Israel e Hamas fecham acordo para encerrar guerra
Plano mediado pelos EUA prevê a libertação de reféns, cessar-fogo e a retirada de tropas israelenses da Faixa de Gaza.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 09/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Um novo acordo de paz entre Israel e o Hamas foi estabelecido, com ministros do governo israelense atualmente reunidos para formalizar o tratado. A confirmação veio nesta quinta-feira por meio de Khalil Al-Hayya, um dos líderes do Hamas, que anunciou o fim das hostilidades após receber garantias dos Estados Unidos e de mediadores árabes para um cessar-fogo duradouro.
Al-Hayya foi uma figura central nas negociações do plano de paz. O acordo foi inicialmente divulgado na quarta-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que confirmou o consentimento de ambas as partes para os termos iniciais. Segundo um porta-voz do governo de Israel, a trégua deve começar 24 horas após a validação oficial do documento.
O cenário político interno em Israel, no entanto, apresenta tensões. Itamar Ben-Gvir, líder de um partido de extrema-direita da coalizão governamental, ameaçou tomar medidas para depor o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu caso ele “não consiga desmantelar o Hamas“.
A guerra, que começou em 7 de outubro de 2023 com um ataque terrorista do Hamas que vitimou mais de 1.200 pessoas e sequestrou 251, já resultou na morte de mais de 60 mil palestinos na Faixa de Gaza, segundo autoridades ligadas ao grupo.
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Quais são os pontos principais do acordo?
A primeira fase do plano de paz, apresentado por Trump, foca na troca de prisioneiros e na desescalada do conflito. O Hamas deverá libertar os 48 reféns restantes em troca da soltura de aproximadamente 2 mil prisioneiros palestinos detidos em Israel, incluindo condenados à prisão perpétua.
O acordo estipula ainda:
- As tropas israelenses deverão recuar de suas posições em Gaza, reduzindo a área ocupada de 75% para 57%.
- Será permitida uma maior entrada de ajuda humanitária no território, incluindo alimentos, água e medicamentos.
- O Hamas terá um prazo de 72 horas para liberar todos os reféns, vivos ou mortos.
Desafios na devolução de reféns mortos
Um dos maiores obstáculos para a rápida implementação do tratado é a devolução dos corpos dos reféns que morreram em cativeiro. Relatórios da imprensa norte-americana e israelense indicam que o Hamas não sabe o paradeiro de alguns corpos, o que complica o cumprimento dos prazos.
Para contornar o problema, a Turquia anunciou a criação de uma força-tarefa internacional, com a participação de EUA, Catar e Egito, para ajudar o Hamas a localizar os corpos em Gaza. Embora o número exato de desaparecidos seja incerto, sabe-se que 28 dos 48 reféns restantes não estão mais vivos. O Hamas já solicitou uma extensão do prazo para a devolução dos corpos.
O futuro de Gaza e o plano de transição
Embora o acordo tenha sido anunciado, muitos detalhes sobre as próximas fases permanecem incertos. Trump afirmou que esta é apenas “a primeira fase” rumo à paz, indicando que novas negociações serão necessárias.
A proposta geral da Casa Branca visa uma Faixa de Gaza desmilitarizada, com anistia para membros do Hamas que entregarem suas armas. O plano também prevê a criação de um governo de transição, formado por um comitê de tecnocratas palestinos, que futuramente transferiria o poder para uma Autoridade Palestina reformada. Além disso, um robusto pacote econômico está previsto para o desenvolvimento da região.
Reações oficiais ao acordo
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, celebrou o avanço, convocando uma reunião com seu gabinete para aprovar formalmente o tratado. Em suas redes sociais, ele afirmou: “Um grande dia para Israel”. Netanyahu também acrescentou: “Trata-se de um triunfo diplomático e uma vitória moral significativa para o Estado israelense.”
Espera-se que o acordo seja assinado oficialmente às 6h desta quinta-feira (horário de Brasília). Donald Trump tem uma visita programada a Israel nos próximos dias, onde foi convidado a discursar no Parlamento.