Itaipava do bordado: Ibitinga celebra Dia Mundial do Bordado
A Capital Nacional do Bordado, Ibitinga celebra o Dia Mundial do Bordado com histórias de artesãos que transformam a tradição em turismo
- Publicado: 30/07/2026 16:30
- Alterado: 30/07/2026 16:31
- Autor: Daniela Ferreira
Celebrado anualmente em 30 de julho, o Dia Mundial do Bordado coloca em destaque a trajetória da Estância Turística de Ibitinga, reconhecida como a Capital Nacional do Bordado. Localizada no centro do Estado de São Paulo, a 343 km da capital, a cidade une turismo de compras, patrimônio cultural e histórias de moradores cujas vidas foram transformadas por meio da arte têxtil.
Criada em 2011 por iniciativa da Täcklebo Broderiakademin (Academia de Bordado de Täcklebo), na Suécia, a data homenageia uma prática milenar, cujos primeiros registros remontam ao ponto cruz da Pré-História e celebra o bordado como ato de afeto, criatividade e união de povos.
Polo do Turismo de Compras e Feira do Bordado

Com lojas de fábrica, ateliês artesanais e o Centro Comercial, Ibitinga atrai anualmente milhares de visitantes em busca de enxovais e artigos de decoração. Entre os principais motores econômicos do município destacam-se:
- Feirinha do Artesanato: Realizada aos sábados com cerca de 600 barracas na área central;
- Feira do Bordado de Ibitinga: Evento que em sua 50ª edição reuniu 150 expositores, atrai aproximadamente 180 mil pessoas ao Pavilhão Permanente de Exposições e movimenta cerca de R$ 100 milhões na economia regional.
A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) destaca que o fluxo de visitantes sustenta a economia local e impulsiona a cadeia de hotelaria, gastronomia e artesanato.
De Motorista de Ambulância a Turismólogo: A História de Valdecir da Silva
Natural de Ibitinga, Valdecir da Silva (“Val”), de 57 anos, aprendeu a bordar entre os 12 e 13 anos. De família humilde, ele dividia os estudos com a ajuda nas tarefas domésticas e a venda de legumes em um carrinho de mão.
Inspirado pela mãe, que era desfiadeira de tecidos de linho, Val aprendeu as etapas de desfiar, crivar e operar a máquina de bordar em uma escolinha comunitária mantida por comerciantes locais.
“Muitas vezes, com problemas sérios para resolver ou preocupações, nós nos sentamos para fazer aquele trabalho manual e aquilo, de certa forma, nos relaxa. Faz com que tenhamos concentração e um despertar até para a solução de problemas”, relata o artesão.
Aos 18 anos, Valdecir integrou a diretoria da Associação de Bordadeiras de Ibitinga, criada na década de 1980 para buscar a regulamentação profissional da categoria. O movimento culminou no reconhecimento de funções como riscador, cortador, bordadeira, desfiadeira e crivadeira pelo Ministério do Trabalho.
Mais tarde, Val tornou-se funcionário público e formou-se em Turismo e Guia de Turismo, mantendo o bordado como paixão e elo com o turismo de experiência do município.
Sete Décadas de Dedicação: A Trajetória de Dona Nereide Trofino

Aos 84 anos, Nereide Branco Trofino é considerada uma das bordadeiras mais tradicionais da cidade. Seu primeiro contato com a arte ocorreu aos 11 anos, na antiga Escola Artesanal de Ibitinga. Aos 13 anos, passou a utilizar a máquina de pedal de sua mãe, equipamento simples, sem motor, que a acompanha até hoje.
“Cada ponto bordado carrega um pouco da minha história, da dedicação e do amor por esse ofício. Mais do que uma profissão, o bordado tornou-se parte da minha identidade”, destaca Dona Nereide.
Com a renda gerada pelo trabalho artesanal, Nereide contribuiu para o sustento dos pais, expandiu sua produção para um ateliê com máquinas industriais e financiou a continuidade de seus estudos. Aos 28 anos, concluiu o ensino básico e ingressou na faculdade.
Para os jovens que estão descobrindo o trabalho manual, a veterana deixa um conselho:
“Todo bordado bonito começou com os primeiros pontos. Com prática, perseverança e vontade de aprender, cada pessoa desenvolve seu próprio estilo. É uma arte que preserva tradições.”