Israel retira indicação de embaixador após Brasil segurar aprovação

Governo brasileiro hesita em conceder aprovação formal a embaixador

Crédito: Montagem ABCdoABC/Freepik

O governo de Israel decidiu revogar a indicação do diplomata Gali Dagan para assumir o cargo de embaixador em Brasília, uma medida que ocorre após um impasse gerado pela falta de aprovação do governo Lula (PT). Com essa decisão, o país ficará sem um representante de alto nível no Brasil, sugerindo uma intenção de manter as relações bilaterais em um nível inferior.

A informação foi divulgada pelo Times of Israel e confirmada por representantes das chancelarias brasileira e israelense que monitoram a situação. Essa nova fase de descontentamento nas relações entre os dois países se dá após meses de incertezas relacionadas ao agrément, a autorização formal que o Itamaraty deve conceder para a nomeação de embaixadores estrangeiros.

A retirada da candidatura de Dagan foi motivada pela recusa do governo brasileiro em conceder essa aprovação. “O pedido foi inexplicavelmente ignorado“, declarou o Ministério das Relações Exteriores de Israel em um comunicado reportado pelo Times of Israel. A nota ressalta que essa decisão implica que as relações com o Brasil serão agora conduzidas “em um nível mais baixo”.

Em março, a concessão do agrément pelo governo brasileiro estava suspensa, aumentando o risco de tensão com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O Itamaraty não rejeitou formalmente o pedido, mas também não deu resposta, postura frequentemente interpretada na diplomacia como sinal de objeção ou não aceitação

Esse episódio é parte de uma sequência de tensões na relação bilateral. Em 2024, Lula foi declarado “persona non grata” após fazer comparações entre ações militares israelenses na Faixa de Gaza e a perseguição aos judeus durante o Holocausto.

Os contatos entre os dois governos têm sido marcados por atritos e distanciamentos. No ano passado, o Brasil retirou seu embaixador em Tel Aviv depois que Frederico Meyer foi submetido a uma reprimenda pública no Museu do Holocausto pelo então chanceler israelense Israel Katz. Desde então, o Brasil ainda não nomeou um substituto.

Além disso, em julho, o governo Lula optou por deixar a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), organização criada para combater o antissemitismo e preservar a memória do Holocausto. De acordo com diplomatas, essa decisão foi motivada pela forma inadequada com que o Brasil aderiu à aliança durante a gestão anterior do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Recentemente, Israel Katz, atualmente à frente do Ministério da Defesa, postou em suas redes sociais um comentário em português chamando Lula de “antissemita declarado” e insinuando que ele seria uma marionete do líder iraniano Ali Khamenei. Katz afirmou: “Quando Lula desrespeitou a memória do Holocausto durante meu mandato como Ministro das Relações Exteriores, declarei-o persona non grata até que pedisse desculpas. Agora ele revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA.” O governo brasileiro ainda não se manifestou sobre essas declarações.

Adicionalmente, o Brasil manifestou intenção de participar formalmente da ação movida pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça da ONU contra Israel, acusando Tel Aviv de genocídio na Faixa de Gaza.

A chancelaria israelense avaliou que as recentes decisões brasileiras são mais um indicativo da postura crítica e hostil adotada pelo governo desde os ataques perpetrados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultaram na morte de cerca de 1.200 israelenses e desencadearam uma ofensiva militar em Gaza, causando mais de 60.000 mortes entre palestinos segundo dados fornecidos pelo Ministério da Saúde da região governada pelo Hamas e considerados confiáveis pela ONU.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 26/08/2025
  • Fonte: FERVER