do político após a eclosão de escândalos que ameaçam a reputação dele. Para evitar que a situação fuja ao controle, Serena é encarregada de cuidar do filho secreto do senador, que foi enviado à força para um decadente balneário no litoral gaúcho.

Admirador do cineasta alemão Douglas Sirk (1897-1987), Reichenbach evoca o estilo do mestre do melodrama para confrontar o cinema brasileiro com sua própria história contemporânea. Betty Faria, uma das produtoras, brilha como estrela principal do filme.

Com uma atualidade surpreendente, Garotas do ABC, também lançado em 2004, é um filme provocador que aborda temas como neonazismo, violência policial e preconceito. A trama se passa na região do ABC paulista, historicamente ligada à indústria têxtil e metalúrgica, e acompanha a rotina de um grupo de operárias, suas diversões e aspirações. Entre elas está Aurélia, uma trabalhadora negra, bela e determinada. Sua vida toma um rumo perigoso quando ela se apaixona por Fábio, um jovem branco envolvido com uma gangue neonazista.

A produção, que ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Brasília de 2003, é original em seu roteiro e exibe as marcas registradas do cinema de Reichenbach: a mistura de gêneros, a tensão entre o realismo e a estilização, e as referências a outros filmes e autores, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Nela, Selton Mello interpreta um “intelectual” de extrema-direita, ideólogo do grupo de neonazistas da qual Fábio faz parte.

Por fim, a mostra 5 vezes Carlos Reichenbach exibe Lilian M: relatório confidencial (1975),

que também integra a coleção permanente da IC Play Histórias do Cinema Brasileiro, dedicada aos diferentes caminhos que a sétima arte percorreu no país desde sua origem. Segundo longa-metragem do diretor, libertário, provocativo, erótico e político, ele acompanha a jornada de uma mulher do campo que abandona sua família para tentar a vida na metrópole.

Sua ascensão social a leva a se envolver com uma galeria de personagens excêntricos, incluindo um industrial, um empresário alemão que financia a repressão e um jovem burguês agressivo e mimado. Censurado pelo governo militar, que cortou 25 minutos de sua duração original, o filme foi restaurado no final dos anos 2000.

Entre o erudito e o popular

Nascido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mas trazido pela família ainda bebê a São Paulo, Carlos Reichenbach foi não só cineasta, como também fotógrafo, roteirista e músico. Um dos principais diretores de cinema da chamada Boca do Lixo, polo de produção cinematográfica localizado no centro da capital, que teve seu auge entre as décadas de 60 e 80, ele ficou conhecido pelo seu cinema de autor, marcado pela mistura entre o erudito e o popular.

Com um repertório de filmes premiados em festivais nacionais e internacionais, Reichenbach foi o primeiro a ganhar, em 2001, o Troféu Eduardo Abelin, concedido pelo Festival de Gramado como uma homenagem a cineastas e entidades do audiovisual pelo trabalho feito em benefício do cinema brasileiro. Por trás de suas lentes já estrelaram atores como Betty Faria, Selton Mello, Cauã Reymond, Beth Goulart e Ney Latorraca (1944-2024). Carlão, como era chamado na comunidade cinéfila, morreu em 14 de junho de 2012, dia em que completava 67 anos de idade, deixando um legado de amor pelo cinema e inventividade.

Sinopses dos filmes

Lilian M: relatório confidencial

Lilian M: relatório confidencial/Divulgação

De Carlos Reichenbach (120 min, São Paulo, 1975)

Classificação indicativa: A16 – Conteúdo sexual

Sinopse: Mulher do campo abandona a família para ir à cidade na companhia de um caixeiro-viajante. Ela quer tentar a vida na metrópole e sua jornada começa quando vira amante de um industrial. No caminho da miséria ao luxo, se envolve com todo tipo de excêntrico, dentre os quais um empresário alemão que financia a repressão, um jovem burguês agressivo e mimado, um grileiro de terras e um detetive.

Alma corsária

Alma corsária/Divulgação

De Carlos Reichenbach (111 min, São Paulo, 1993)

Classificação indicativa: 16 – Conteúdo sexual, drogas ilícitas e nudez

Sinopse: Amigos de infância, dois poetas lançam um livro escrito a quatro mãos numa pastelaria, no centro da cidade de São Paulo. Ao evento, comparece um elenco de personagens encantadoras e inusitadas, entre eles familiares, pequenos criminosos, desocupados e trabalhadoras do sexo. Desta circunstância do presente, o filme vai aos anos 1950 para recontar a história da amizade entre os dois autores.

Bens confiscados

Bens confiscados/Divulgação

De Carlos Reichenbach (108 min, São Paulo, 2004)

Classificação indicativa: 16 – Conteúdo sexual, drogas ilícitas e violência

Sinopse: Serena é enfermeira-chefe de um hospital público no Rio de Janeiro. Amante de um senador da república, de quem se afastou, mas com quem nunca rompeu de fato, ela recebe a visita de um assessor do político depois que escândalos explodem e ameaçam sua reputação. Para que as coisas não fujam do controle, Serena recebe uma missão do assessor: cuidar de um filho secreto do senador, que foi forçosamente enviado para um balneário decadente no litoral gaúcho.

Garotas do ABC

Garotas do ABC/Divulgação

De Carlos Reichenbach (125 min, São Paulo, 2004)

Classificação indicativa: 16 – Conteúdo sexual e violência extrema

Sinopse: Na região do ABC paulista, local historicamente marcado por fábricas têxteis e metalurgia, um grupo de operárias vive sua rotina de trabalho, diversões, violências e sonhos. Entre elas, está Aurélia, uma trabalhadora negra, bela e provocadora. Ao se apaixonar por um jovem branco afeito a uma gangue de neonazistas, Aurélia se verá numa terrível encruzilhada.

Falsa loura

Falsa loura*/Divulgação

De Carlos Reichenbach (105 min, São Paulo, 2007)

Classificação indicativa: 16 – Conteúdo sexual, drogas ilícitas e nudez

Sinopse: Operária de uma fábrica paulistana, a jovem e belíssima Silmara quer subir na vida. Entre o trabalho, a diversão e a amizade das companheiras, ela também cuida do pai, um ex-incendiário. Na busca por um grande amor, se envolve com dois artistas: um cantor pop em começo de carreira e um ídolo da música romântica. Desta experiência, Silmara irá tirar algumas lições de vida.

SERVIÇO
Mostra 5 vezes Carlos Reichenbach
A partir de 18 de julho na Itaú Cultural Play
www.itauculturalplay.com.br

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 14/07/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show